O supernavio de 275 metros que afunda de propósito para carregar estruturas maiores que ele
Tanques gigantes levam o convés para baixo da água antes que plataformas e navios inteiros sejam erguidos sobre a embarcação
À primeira vista, ele parece uma plataforma baixa demais para cruzar oceanos. Não há uma proa elevada dominando o convés, e boa parte de sua estrutura fica aberta como uma pista gigantesca sobre o mar. O detalhe mais estranho aparece quando chega a hora de embarcar a carga, porque o navio começa a desaparecer sob a água de propósito.
Por que algumas cargas não podem viajar em navios comuns?
Plataformas de petróleo, unidades flutuantes de produção e grandes embarcações podem pesar dezenas de milhares de toneladas. Além do peso, elas possuem dimensões que impedem o uso de guindastes convencionais, porões fechados ou rampas instaladas nos portos. Em muitos casos, a carga é mais larga ou mais comprida que o próprio navio responsável pelo transporte.
Rebocar essas estruturas por milhares de quilômetros também pode ser lento e arriscado. Elas ficam expostas às ondas, gastam mais tempo no mar e nem sempre foram projetadas para navegar por conta própria em grandes travessias. A engenharia encontrou uma saída curiosa: em vez de levantar a carga por cima, o transportador mergulha por baixo dela.
Como o BOKA Vanguard afunda para receber outro navio?
O BOKA Vanguard possui grandes tanques de lastro distribuídos em seu casco. Durante o carregamento, bombas permitem a entrada controlada de água do mar nesses compartimentos. O peso adicional faz a embarcação descer lentamente, mantendo o equilíbrio até que seu enorme convés fique vários metros abaixo da superfície.
A carga permanece flutuando e é conduzida por rebocadores até a posição planejada. Depois que tudo está corretamente alinhado, as bombas retiram a água dos tanques. O transportador volta a subir, encosta o convés sob a estrutura e termina o processo com a carga completamente fora da água.
- Os tanques recebem água para aumentar o peso do navio
- O convés desce de maneira lenta e monitorada
- Rebocadores posicionam a carga sobre a área submersa
- A água do lastro é bombeada novamente para fora
- O convés emerge sustentando a estrutura transportada
Para complementar o tema, o canal Boskalis apresenta o vídeo “BOKA Vanguard loading Carnival Vista”. O material mostra o carregamento real de um navio de cruzeiro e ajuda a visualizar o convés submerso voltando à superfície sob a embarcação:
O navio corre o risco de perder o controle durante o mergulho?
O processo não se parece com um afundamento causado por acidente. Antes da operação, engenheiros calculam o peso, o centro de gravidade, a distribuição da carga e a quantidade de água que deverá entrar em cada tanque. As bombas não enchem todos os compartimentos ao mesmo tempo, pois qualquer desequilíbrio poderia inclinar o casco.
Sensores acompanham a profundidade, a estabilidade e a posição durante cada etapa. Rebocadores também mantêm a carga no lugar enquanto o convés está submerso. Se o vento, as ondas ou as correntes ultrapassarem os limites definidos, a operação pode ser adiada. Trabalhar devagar faz parte do sistema, já que alguns centímetros de diferença alteram forças enormes.
Leia também: A garça-negra que vira um guarda-chuva sobre a água e faz os peixes nadarem direto para o seu bico
Quanto peso o BOKA Vanguard consegue levar pelo oceano?
O navio mede 275 metros de comprimento e possui um convés com 70 metros de largura. Seu desenho sem uma proa convencional elevada deixa praticamente toda a parte superior disponível. Isso permite que plataformas e navios ultrapassem as bordas laterais, a frente ou a traseira sem encontrar uma grande superestrutura bloqueando o caminho.
Segundo a Boskalis, a embarcação possui capacidade de porte de aproximadamente 117 mil toneladas. O número não representa apenas o objeto carregado, pois inclui os pesos considerados na operação, mas mostra por que ela ocupa uma categoria tão incomum no transporte marítimo.
| Característica | Dado aproximado |
|---|---|
| Comprimento total | 275 metros |
| Largura do convés | 70 metros |
| Capacidade de porte | Aproximadamente 117 mil toneladas |
| Calado durante a submersão | Até cerca de 31 metros |
| Ano de construção | 2012 |
Que tipos de estruturas podem viajar sobre esse convés?
A embarcação foi criada principalmente para o setor de energia offshore. Plataformas, módulos industriais e unidades flutuantes de produção podem ser fabricados em um país e instalados a milhares de quilômetros de distância. Em vez de desmontá-los para transporte, o navio consegue levar grandes conjuntos praticamente prontos.
Ele também pode transportar outras embarcações e funcionar como uma espécie de dique seco móvel. Em 2019, o navio de cruzeiro Carnival Vista foi colocado sobre seu convés para receber reparos nas Bahamas, onde não havia um dique tradicional disponível com as condições necessárias. A cena parecia impossível: um navio de cruzeiro inteiro apoiado nas costas de outro.

Por que o BOKA Vanguard não afunda com tanto peso?
A resposta está no deslocamento de água. Quando o navio retorna à superfície, seu casco precisa deslocar uma quantidade de água cujo peso seja equivalente ao conjunto formado pela embarcação e pela carga. Quanto maior o peso colocado sobre o convés, mais fundo o casco se acomoda, até alcançar o calado previsto pelos engenheiros.
O BOKA Vanguard não depende apenas da força bruta do aço. A carga é presa, apoiada sobre suportes calculados e distribuída para não concentrar pressão em uma única região. Depois disso, ele cruza o oceano como qualquer grande embarcação, embora leve sobre o convés estruturas que parecem grandes demais até para permanecerem flutuando.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)