O “rei perdido” da Ásia está voltando ao Cazaquistão
Cazaquistão avança em um dos projetos de conservação mais ambiciosos da atualidade: preparar o país para o retorno do tigre, extinto na região há décadas
Cazaquistão avança em um dos projetos de conservação mais ambiciosos da atualidade: preparar o país para o retorno do tigre, extinto na região há décadas.
A iniciativa combina reflorestamento, recuperação de fauna nativa e criação de áreas protegidas, buscando recriar um ecossistema funcional capaz de sustentar a espécie a longo prazo.
O que significa a reintrodução do tigre no Cazaquistão?
A reintrodução do tigre no Cazaquistão vai além de soltar animais em uma reserva. Exige restaurar processos ecológicos, garantir presas abundantes, conectividade de habitats e segurança contra a caça ilegal.
Estudos genéticos mostraram que o antigo tigre-do-Cáspio é muito próximo do tigre-siberiano, ou tigre-de-amur. Isso permitiu usar essa subespécie como base do plantel, com cooperação internacional para transferir indivíduos ao país.

Como o habitat está sendo preparado para o retorno do tigre?
No sul do país, a região do rio Ile e do lago Balkhash é o principal foco de restauração. Ali, florestas ribeirinhas do tipo tugai vêm sendo plantadas para estabilizar margens, oferecer sombra, abrigo e corredores de deslocamento para a fauna.
As espécies vegetais são escolhidas pelo papel ecológico e cultural, com plantios em mosaico para formar corredores verdes:
- 5.000 mudas de salgueiros, que estabilizam margens e fornecem sombreamento.
- 30.000 oleastros de folha longa, produtores de frutos consumidos por aves e mamíferos.
- 2.000 turangas, árvores nativas consideradas sagradas e importantes para a biodiversidade local.
Por que as populações de presas são decisivas para o projeto?
Um grande predador só se estabelece onde há presas em número suficiente. Por isso, o programa priorizou a recuperação de ungulados, reduzindo o risco de predação sobre rebanhos domésticos e conflitos com comunidades rurais.
A saiga, antílope típico das estepes, passou de populações críticas para centenas de milhares de indivíduos, graças a proteção reforçada. O retorno do cervo de Bukhara ao Ile-Balkhash, com solturas desde 2019, amplia a base alimentar dos futuros tigres.

Como os tigres serão reintroduzidos e monitorados?
Um casal de tigres-amur, Bodhana e Kuma, foi levado dos Países Baixos para um recinto semi-natural na Reserva Natural Ile-Balkhash. Eles se adaptam ao clima local, com expectativa de reprodução para formar uma linhagem ajustada às condições da região.
Autoridades cazaques planejam soltar gradualmente três a quatro tigres vindos da Rússia, após quarentena e adaptação. Equipes treinadas usarão colares de GPS, patrulhamento reforçado e protocolos de resposta rápida para prevenir incidentes com pessoas e gado.
Que impacto esse projeto pode ter para a conservação global?
Se bem-sucedido, o retorno do tigre ao Cazaquistão será o primeiro caso de reintrodução da espécie em um país onde estava extinta na natureza. Isso criará um modelo para projetos de rewilding em outras regiões, mostrando que grandes predadores podem voltar após décadas de ausência.
O esforço reúne o governo cazaque, WWF da Ásia Central, PNUD e parceiros internacionais. Cada área reflorestada, cada população de ungulados protegida e cada ação de engajamento comunitário compõe um plano de longo prazo para restaurar um ecossistema onde o tigre volte a ser espécie-chave.
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