O ônibus elétrico articulado que recebe uma carga de 600 kW em apenas 20 segundos enquanto os passageiros embarcam
O sistema usado em Genebra repõe energia em paradas selecionadas e permite que ônibus elétricos continuem circulando sem longas recargas
Em Genebra, um ônibus elétrico consegue aproveitar o tempo de uma parada comum para receber uma poderosa injeção de energia. A tecnologia TOSA flash charging conecta automaticamente o veículo a carregadores instalados em pontos selecionados, reduzindo a necessidade de transportar enormes baterias ou permanecer horas parado para recarregar.
Como o TOSA flash charging consegue aproveitar uma parada de poucos segundos?
O sistema foi desenvolvido para transformar determinados pontos de ônibus em locais de recarga de oportunidade. Quando o veículo para sob a estação apropriada, um dispositivo automatizado no teto estabelece a conexão elétrica e transfere energia para as baterias enquanto os passageiros entram e saem.
Em Genebra, os ônibus empregados nessa operação são articulados, e não biarticulados. A solução foi concebida justamente para linhas urbanas de alta capacidade, nas quais fazer o veículo permanecer muito tempo em um carregador convencional poderia prejudicar a frequência do transporte.
O TOSA flash charging realmente enche toda a bateria em 20 segundos?
Não. Esse é o principal exagero da descrição popular. A carga ultrarrápida de aproximadamente 15 a 20 segundos fornece apenas uma parte da energia necessária para continuar a viagem. Nos terminais, cargas mais prolongadas, de aproximadamente quatro a cinco minutos, podem elevar muito mais o nível da bateria.
O funcionamento combina diferentes etapas ao longo da linha.
- Carregadores rápidos ficam instalados apenas em paradas selecionadas.
- A potência da recarga rápida pode chegar a cerca de 600 kW.
- A conexão automática ocorre durante a parada comercial do ônibus.
- Novas cargas parciais compensam a energia consumida ao longo do trajeto.
- Cargas mais longas são realizadas nos terminais da linha.
O vídeo oficial da ABB mostra dois ônibus articulados equipados com a tecnologia entrando em operação em Genebra e registra o processo de conexão automática durante a parada. As imagens deixam claro como a recarga foi integrada ao serviço normal de passageiros, sem transformar cada ponto em uma longa espera.
Por que uma carga tão curta consegue fazer diferença para o ônibus?
A lógica não é levar uma bateria praticamente vazia a 100% em segundos. O veículo recebe pequenas doses de energia repetidamente ao longo de sua rota. Assim, em vez de depender exclusivamente de uma bateria enorme carregada antes da saída, o sistema repõe parte do consumo durante o próprio expediente.
Segundo a Hitachi Energy, atual responsável pela tecnologia Grid-eMotion Flash originada na ABB, a transferência de alta potência durante aproximadamente 20 segundos coincide com o período necessário para embarque e desembarque.
O TOSA flash charging usa supercapacitores para guardar toda essa energia?
A versão comercial de Genebra utiliza baterias a bordo, portanto é incorreto descrevê-la simplesmente como um ônibus movido por supercapacitores. A infraestrutura externa de carregamento foi projetada para entregar enormes picos de potência sem exigir que toda essa carga seja retirada instantaneamente da rede elétrica local.
Essa arquitetura também reduz a quantidade de energia que precisa ficar permanentemente armazenada no veículo. O resultado é uma estratégia diferente daquela dos ônibus que carregam durante várias horas na garagem e depois tentam completar toda a jornada apenas com a energia acumulada inicialmente.
Como o braço no teto consegue conectar 600 kW com segurança?
O sistema utiliza uma conexão automática superior que se alinha ao carregador instalado sobre a parada. Esse acoplamento foi projetado para acontecer rapidamente, evitando que o motorista precise sair do veículo ou conectar cabos manualmente a cada recarga.
A potência de 600 kW é enorme para um carregador urbano, mas permanece aplicada por pouquíssimo tempo. Sistemas de eletrônica de potência, comunicação e controle verificam as condições antes da transferência, permitindo que a operação aconteça repetidamente durante a rotina diária da linha.

Por que essa tecnologia não foi colocada em todos os pontos da cidade?
Instalar carregadores de centenas de quilowatts em cada parada seria caro e desnecessário. A arquitetura TOSA seleciona pontos estratégicos onde a reposição energética traz maior benefício, enquanto outras paradas funcionam normalmente sem qualquer equipamento de recarga.
Essa é a verdadeira inovação por trás dos famosos “20 segundos”. O ônibus não realiza uma carga completa no tempo em que passageiros sobem. Ele recebe várias recargas rápidas e calculadas durante o percurso, transformando minutos que seriam perdidos em longas sessões de carregamento em pequenas oportunidades distribuídas pela própria linha.
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