O que faz da iguana marinha o único lagarto do oceano e por que ela chama tanta atenção em Galápagos
Única em Galápagos, a iguana marinha vive entre rochas e mar, elimina sal pelas narinas e depende do oceano para se alimentar
Entre as muitas espécies curiosas que habitam as Ilhas Galápagos, a iguana marinha chama atenção por viver em ambientes costeiros rochosos e entrar com frequência no mar para se alimentar, sendo considerada o único lagarto conhecido que obtém alimento diretamente no oceano, o que a torna um caso particular de adaptação ao meio marinho.
Iguana marinha de Galápagos e sua origem evolutiva
A iguana marinha (Amblyrhynchus cristatus) é endêmica de Galápagos, não ocorrendo naturalmente em nenhum outro lugar do planeta. Seus ancestrais eram iguanas terrestres que, ao chegar ao arquipélago, passaram por longa adaptação até ocupar as zonas costeiras e explorar o oceano como fonte de alimento.
Essa história evolutiva ajuda a explicar por que apenas esse lagarto desenvolveu um estilo de vida tão ligado ao mar. A combinação de traços terrestres e aquáticos faz da espécie um modelo importante para o estudo da evolução em ilhas oceânicas.
Quais são as principais adaptações corporais da iguana marinha?
A iguana marinha é um réptil robusto, de corpo escuro, que costuma ser visto descansando ao sol sobre rochas vulcânicas para recuperar calor. À primeira vista lembra iguanas terrestres, mas possui modificações anatômicas que facilitam o nado e a alimentação subaquática.
A cauda é lateralmente comprimida e funciona como remo, permitindo movimentos eficientes na água. As garras são fortes e curvas, adequadas para se fixar em rochas escorregadias, e o focinho curto facilita o “pastoreio” de algas aderidas ao substrato marinho.
Marine iguanas are the only lizard species in the world that live and forage in the ocean, and they are found exclusively in the Galápagos Islands
— Science girl (@sciencegirl) April 9, 2026
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Como a iguana marinha consegue viver e mergulhar no oceano frio?
Relatos científicos indicam que a iguana marinha pode mergulhar até cerca de 30 metros de profundidade para se alimentar de algas. Durante esses mergulhos, permanece vários minutos submersa, movimentando a cauda de um lado para o outro enquanto mantém as patas junto ao corpo para reduzir o arrasto.
Para lidar com o frio das águas de Galápagos, o animal reduz a frequência cardíaca durante o mergulho e, ao retornar, passa longos períodos tomando sol sobre as rochas vulcânicas. Esse ciclo entre o mar e a terra se repete ao longo do dia, principalmente em marés favoráveis.
Por que a iguana marinha é considerada uma espécie única?
A singularidade da iguana marinha está no fato de ser o único lagarto conhecido que depende diretamente do ambiente oceânico para se alimentar. Outras espécies podem usar áreas costeiras salobras, mas não exibem o mesmo grau de especialização em algas marinhas.
Durante o pastoreio de algas, a iguana ingere grande quantidade de água do mar, o que exige um mecanismo eficiente de eliminação de sal. Esse processo ocorre por glândulas especializadas próximas às narinas e pode ser descrito em etapas sucessivas:
Animal ingere algas e água do mar durante o mergulho
Ao se alimentar no ambiente marinho, ele acaba absorvendo sal junto com a água e os alimentos consumidos durante a atividade subaquática.
Glândulas especiais retiram o excesso de sal do sangue
O organismo conta com glândulas de sal especializadas que ajudam a filtrar e concentrar o sal absorvido, evitando desequilíbrios internos.
Sal é expelido pelas narinas em “espirros” brancos
Depois de concentrado, o excesso é eliminado pelas narinas em forma de secreção esbranquiçada, parecendo pequenos espirros de sal.
Qual é o papel ecológico e a importância da iguana marinha em Galápagos?
No ecossistema de Galápagos, a iguana marinha é importante consumidora de algas, ajudando a controlar seu crescimento em áreas rochosas rasas. Com isso, influencia a disponibilidade de luz e espaço para invertebrados e pequenos peixes associados a esses ambientes costeiros.
Em terra, ovos e filhotes servem de alimento para predadores nativos e introduzidos, tornando a reprodução um momento crítico e alvo de programas de conservação. Como símbolo do arquipélago, a espécie também é monitorada para avaliar respostas a mudanças na temperatura da água, variações na oferta de algas e fenômenos climáticos como El Niño.
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