O sistema de comportas gigantes escondido no fundo do mar que se levanta para impedir Veneza de desaparecer sob as marés
As 78 barreiras de aço ficam submersas nas entradas da Lagoa de Veneza e sobem com ar comprimido quando uma maré extrema ameaça a cidade
Durante a maior parte do tempo, o MOSE permanece praticamente invisível no fundo das três entradas que ligam a Lagoa de Veneza ao Mar Adriático. Quando uma maré excepcional ameaça a cidade, 78 enormes comportas de aço recebem ar comprimido, expulsam a água de seu interior e se levantam até formar uma barreira temporária contra o avanço do mar.
Como o MOSE consegue ficar escondido no fundo da lagoa?
O sistema é formado por quatro fileiras de comportas distribuídas pelas entradas de Lido, Malamocco e Chioggia. No total, são 78 estruturas metálicas articuladas, instaladas dentro de grandes alojamentos de concreto assentados no leito da lagoa. Em condições normais, elas ficam cheias de água e repousam horizontalmente dentro dessas estruturas.
Essa disposição permite manter as passagens abertas para as marés e para a navegação quando não existe ameaça. A maior entrada, Lido, possui duas fileiras de barreiras, enquanto Malamocco e Chioggia possuem uma cada. Somadas, elas conseguem fechar temporariamente todas as conexões principais entre a lagoa e o Adriático.
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O que acontece quando o MOSE precisa proteger Veneza?
Quando as previsões indicam uma maré suficientemente alta, operadores iniciam o processo antes que o pico chegue. Ar comprimido é bombeado para dentro das comportas, expulsando a água que as mantém submersas. À medida que ficam mais leves, elas giram sobre enormes dobradiças e começam a subir.
O processo envolve uma sequência cuidadosamente controlada:
- A maré e as condições meteorológicas são monitoradas.
- A operação é autorizada antes da chegada do pico.
- Ar comprimido substitui a água dentro das comportas.
- As estruturas começam a girar em direção à superfície.
- As fileiras formam uma barreira entre a lagoa e o mar.
O vídeo abaixo mostra especificamente o funcionamento do MOSE e explica como as estruturas metálicas submersas recebem ar comprimido e se levantam para bloquear a entrada da maré em Veneza.
Quanto tempo o MOSE leva para fechar as entradas do mar?
O levantamento das comportas leva aproximadamente 30 minutos. Depois que o risco passa, elas são novamente preenchidas com água e retornam aos alojamentos no fundo, processo que leva cerca de 15 minutos. Assim, a lagoa não permanece permanentemente isolada do Adriático.
Essa característica é essencial porque Veneza depende da troca natural de água com o mar. O MOSE foi concebido como uma defesa temporária, utilizada apenas quando as previsões indicam níveis capazes de provocar acqua alta significativa e inundar ruas, praças e edifícios históricos.
O MOSE realmente conseguiu impedir grandes inundações em Veneza?
Sim. A primeira utilização bem-sucedida em situação real ocorreu em 3 de outubro de 2020. Naquele dia, uma maré alta ameaçava novamente inundar a cidade, mas as barreiras foram levantadas e Veneza permaneceu seca, marcando a estreia operacional do sistema depois de décadas de planejamento e construção.
| Característica | MOSE |
|---|---|
| Comportas | 78 unidades |
| Entradas protegidas | Lido, Malamocco e Chioggia |
| Tempo para subir | Cerca de 30 minutos |
| Primeira proteção real | Outubro de 2020 |
Em novembro de 2022, o sistema voltou a demonstrar sua importância diante de uma previsão próxima de 170 centímetros. Enquanto níveis elevados eram registrados fora da área protegida, as barreiras mantiveram o centro histórico livre de uma inundação que teria atingido grande parte da cidade.
Quanto custou o MOSE e por que o projeto ficou tão caro?
O valor de R$ 30 bilhões é apenas uma aproximação, pois depende da cotação do euro. O custo final é geralmente colocado na faixa de €6 bilhões, resultado de quase duas décadas de obras, infraestrutura submarina, sistemas eletromecânicos, instalações auxiliares e diversos atrasos.
Além das 78 comportas, foram necessários caixões de concreto, túneis de serviço, 156 conjuntos de dobradiças e estruturas para manter a navegação. O projeto MOSE também utiliza sistemas de instrumentação capazes de monitorar a pressão da água e do ar comprimido durante a operação das barreiras.

O MOSE conseguirá proteger Veneza para sempre?
O sistema foi projetado para enfrentar marés muito superiores às que tradicionalmente inundavam a cidade, mas a elevação contínua do nível do mar cria um problema crescente. Quanto mais frequentemente as comportas precisarem permanecer fechadas, maiores serão os impactos sobre navegação, circulação de água e ecossistema da lagoa.
Até 2026, o MOSE já havia protegido Veneza em mais de 150 ocasiões desde sua estreia operacional, segundo relatos recentes. Seu sucesso imediato é evidente, mas o futuro exige novas soluções para evitar que uma barreira concebida para situações excepcionais precise se transformar numa parede quase permanente entre uma cidade histórica e o mar que sempre definiu sua existência.
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