O pássaro que consegue dormir enquanto continua voando e pode permanecer semanas no ar sem precisar pousar em terra firme
Sensores cerebrais revelaram como fragatas conseguem obter breves períodos de sono enquanto continuam planando sobre o oceano
Sobre oceanos tropicais, a fragata-grande pode passar longos períodos sem encontrar um lugar onde possa pousar com segurança. Estudos com sensores cerebrais demonstraram que a fragata-grande consegue dormir enquanto continua voando, inclusive mantendo apenas um hemisfério cerebral adormecido em determinados momentos. A espécie Fregata minor pode permanecer dias ou semanas sobre o oceano, aproveitando correntes ascendentes para economizar energia.
Como a fragata-grande consegue permanecer tanto tempo no ar?
Fragatas possuem asas muito longas em relação ao peso corporal e são especialistas em planar. Em vez de depender continuamente do bater das asas, aproveitam correntes de ar ascendentes para ganhar altitude e depois deslizam por grandes distâncias. Essa estratégia reduz consideravelmente o gasto energético durante viagens oceânicas prolongadas.
A permanência no ar também está ligada a uma limitação incomum. Apesar de serem aves marinhas, fragatas não costumam repousar sobre a água. Suas penas apresentam impermeabilização reduzida e seus pés não são adequados para decolar facilmente da superfície do oceano depois de um pouso prolongado.
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Como a fragata-grande consegue dormir durante o voo?
Pesquisadores instalaram equipamentos capazes de registrar atividade cerebral em fragatas-grandes que voaram sobre o oceano por períodos de até dez dias. Os registros mostraram pela primeira vez diretamente que uma ave pode entrar em sono de ondas lentas enquanto permanece em voo.
Em alguns momentos, somente um hemisfério cerebral dormia enquanto o outro permanecia ativo. Em outros, ambos entravam brevemente em sono simultaneamente. O sono ocorria principalmente quando as aves circulavam em correntes ascendentes, situação em que precisavam executar menos manobras ativas.
- Um hemisfério cerebral pode dormir enquanto o outro permanece desperto.
- O olho ligado ao hemisfério acordado pode continuar acompanhando a direção do voo.
- Também foram registrados breves períodos de sono com os dois hemisférios.
- Grande parte do descanso ocorre enquanto a ave circula em correntes de ar ascendentes.
- O tempo total de sono durante o voo é muito menor do que em terra.
Este vídeo explica os experimentos com fragatas e como o sono pode acontecer durante o voo.
Quanto a fragata-grande realmente dorme enquanto está voando?
Surpreendentemente, muito pouco. Durante os voos monitorados, as aves dormiram em média apenas 0,69 hora por dia, cerca de 42 minutos. Isso correspondia a aproximadamente 7,4% do tempo que essas mesmas aves normalmente dedicavam ao sono quando estavam em terra.
O resultado contrariou a expectativa de que elas compensariam viagens prolongadas obtendo quantidades normais de sono no ar. O estudo publicado na Nature Communications mostrou justamente o contrário: as fragatas conseguem sustentar voos extensos dormindo muito menos e em episódios mais curtos.
Essas aves podem realmente passar semanas sem pousar?
Sim, mas é importante entender o significado dessa afirmação. Estudos e observações mostram que fragatas podem permanecer semanas ou até períodos maiores viajando sobre o oceano sem pousar na água. Isso não significa que cada indivíduo esteja continuamente batendo as asas ou que nunca retorne posteriormente a uma ilha para descansar e reproduzir.
Outro exemplo ainda mais extremo é o andorinhão-preto, Apus apus. Um estudo publicado em 2016 mostrou que alguns indivíduos permaneceram no ar durante praticamente todo o período não reprodutivo, chegando a dez meses e ficando em voo mais de 99% desse tempo. Porém, ao contrário das fragatas, o sono em pleno voo não foi diretamente registrado nesse estudo.

Que números revelam a capacidade de voo da fragata-grande?
Os experimentos que comprovaram o sono em voo acompanharam fragatas durante viagens de até dez dias com registros eletroencefalográficos. Durante esse período, elas dormiram menos de uma hora por dia em média, mesmo permanecendo praticamente continuamente no ar sobre o oceano.
Esses dados tornam a espécie especialmente importante porque separam duas capacidades diferentes: permanecer muito tempo no ar e realmente dormir durante esse período. Outras aves apresentam voos ainda mais longos, mas a fragata forneceu uma das primeiras comprovações fisiológicas diretas de sono em pleno voo.
| Característica | Registro |
|---|---|
| Espécie estudada | Fregata minor |
| Voo monitorado com EEG | Até 10 dias |
| Sono médio em voo | 0,69 hora por dia |
| Proporção do sono terrestre | Cerca de 7,4% |
Por que a fragata-grande mudou o que sabemos sobre o sono?
Antes desses experimentos, cientistas já suspeitavam que algumas aves dormissem em pleno voo, principalmente porque certas espécies permaneciam no ar por períodos difíceis de explicar sem qualquer descanso. Porém, faltava demonstrar diretamente o estado de sono por meio da atividade cerebral.
A fragata forneceu essa evidência e revelou algo ainda mais inesperado: uma ave pode manter viagens oceânicas prolongadas com uma quantidade extremamente reduzida de sono. A descoberta abriu novas questões sobre como seu cérebro preserva desempenho, orientação e capacidade de procurar alimento mesmo após vários dias dormindo apenas alguns minutos por vez.
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