O ônibus articulado gigante de 30 metros de extensão que roda sem motorista e utiliza trilhos virtuais pintados no chão
O veículo elétrico criado pela CRRC transporta até 300 passageiros e usa sensores para acompanhar uma rota virtual sem trilhos de aço
O ônibus sem trilhos desenvolvido na China combina o tamanho e a aparência de um trem urbano com a flexibilidade de um veículo rodoviário. Com três módulos articulados, pneus de borracha e sensores capazes de seguir uma rota marcada no asfalto, o ART promete transportar centenas de passageiros sem exigir a instalação dos tradicionais trilhos de aço.
Como o ônibus sem trilhos consegue seguir uma rota pintada no asfalto?
O sistema recebe o nome de ART, sigla em inglês para Transporte Rápido sobre Trilhos Autônomos. A fabricante chinesa CRRC apresentou a tecnologia em 2017 como uma alternativa intermediária entre ônibus articulados, bondes modernos e trens urbanos de capacidade média.
Câmeras e sensores ópticos identificam as marcações que representam o chamado trilho virtual. Ao mesmo tempo, radares, sistemas de navegação e computadores analisam a posição do veículo em relação à faixa programada. Assim, os vários eixos ajustam automaticamente a direção para manter todos os módulos alinhados durante o percurso.
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Quais são os 4 números mais impressionantes desse veículo?
A versão inicial com três módulos mede pouco mais de 30 metros e oferece uma capacidade muito superior à de um ônibus urbano convencional. Sua configuração pode mudar conforme a demanda, pois a fabricante também desenvolveu composições maiores para corredores mais movimentados.
- Cerca de 30 metros de comprimento
- Capacidade para até 300 passageiros
- Velocidade máxima próxima de 70 km/h
- Autonomia aproximada de 40 quilômetros
O vídeo “ART 2.0: Pioneering Autonomous-Rail Transit Unveiled at InnoTrans 2024”, publicado pela própria CRRC, apresenta uma geração mais recente do sistema durante uma das maiores feiras ferroviárias do mundo. As imagens mostram o interior, as articulações, o piso baixo e a ausência de trilhos metálicos. Além disso, o conteúdo explica como a plataforma foi atualizada para oferecer diferentes configurações e maior automação no transporte urbano.
O ônibus sem trilhos realmente circula sem motorista?
A expressão “sem motorista” exige cuidado. O ART utiliza direção guiada automaticamente e consegue acompanhar o traçado virtual com pouca intervenção humana em trechos preparados. No entanto, as primeiras versões possuem cabine, volante e controles que permitem ao condutor assumir a direção diante de desvios, obstáculos ou situações inesperadas.
Portanto, o sistema não funciona necessariamente como um veículo totalmente autônomo em qualquer rua. O nível de automação depende da versão, da infraestrutura instalada e das regras locais. Em muitas operações, um profissional permanece na cabine para acompanhar o percurso e responder a emergências, mesmo quando o computador controla grande parte da direção.
Por que os trilhos virtuais custam menos que os trilhos de ferro?
Uma linha convencional de bonde ou veículo leve sobre trilhos exige escavações, bases estruturais, trilhos de aço, sistemas de mudança de via e intervenções em redes subterrâneas. Essas obras podem bloquear avenidas durante meses e elevar significativamente o custo de implantação.
| Característica | ART | Sistema ferroviário tradicional |
|---|---|---|
| Contato com o solo | Pneus de borracha | Rodas e trilhos de aço |
| Orientação | Sensores e rota virtual | Trilho físico fixo |
| Mudança de rota | Pode ser reprogramada | Exige novas obras ferroviárias |
| Implantação | Corredor pavimentado e estações | Via permanente especializada |
O ART aproveita corredores pavimentados e troca o trilho físico por uma referência digital ou visual. No entanto, isso não significa que qualquer rua possa recebê-lo imediatamente. O peso concentrado e a passagem repetitiva das rodas exigem pavimento resistente, estações adequadas, pontos de recarga e, preferencialmente, faixas exclusivas.
Como o ônibus sem trilhos transporta 300 passageiros sem sair da faixa?
Cada conjunto de rodas pode esterçar de maneira coordenada, impedindo que os módulos traseiros cortem curvas ou invadam outras faixas. Esse recurso faz com que a parte final da composição acompanhe quase exatamente o caminho realizado pela dianteira, algo essencial para um veículo que ultrapassa 30 metros.
Sistemas de alerta também acompanham a proximidade de outros veículos e identificam desvios da rota. Mesmo assim, a segurança depende de manutenção, boa sinalização e separação adequada do trânsito comum. Carros estacionados irregularmente, pedestres e cruzamentos movimentados continuam representando desafios que um trilho convencional evita ao manter o trem preso a uma via própria.

De onde vem a energia usada pelo veículo gigante?
A primeira geração utiliza baterias de titanato de lítio, escolhidas por aceitarem recargas rápidas e suportarem grande quantidade de ciclos. A composição pode recuperar parte da energia durante as frenagens e receber novas cargas em terminais ou estações equipadas com coletores elétricos.
O fabricante informa que pequenas recargas podem sustentar deslocamentos entre estações, enquanto uma carga mais longa amplia a autonomia. Como o veículo não depende de uma rede aérea contínua, as cidades podem reduzir a quantidade de cabos sobre as avenidas. Por outro lado, precisam planejar a demanda elétrica e evitar que os períodos de recarga interrompam a operação.
O ART pode realmente substituir bondes e metrôs?
O sistema pode atender corredores que precisam de mais capacidade que os ônibus convencionais, mas ainda não justificam o custo de um metrô. A CRRC apresenta oficialmente o ART como uma solução de investimento relativamente baixo, implantação rápida e operação flexível para o transporte urbano.
No entanto, pneus geram desgaste no pavimento e maior resistência ao rolamento que rodas de aço. Além disso, um metrô transporta muito mais passageiros e não disputa espaço com cruzamentos rodoviários. Portanto, o ônibus gigante não substitui todas as ferrovias, mas oferece uma alternativa para cidades que buscam ampliar a capacidade sem abrir longas obras de trilhos.
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