O Parque Ibirapuera ainda guarda vestígios de um cemitério onde famílias enterravam animais de estimação décadas atrás
Antigo cemitério de cães e gatos funcionou até 1972 e deixou duas lápides históricas que ainda preservam homenagens a animais de estimação
O Cemitério Zoófilo do Ibirapuera funcionou durante décadas em uma área que hoje integra um dos parques mais conhecidos de São Paulo. Desativado em 1972, o espaço reunia centenas de sepulturas de cães e gatos, algumas ornamentadas com fotografias e esculturas. Duas antigas lápides ainda preservam a memória desse capítulo pouco conhecido da cidade.
Como surgiu o Cemitério Zoófilo do Ibirapuera antes da inauguração do parque?
A história começou com a União Internacional Protetora dos Animais (UIPA), fundada em 1895. A associação ocupou parte da região do Ibirapuera na década de 1920, quando o terreno ainda não apresentava a configuração urbana atual. Em 1929, inaugurou um complexo destinado ao atendimento, acolhimento e sepultamento de animais.
A instituição mantinha um hospital veterinário, canis, gatis e um cemitério conhecido como Cemitério Zoófilo. A área ocupada pelo conjunto tinha aproximadamente 13.200 metros quadrados. Famílias paulistanas passaram a utilizar o local para homenagear animais de estimação, em uma época na qual sepultamentos desse tipo eram pouco comuns no Brasil.
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O que existia no Cemitério Zoófilo do Ibirapuera quando ele funcionava?
Fotografias históricas mostram caminhos arborizados cercados por sepulturas de diferentes tamanhos. Algumas apresentavam pequenas esculturas, fotografias dos animais e inscrições dedicadas pelos proprietários. Outras possuíam monumentos elaborados, semelhantes aos encontrados em cemitérios destinados a pessoas.
Os registros preservados permitem identificar características marcantes do antigo espaço:
- Centenas de sepulturas destinadas principalmente a cães e gatos;
- Monumentos funerários com cruzes, esculturas e inscrições;
- Fotografias dos animais colocadas junto aos túmulos;
- Jardins e caminhos utilizados pelos visitantes;
- Hospital veterinário e abrigo administrados pela UIPA.
O Instituto São Paulo Antiga publicou, em novembro de 2022, um vídeo específico sobre o cemitério, apresentando fotografias históricas e procurando vestígios das antigas sepulturas dentro do parque.
Por que o antigo cemitério desapareceu depois da criação do Parque Ibirapuera?
O Parque Ibirapuera foi inaugurado em 1954, durante as comemorações do quarto centenário de São Paulo. Entretanto, a associação continuou funcionando em uma área incorporada ao complexo. Durante quase duas décadas, hospital, abrigo e cemitério coexistiram com as novas instalações públicas.
Essa situação terminou em 1972, durante a administração do prefeito José Carlos de Figueiredo Ferraz. A UIPA precisou desocupar o terreno e transferiu suas atividades para a região da Marginal Tietê. A maior parte das sepulturas foi removida ou destruída, enquanto documentos sobre os animais e suas famílias acabaram perdidos.
Como pesquisadores identificaram as lápides que sobreviveram no Parque Ibirapuera?
O pesquisador Douglas Nascimento, responsável pelo Instituto São Paulo Antiga, investigou fotografias, documentos e vestígios do antigo complexo. Seu levantamento histórico sobre o hospital e o cemitério de animais reúne imagens das instalações, monumentos funerários e informações sobre a transferência da associação.
A pesquisa identificou duas lápides preservadas nas proximidades da pista de corrida, entre os portões 4 e 5. Uma homenageia Pinguim, cachorro que viveu de 1937 a 1946. A outra pertence a Fiel, um pastor-alemão lembrado por uma grande cruz de pedra. Esses monumentos permaneceram mesmo após a transformação da área.

Quais números ajudam a reconstruir a história do Cemitério Zoófilo do Ibirapuera?
Pinguim nasceu em 5 de março de 1937 e morreu em 5 de junho de 1946. Sua lápide apresenta uma homenagem dos tutores Nina e Nice. Já o monumento de Fiel era considerado o maior do antigo cemitério, segundo fotografias e levantamentos históricos.
Outra escultura funerária, feita de bronze, foi transportada para a sede da UIPA. Em 2023, a administração do parque instalou uma placa informativa sobre o antigo cemitério. Os marcos históricos permitem compreender como o espaço mudou ao longo das décadas.
| Marco histórico | Registro |
|---|---|
| Fundação da UIPA | 1895 |
| Inauguração do complexo | 1929 |
| Área ocupada | 13.200 m² |
| Desativação do cemitério | 1972 |
| Lápides remanescentes | 2 monumentos documentados |
Por que preservar o Cemitério Zoófilo do Ibirapuera é importante para a memória de São Paulo?
A existência do cemitério demonstra que o vínculo afetivo entre pessoas e animais já motivava homenagens elaboradas no início do século XX. Também revela a atuação pioneira de instituições que ofereciam atendimento veterinário e acolhimento de animais abandonados, antes da expansão dos serviços especializados.
A documentação histórica não permite reconstruir a identidade de todos os animais sepultados. Ainda assim, as lápides de Pinguim e Fiel permanecem como testemunhos materiais dessa história. Entre árvores e caminhos movimentados, os monumentos recordam que a paisagem do Ibirapuera foi construída sobre diferentes usos, instituições e experiências da população paulistana.
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