O tubarão-da-Groenlândia pode viver cerca de 400 anos, e cientistas acreditam ter encontrado no seu DNA uma das chaves para a maior longevidade entre todos os vertebrados
Em regiões geladas do Atlântico Norte e do Ártico, o tubarão-da-Gronelândia nada lentamente em águas profundas e frias
Em regiões geladas do Atlântico Norte e do Ártico, o tubarão-da-Gronelândia nada lentamente em águas profundas e frias.
De crescimento extremamente lento e maturação tardia, é hoje considerado um dos vertebrados mais longevos do planeta. Sua biologia singular o transformou em modelo central para estudos modernos sobre envelhecimento.
Por que o tubarão-da-Gronelândia é tão longevo?
A espécie Somniosus microcephalus pode viver mais de 300 anos, com estimativas que chegam a cerca de 400. Estudos com radiocarbono em estruturas oculares sugerem que alguns indivíduos nasceram antes de eventos históricos da era moderna.
A maturidade sexual ao redor dos 150 anos e o crescimento lento indicam metabolismo reduzido, típico de ambientes frios e profundos. Isso diminui a produção de radicais livres e o desgaste celular, embora não explique tudo sobre sua longevidade excepcional.
Los tiburones de Groenlandia pueden vivir más de 400 años. El ejemplar más viejo nació alrededor del año 1500 y apenas empezaba su madurez sexual a los 150 años. pic.twitter.com/KpoPJpPZUv
— marcos (@MarcosDelado) June 23, 2026
Como o genoma do tubarão-da-Gronelândia foi mapeado?
Equipes internacionais sequenciaram o genoma completo do tubarão, usando tecnologias modernas de leitura de DNA. A primeira versão, divulgada em 2024, revelou um genoma com cerca de 6,45 bilhões de pares de bases, aproximadamente o dobro do humano.
Uma montagem mais refinada, publicada em 2026, permitiu análises funcionais detalhadas e comparações com outros tubarões e vertebrados. Os cientistas passaram a buscar variantes ligadas à resistência ao câncer, ao envelhecimento e a doenças associadas à idade avançada.
O que torna o DNA do tubarão-da-Gronelândia especial?
Cerca de 70% do genoma é composto por elementos transponíveis, os “genes saltadores”. Em muitas espécies, eles geram instabilidade, mas aqui parecem ter sido cooptados para duplicar genes úteis ao longo da evolução.
Esses movimentos favoreceram a multiplicação de genes de reparo de DNA e de controle de tumores, além de famílias ligadas ao sistema imune e à regulação inflamatória. O resultado é uma forte redundância de mecanismos que protegem o material genético por séculos.
Bilim insanları, Kuzey Buz Denizi'nde yaşayan bir Grönland köpekbalığının yaklaşık 400 yaşında olabileceğini ve bilinen en uzun ömürlü omurgalılardan biri olduğunu belirtti. pic.twitter.com/jGzPpo6p84
— Telgraft (@telqraft) June 22, 2026
Por que o reparo de DNA é crucial para viver tanto?
Todos os vertebrados sofrem danos constantes ao DNA, causados por radiação, metabolismo e erros de replicação. Em espécies de vida longa, é essencial detectar e corrigir essas lesões de forma muito eficiente, evitando tumores e falhas celulares precoces.
No tubarão-da-Gronelândia, as vias clássicas de reparo foram amplificadas, sem criar sistemas totalmente novos. Entre as principais estratégias observadas estão:
Maior número de genes de reparo e proteínas redundantes.
Melhor detecção e correção de quebras e mutações.
Modulação de inflamação e estresse oxidativo ao longo da vida.
O que esse tubarão ensina sobre o envelhecimento humano?
Com o genoma disponível em bancos públicos, pesquisadores o comparam ao DNA humano e ao de outras espécies longevas, como baleias e roedores de vida longa. O objetivo é identificar vias comuns que possam inspirar fármacos, terapias gênicas e intervenções seguras em humanos.
Embora exista incerteza nas idades máximas estimadas, há consenso de que se trata de um vertebrado centenário extremo. Esse habitante discreto do fundo do mar ajuda a montar o quebra-cabeça do envelhecimento, revelando como alguns organismos mantêm funções vitais em operação por séculos.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)