O peixe que consegue sobreviver por horas fora da água e pode atravessar pequenos trechos de terra usando adaptações incomuns do próprio corpo
Espécie respira ar atmosférico e usa movimentos do corpo e nadadeiras rígidas para atravessar terrenos úmidos
Nem todo peixe fica completamente indefeso quando sai da água. O bagre-andador, Clarias batrachus, possui adaptações que permitem respirar ar atmosférico e se deslocar por superfícies úmidas. O bagre-andador consegue permanecer fora da água por períodos prolongados quando seu corpo permanece úmido, usando movimentos sinuosos e estruturas das nadadeiras para alcançar outro ambiente aquático.
Como o bagre-andador consegue sobreviver fora da água?
A espécie possui um órgão respiratório acessório localizado acima das brânquias. Essa estrutura suprabranquial, altamente vascularizada, permite aproveitar oxigênio diretamente do ar. Por isso, o peixe consegue sobreviver em águas estagnadas ou com concentrações muito baixas de oxigênio, condições nas quais muitos outros peixes teriam dificuldade.
Fora da água, porém, isso não significa independência completa do ambiente aquático. Manter as superfícies respiratórias úmidas continua sendo importante. Em condições favoráveis, especialmente durante períodos chuvosos e sobre terrenos molhados, o animal pode suportar horas fora da água e, em situações muito úmidas, permanecer viável por períodos ainda maiores.
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Como o bagre-andador consegue atravessar pequenos trechos de terra?
Apesar do nome, ele não caminha com as nadadeiras como um animal de quatro patas. O deslocamento ocorre por uma combinação de flexões laterais do corpo, semelhantes às de uma serpente, e apoio das nadadeiras peitorais, que possuem elementos rígidos capazes de auxiliar o peixe a se impulsionar e manter alguma estabilidade sobre o terreno.
Esse movimento é desajeitado quando comparado à locomoção de um animal terrestre, mas pode ser suficiente para atravessar pequenas distâncias entre poças, canais e outros ambientes aquáticos. A movimentação costuma ser favorecida pelo solo molhado, pela chuva e pela elevada umidade.
- Flexiona o corpo lateralmente para produzir movimento.
- Usa as nadadeiras peitorais rígidas como pontos de apoio.
- Respira ar com uma estrutura especializada acima das brânquias.
- Prefere realizar deslocamentos terrestres em condições úmidas.
- Pode procurar novos corpos d’água quando o ambiente começa a secar.
Este vídeo mostra como o peixe se desloca em terra e explica suas principais adaptações.
Por que essa capacidade é útil na natureza?
O bagre-andador é nativo do Sudeste Asiático e está adaptado a habitats como pântanos, canais, valas, córregos, lagoas e águas rasas que podem apresentar pouco oxigênio. Algumas dessas áreas sofrem grandes mudanças sazonais e podem diminuir ou secar parcialmente durante determinados períodos.
Respirar ar e atravessar terra aumenta a possibilidade de escapar de um ambiente temporariamente desfavorável. Em vez de depender apenas da água disponível naquele ponto, o peixe pode procurar outro habitat próximo, especialmente depois de chuvas que deixam o solo úmido e tornam o deslocamento menos desgastante.
O peixe realmente consegue andar grandes distâncias em terra?
A expressão “peixe que anda” pode produzir uma imagem exagerada. O bagre não foi desenvolvido para percorrer longas distâncias terrestres como répteis ou mamíferos. Seu corpo continua fundamentalmente adaptado à vida aquática, e a locomoção fora da água é lenta, irregular e dependente das condições ambientais.
Também não existe um número único de horas que possa ser aplicado a qualquer situação. Temperatura, umidade, tamanho do animal e exposição ao sol influenciam a sobrevivência fora da água. Por isso, é mais correto afirmar que ele pode permanecer fora dela por horas, chegando a períodos maiores quando consegue conservar o corpo úmido.

Quais características tornam o bagre-andador tão diferente?
Além do sistema respiratório acessório, o corpo alongado contribui para os movimentos laterais realizados durante a passagem por terra. Exemplares encontrados na Flórida podem alcançar aproximadamente 50 centímetros de comprimento, embora muitos sejam menores. A espécie também tolera água turva, lodosa e com pouco oxigênio.
Essas características ajudaram o animal a colonizar ambientes fora de sua distribuição natural. Na Flórida, por exemplo, ele é considerado uma espécie não nativa e sua posse e transporte vivo estão sujeitos a restrições específicas.
| Característica | Função |
|---|---|
| Órgão respiratório acessório | Permite utilizar oxigênio atmosférico. |
| Nadadeiras peitorais rígidas | Auxiliam no apoio durante o deslocamento terrestre. |
| Corpo alongado | Permite movimentos sinuosos sobre o terreno. |
| Tolerância a pouco oxigênio | Favorece a sobrevivência em ambientes aquáticos extremos. |
Por que esse peixe chama a atenção dos cientistas?
O interesse vai além da curiosidade de observar um peixe fora da água. Estudos genômicos investigam como Clarias batrachus desenvolveu adaptações relacionadas à respiração atmosférica, metabolismo e sobrevivência em ambientes com pouco oxigênio. Isso faz da espécie um modelo útil para compreender a transição funcional entre ambientes aquáticos e terrestres.
O Florida Museum of Natural History descreve tanto o órgão respiratório especializado quanto o uso das nadadeiras peitorais e das flexões corporais durante a locomoção. O bagre-andador não deixou de ser um peixe aquático, mas desenvolveu recursos suficientes para superar temporariamente uma barreira que limita a maioria deles.
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