O ônibus de 18 metros e dois andares que levava até 144 pessoas e dobrava o próprio corpo nas curvas
Com quatro eixos, articulação central e espaço interno de 90 metros quadrados, o gigante alemão teve apenas 11 unidades produzidas
Visto de longe, ele parecia menos um veículo e mais um pequeno edifício avançando pela rodovia. Janelas ocupavam dois pavimentos, a carroceria parecia interminável e uma divisão flexível cortava o centro. Era justamente naquele ponto que o gigante realizava o movimento necessário para não transformar cada curva em um obstáculo impossível.
Por que o Neoplan Jumbocruiser foi criado tão grande?
Na década de 1970, as viagens internacionais de ônibus estavam em expansão na Europa. Operadoras procuravam veículos capazes de transportar grandes grupos por longas distâncias, oferecendo mais conforto do que os ônibus convencionais. A Neoplan já havia chamado atenção com o Skyliner, um modelo de dois andares, mas decidiu levar a capacidade a um nível ainda mais extremo.
Apresentado em 1975, o novo projeto combinava duas soluções que normalmente apareciam separadas: a carroceria articulada dos ônibus urbanos e os dois pavimentos dos veículos turísticos. O nome Jumbocruiser fazia referência à imagem dos grandes aviões de passageiros, especialmente ao Boeing 747, que também havia transformado o tamanho em seu principal argumento visual.
Qual era o tamanho do Neoplan Jumbocruiser?
O modelo media 18 metros de comprimento, 2,5 metros de largura e 4 metros de altura, ocupando praticamente os limites permitidos para veículos rodoviários alemães naquele período. Seu peso total podia chegar a 28 toneladas, distribuídas por quatro eixos e por uma carroceria formada por duas grandes seções.
- Comprimento: 18 metros
- Altura: 4 metros
- Largura: 2,5 metros
- Peso total: Aproximadamente 28 toneladas
- Área interna útil: Cerca de 90 metros quadrados
- Capacidade teórica: Até 144 passageiros
- Unidades produzidas: Apenas 11
O vídeo acompanha a história do Neoplan Jumbocruiser e reúne imagens do ônibus em movimento, mostrando a dimensão dos dois pavimentos e o funcionamento da articulação central. As cenas ajudam a visualizar como um veículo com proporções próximas às de uma construção conseguia circular por rodovias, contornar curvas e transportar mais de 100 passageiros:
Embora algumas descrições posteriores tenham atribuído capacidades maiores ao modelo, registros técnicos e exemplares preservados apontam para um máximo teórico de 144 lugares. Na prática, quase todos foram entregues com menos assentos, pois parte do espaço era ocupada por cozinha, bar, mesas, banheiro e áreas de bagagem. Um dos veículos preservados atualmente possui 101 lugares distribuídos pelos aproximadamente 90 metros quadrados internos.
Como um ônibus de dois andares conseguia dobrar o próprio corpo?
A articulação funcionava como uma grande junta entre a parte dianteira e o módulo traseiro. Quando o motorista iniciava uma curva, a primeira seção mudava de direção e o restante acompanhava o movimento em outro ângulo. Sem essa divisão, uma carroceria rígida de 18 metros exigiria muito mais espaço lateral e teria maior dificuldade para permanecer dentro da faixa. O Jumbocruiser ainda precisava de um círculo de giro de aproximadamente 24 metros.
O mecanismo criava um desafio incomum: a ligação entre as duas partes não podia ocupar os dois andares da mesma maneira. Nos dez primeiros veículos, o motor e componentes mecânicos ficavam próximos da articulação, bloqueando a passagem no piso inferior. Por isso, os passageiros conseguiam atravessar de uma seção para a outra principalmente pelo andar superior. O décimo primeiro exemplar recebeu uma configuração diferente, com o motor na parte traseira.
O que existia dentro desse edifício sobre rodas?
O Jumbocruiser não foi concebido apenas para colocar o maior número possível de bancos dentro de uma carroceria. As empresas podiam solicitar configurações voltadas a longas viagens, com assentos reclináveis, mesas, cozinha, banheiro, bar e espaços de convivência. Algumas unidades transportavam pouco mais de 80 passageiros para oferecer uma experiência mais confortável.
Essa possibilidade de personalização fez cada exemplar assumir uma história diferente. Alguns trabalharam em rotas turísticas internacionais, enquanto outros foram transformados em veículos de excursão, casas sobre rodas ou ônibus para turnês musicais. Uma das unidades chegou a receber 28 camas e foi utilizada pela banda The Kelly Family antes de ser preservada.
Por que apenas 11 unidades do Neoplan Jumbocruiser foram construídas?
O tamanho que tornava o ônibus impressionante também criava dificuldades comerciais. O preço de um Jumbocruiser em 1977 era de aproximadamente 1,1 milhão de marcos alemães, enquanto um Skyliner de dois andares custava perto de 460 mil. Isso significava que o modelo articulado podia custar mais de duas vezes o valor de uma alternativa já capaz de transportar muitos passageiros.
As operadoras também precisavam lidar com consumo elevado, manutenção complexa e limitações de circulação. Alguns países impunham restrições ou exigiam autorizações especiais para ônibus articulados de turismo. Ao mesmo tempo, a procura por viagens rodoviárias de longa distância perdeu força diante dos voos mais acessíveis. Somando esses fatores, a produção ficou restrita a onze exemplares fabricados entre 1975 e o início da década de 1990.

O que aconteceu com os raros ônibus que sobreviveram?
Como foram construídos em pequena quantidade, os Jumbocruisers restantes tornaram-se peças históricas. Vários deixaram de transportar passageiros regularmente e passaram por reformas profundas. Existem unidades convertidas em motorhome, ônibus de eventos, veículo para bandas e atração de museu. Um exemplar restaurado na Alemanha voltou a apresentar a aparência de quando foi entregue na década de 1970.
O modelo permanece lembrado porque reuniu duas ideias extremas em uma única carroceria. Ele cresceu para cima, ganhou um segundo pavimento, estendeu-se por 18 metros e precisou receber uma articulação para continuar utilizável nas estradas. O resultado foi um ônibus que não apenas fazia curvas: ele parecia dobrar um edifício inteiro ao meio para conseguir mudar de direção.
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