O novo fenômeno luminoso descoberto nos céus que parece uma aurora boreal e atravessa a noite como uma fita roxa
A faixa violeta da alta atmosfera está ligada a um fluxo extremamente quente e veloz que segue intrigando pesquisadores
Uma estreita faixa violeta pode surgir de repente no céu, atravessar centenas ou milhares de quilômetros e desaparecer menos de uma hora depois. O fenômeno STEVE parece uma aurora boreal, mas medições por satélite mostraram que sua física é diferente e envolve um fluxo extremamente quente e veloz na alta atmosfera.
Por que o fenômeno STEVE foi confundido durante tanto tempo com uma aurora?
STEVE costuma aparecer próximo de regiões onde auroras também estão presentes, mas forma uma estrutura muito mais estreita, normalmente alinhada de leste a oeste e com tonalidade predominantemente roxa. Ele também pode surgir em latitudes mais próximas do equador do que as auroras tradicionais.
O fenômeno ganhou atenção científica moderna graças a fotógrafos e observadores amadores do Canadá que registravam auroras. Entre 2015 e 2016, dezenas de observações chegaram ao projeto Aurorasaurus, permitindo que cientistas comparassem fotografias feitas do solo com medições de satélites.
Como o fenômeno STEVE se transforma em uma fita roxa no céu?
A grande virada aconteceu quando um satélite da missão Swarm, da Agência Espacial Europeia, passou pela região durante uma observação. Os instrumentos registraram uma faixa estreita de gás ionizado com temperaturas muito elevadas e movimentação extraordinariamente rápida.
Os dados revelaram características que ajudam a explicar por que STEVE é tão diferente.
- A faixa observada tinha cerca de 25 quilômetros de largura.
- O fluxo avançava para oeste a aproximadamente 6 quilômetros por segundo.
- Isso corresponde a cerca de 21.600 quilômetros por hora.
- A temperatura local apresentou aumento de aproximadamente 3.000 °C.
- O fenômeno ocorre em regiões subaurorais da alta atmosfera.
O vídeo oficial “The Aurora Named STEVE”, produzido pelo NASA Goddard Space Flight Center, reúne imagens feitas por observadores e explica como fotografias do solo e dados de satélite permitiram identificar o fenômeno. A animação também mostra por que ele não deve ser tratado simplesmente como outra aurora boreal.
Por que essa faixa quente não é considerada uma aurora comum?
Auroras tradicionais surgem principalmente quando partículas energéticas são direcionadas pelo campo magnético terrestre e colidem com átomos e moléculas da alta atmosfera, fazendo-os emitir luz. A explicação para STEVE envolve condições diferentes na região subauroral e não corresponde ao mesmo processo típico de precipitação de partículas.
Estudos posteriores associaram STEVE a fortes fluxos de íons e elétrons aquecidos e a campos elétricos intensos. Por isso, descrevê-lo apenas como “aurora roxa” esconde justamente aquilo que tornou o fenômeno cientificamente interessante.
O fenômeno STEVE realmente viaja a mais de 20 mil km/h?
Sim, mas esse número precisa ser interpretado corretamente. A medição de aproximadamente 6 km/s se refere ao rápido fluxo de plasma associado ao fenômeno, e não a uma faixa luminosa inteira viajando fisicamente pelo céu como se fosse um objeto sólido.
O fluxo observado era centenas de vezes mais rápido que o movimento registrado nas regiões imediatamente ao lado. Essa diferença extrema ajudou os pesquisadores a relacionar STEVE a um fenômeno conhecido como deriva iônica subauroral, ou SAID.
Quem realmente descobriu essa estranha luz violeta?
É mais correto falar em identificação científica moderna do que em descoberta absoluta. Registros históricos semelhantes podem existir há muitas décadas, mas foram os observadores amadores contemporâneos que chamaram atenção para o padrão e forneceram dados decisivos aos pesquisadores.
O nome surgiu primeiro como “Steve”, dado informalmente pelo grupo Alberta Aurora Chasers. Depois, os cientistas preservaram a brincadeira criando o acrônimo Strong Thermal Emission Velocity Enhancement, que passou a ser usado oficialmente nas pesquisas.

O que ainda falta entender sobre essa misteriosa faixa roxa?
Os pesquisadores já avançaram bastante na identificação dos fluxos de partículas, campos elétricos e processos magnetosféricos relacionados ao fenômeno. Ainda assim, detalhes sobre como exatamente a emissão violeta é produzida e por que determinadas estruturas verdes aparecem junto dela continuam sendo investigados.
A própria NASA destaca como observações de cidadãos foram essenciais para transformar uma curiosidade visual em objeto de pesquisa. STEVE mostra que mesmo um céu observado há séculos ainda pode esconder fenômenos cuja física só começa a ser compreendida.
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