O Tubo da Torre Oiartzun: A misteriosa peça paleolítica de 12.000 anos cujo significado ainda intriga arqueólogos
Um pequeno osso de ave encontrado em uma caverna no País Basco espanhol está chamando novamente a atenção da arqueologia
Um pequeno osso de ave encontrado em uma caverna no País Basco espanhol está chamando novamente a atenção da arqueologia. O chamado tubo de Torre Oiartzun, descoberto em 1966, possui 23 gravuras feitas há cerca de 12 mil anos, incluindo animais e uma figura humana.
O mais intrigante é que, mesmo após décadas de pesquisas, os especialistas ainda não conseguiram determinar com certeza para que o objeto era usado.
O que torna o tubo de Oiartzun tão extraordinário?
O artefato foi produzido a partir de um osso oco da asa de um alcatraz atlântico. Com apenas 179 milímetros de comprimento, cerca de 10 milímetros de largura e paredes com menos de 2 milímetros de espessura, ele recebeu uma decoração extremamente detalhada.
A peça foi encontrada na caverna de Torre, em Oiartzun, em 1966. Décadas depois, uma nova análise publicada em 2023 utilizou técnicas modernas de microscopia para reexaminar os sinais deixados durante sua fabricação e confirmar detalhes das gravuras.
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— Jorge Urreta (@UrretaJorge) August 15, 2026
Quais figuras foram gravadas no pequeno osso?
O objeto funciona como uma espécie de bestiário miniaturizado do Paleolítico. Os pesquisadores identificaram diferentes representações distribuídas em duas fileiras, além de sinais geométricos.
Entre os principais elementos identificados estão:
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A precisão impressiona ainda mais porque o suporte era minúsculo e extremamente delicado. Os contornos foram aprofundados e posteriormente receberam pequenas incisões para representar detalhes como pelos e características do corpo.
Por que ninguém sabe exatamente para que o tubo de Oiartzun servia?
É justamente aqui que o mistério fica maior. Ao longo do tempo, objetos semelhantes foram interpretados como possíveis flautas, recipientes para pigmentos, porta-agulhas, apitos, amuletos ou objetos ligados a práticas rituais. No caso de Torre, porém, nenhuma dessas hipóteses foi comprovada.
A ausência de perfurações torna pouco provável que tenha sido um instrumento musical, enquanto a falta de resíduos de ocre no interior enfraquece a hipótese de recipiente para pigmentos. Até mesmo a fratura que dividiu o osso em dois já foi considerada uma possível ação ritual, mas essa interpretação permanece especulativa.
O que o tubo de Oiartzun revela sobre os povos do Paleolítico?
Mais do que uma peça artística, o tubo fornece pistas sobre a cultura e as conexões entre grupos de caçadores-coletores do final do Magdaleniano. Motivos semelhantes aparecem em outros sítios do norte da Espanha e dos Pireneus, indicando a existência de tradições visuais compartilhadas.
O objeto voltou a ganhar destaque em 2026 graças à exposição “Tubo de Torre. Una pregunta de 12.000 años”, realizada no museu Ekainberri, no País Basco. A mostra apresenta a peça ao público e transforma sua principal pergunta — qual era sua função? — em um convite para compreender melhor uma sociedade que desapareceu milhares de anos atrás.
O mais fascinante é que o mistério continua aberto: sabemos quando e como o objeto foi produzido, conhecemos parte de seu repertório artístico, mas ainda não sabemos por que alguém decidiu gravar aquelas imagens em um pequeno osso de ave há 12 mil anos.
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