O que a ciência diz sobre o zumbido misterioso que pessoas do mundo inteiro escutam
O som parece vir do céu ou atravessar paredes, mas uma descoberta recente mudou a principal explicação
Em diferentes cidades do mundo, algumas pessoas descrevem um ruído grave que aparece principalmente durante a noite, quando ruas, fábricas e casas parecem silenciosas. O som lembra um motor diesel funcionando ao longe, porém vizinhos e familiares no mesmo local muitas vezes não escutam absolutamente nada. O detalhe mais perturbador é que o zumbido parece atravessar paredes e mudar de intensidade sem revelar de onde realmente vem.
Por que algumas pessoas escutam um som que ninguém consegue localizar?
Os relatos ficaram conhecidos a partir de episódios registrados em lugares como Bristol, no Reino Unido, Taos, nos Estados Unidos, e Windsor, no Canadá. Assim, moradores separados por milhares de quilômetros passaram a descrever sensações parecidas, incluindo vibração, pulsação e um ronco constante de baixa frequência. Porém, isso não significa que todos estejam ouvindo exatamente o mesmo fenômeno.
Então, sons graves são particularmente difíceis de localizar porque possuem comprimentos de onda maiores e podem atravessar obstáculos com mais facilidade. Uma parede, um cômodo ou a estrutura de uma casa também pode entrar em ressonância, assim o ruído parece mais forte dentro do imóvel do que do lado de fora. Porém, microfones comuns de celulares nem sempre conseguem registrar essas frequências com clareza.
O que realmente pode causar o zumbido global?
A ciência não encontrou uma única fonte espalhada pelo planeta. Assim, o nome “The Hum” reúne experiências que podem ter origens diferentes, incluindo máquinas industriais, ventiladores, compressores, transformadores, tubulações, navios e sistemas de energia. Porém, quando nenhum ruído externo compatível é localizado, pesquisadores também consideram fenômenos produzidos pelo próprio sistema auditivo.
- Máquinas industriais funcionando durante a noite
- Sistemas de ventilação e refrigeração de grande porte
- Compressores, bombas e tubulações pressurizadas
- Geradores, transformadores e instalações elétricas
- Motores de navios ou equipamentos portuários
- Ressonância de paredes, janelas e estruturas metálicas
- Zumbido auditivo percebido em frequências muito baixas
O vídeo “‘The Hum’: The Unexplained Noise 2% of People Can Hear”, do canal The Atlantic, acompanha um homem que tenta localizar um ruído grave percebido dentro de sua própria casa. Assim, o conteúdo mostra por que medições, inspeções e mudanças de ambiente nem sempre revelam imediatamente a origem do som.
O som vem do oceano, das fábricas ou do próprio ouvido?
Ondas oceânicas realmente produzem vibrações de baixa frequência conhecidas como microssismos, capazes de viajar pela crosta terrestre e ser registradas por instrumentos. Porém, essas vibrações não explicam automaticamente o ruído específico escutado dentro de cada residência. Assim, associar todos os relatos mundiais ao fundo do oceano simplifica um fenômeno muito mais variado.
Então, investigações locais já encontraram fontes industriais reais em algumas cidades, incluindo torres de resfriamento, bombas e operações metalúrgicas. Porém, em outros lugares, equipamentos acústicos não detectaram um sinal externo que correspondesse ao som descrito pelos moradores. Assim, duas pessoas podem usar o mesmo nome para experiências causadas por mecanismos completamente diferentes.
O que o novo estudo sobre o zumbido global descobriu?
Uma pesquisa publicada em março de 2026 avaliou 28 pessoas que relatavam perceber sons graves quase constantes. Então, os participantes indicaram uma frequência mediana próxima de 50 hertz, semelhante ao ronco de um motor distante. Porém, na maioria dos casos, eles não apresentaram uma sensibilidade extraordinária a sons graves nem emissões mensuráveis produzidas pela cóclea.
| Possível origem | Como costuma aparecer | Como pode ser investigada | Principal dificuldade |
|---|---|---|---|
| Máquina industrial | Ruído contínuo ou ligado a horários | Medições próximas à instalação | O som pode viajar por estruturas |
| Tubulação ou compressor | Pulsação semelhante a motor | Comparação entre funcionamento e silêncio | A fonte pode estar distante |
| Ressonância do imóvel | Som mais forte dentro de um cômodo | Medições em vários pontos da casa | A estrutura amplifica frequências específicas |
| Percepção auditiva interna | Som ouvido sem fonte externa detectável | Avaliação auditiva especializada | A percepção é real, porém subjetiva |
Assim, os autores sugeriram que muitos desses casos podem pertencer à família do zumbido auditivo de baixa frequência, embora fontes físicas externas não tenham sido descartadas. O estudo da PLOS One reforça que o fenômeno não deve ser tratado como uma única emissão global. Porém, a pesquisa analisou um grupo pequeno e não encerra todas as explicações possíveis.
Por que o barulho parece pior durante a madrugada?
À noite, o tráfego diminui, conversas desaparecem e eletrodomésticos são desligados. Então, o ruído de fundo que normalmente mascara frequências graves fica mais fraco. Assim, um som discreto produzido por uma máquina distante ou pelo próprio sistema auditivo pode se tornar muito mais evidente quando o ambiente entra em silêncio.
Porém, a atmosfera noturna também pode alterar a propagação de certos ruídos. Camadas de ar com temperaturas diferentes conseguem curvar ondas sonoras e fazê-las alcançar áreas mais distantes. Então, uma fonte industrial que quase não é percebida durante o dia pode parecer mais próxima em determinadas noites, embora continue localizada no mesmo ponto.

O zumbido global ainda permanece sem explicação definitiva?
O mistério permanece porque os relatos não apontam necessariamente para uma causa comum. Assim, algumas ocorrências podem ser rastreadas até equipamentos industriais, enquanto outras continuam sem uma fonte externa mensurável. Porém, isso não torna a experiência imaginária, pois uma percepção auditiva interna também pode ser intensa, contínua e extremamente incômoda.
Então, o chamado zumbido global provavelmente não é uma mensagem vinda do céu nem uma única vibração atravessando o planeta. Assim, ele representa um conjunto de sons e percepções de baixa frequência que se tornam difíceis de separar. Porém, justamente por reunir máquinas, estruturas, ambiente e audição humana, o fenômeno continua intrigando moradores e pesquisadores décadas depois dos primeiros relatos.
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