O navio que carrega cabos submarinos e possui uma bobina gigante de 10 mil toneladas que estende a internet no fundo do oceano
Embarcações especializadas carregam quilômetros de cabos em enormes estruturas circulares e controlam sua instalação com precisão no fundo do mar
Quase toda vez que uma nova conexão cruza um oceano, existe uma operação marítima de precisão acontecendo longe da costa. Os navios lançadores de cabos transportam quilômetros de linhas enroladas em enormes estruturas circulares e controlam metro a metro a descida até o leito marinho. Há, porém, uma diferença importante: o gigantesco Leonardo da Vinci, que possui um carrossel de 10.000 toneladas, foi desenvolvido principalmente para cabos submarinos de energia, enquanto navios especializados em telecomunicações realizam trabalho semelhante com as fibras ópticas que carregam a internet global.
Como os navios lançadores de cabos conseguem levar milhares de quilômetros de linha pelo oceano?
O cabo não fica simplesmente enrolado em uma pequena bobina como aquelas utilizadas em instalações domésticas. Dependendo da embarcação, ele é armazenado em enormes tanques ou carrosséis circulares, de onde sai de maneira controlada durante a instalação. O Leonardo da Vinci, da Prysmian, mede cerca de 171 metros e possui dois carrosséis com capacidades de 7.000 e 10.000 toneladas, além de duas linhas independentes de lançamento.
Cada metro precisa sair na velocidade correta enquanto o navio avança. Se houver tensão excessiva, o cabo pode sofrer esforços perigosos; se houver folga demais, ele pode formar curvas inadequadas no fundo. Por isso, cabrestantes, roldanas, sensores e sistemas automáticos trabalham juntos enquanto o posicionamento dinâmico mantém a embarcação seguindo com precisão a rota planejada.
O que existe dentro da bobina gigante de 10 mil toneladas?
No caso do Leonardo da Vinci, o famoso número de 10.000 toneladas corresponde à capacidade do maior de seus dois carrosséis de cabos, e não ao peso de uma única bobina metálica. A embarcação ainda possui outro carrossel para 7.000 toneladas. Segundo a fabricante, essa capacidade permite carregar mais cabo em uma mesma viagem e reduzir retornos entre a fábrica e o local de instalação.
A escala da embarcação impressiona:
- Aproximadamente 171 metros de comprimento.
- Cerca de 34 metros de largura.
- Um carrossel com capacidade de 10.000 toneladas.
- Outro carrossel com capacidade de 7.000 toneladas.
- Duas linhas independentes de lançamento.
- Capacidade de instalar determinados cabos em águas com até 3.000 metros de profundidade.
O vídeo “Presenting Leonardo da Vinci”, disponibilizado pela própria Prysmian, apresenta o gigantesco navio lançador e permite visualizar seus carrosséis, equipamentos de manuseio e a escala necessária para transportar cabos submarinos de milhares de toneladas. O conteúdo complementa a pauta ao mostrar por dentro a embarcação que levou essa capacidade de armazenamento a um novo patamar.
Como os navios lançadores de cabos impedem que a linha se parta durante a descida?
Imagine um cabo deixando lentamente a popa enquanto quilômetros de água existem entre o navio e o fundo. O peso suspenso cria tensão, e correntes marítimas podem deslocar a linha lateralmente. O trajeto precisa ser calculado levando em conta profundidade, velocidade da embarcação, relevo submarino e propriedades mecânicas do próprio cabo.
Por isso, o lançamento não consiste simplesmente em “jogá-lo” ao mar. Equipamentos controlam a força aplicada enquanto sistemas de posicionamento mantêm o navio sobre a rota. No Leonardo da Vinci, o sistema DP3 oferece redundância para o posicionamento dinâmico, enquanto equipamentos de lançamento foram desenvolvidos para operações complexas em águas profundas.
Por que nem todo cabo da internet fica enterrado quilômetros abaixo do oceano?
Essa é uma das correções mais importantes da imagem popular. Em águas muito profundas, onde há pouca atividade humana, cabos ópticos podem simplesmente repousar sobre o leito oceânico. A necessidade de enterramento cresce principalmente em regiões mais rasas, onde âncoras, equipamentos de pesca e outras atividades oferecem risco maior de danos.
A recomendação técnica da União Internacional de Telecomunicações para sistemas ópticos submarinos descreve tanto arados quanto veículos operados remotamente como equipamentos utilizados na instalação e manutenção. O arado pode ser rebocado pelo navio enquanto deposita e enterra o cabo, enquanto ROVs também podem realizar inspeção, reparo e enterramento.
| Etapa | Equipamento | Função |
|---|---|---|
| Transporte | Tanques ou carrosséis | Armazenam quilômetros de cabo |
| Lançamento | Cabrestantes e roldanas | Controlam a tensão da linha |
| Enterramento | Arado submarino | Abre o leito e posiciona o cabo |
| Inspeção e reparo | ROV | Localiza, observa e manipula o cabo |
Como os navios lançadores de cabos conseguem enterrar uma linha sem esmagar a fibra óptica?
Um arado submarino pode ser rebocado pelo navio e abrir uma passagem no sedimento enquanto o cabo é conduzido cuidadosamente para dentro. Alguns sistemas utilizam jatos de água para fluidizar o solo, reduzindo a resistência e permitindo que a linha desça sem sofrer forças incompatíveis com sua construção. A ITU registra exemplos de arados capazes de instalar e enterrar cabos ópticos durante a mesma operação.
ROVs entram em ação quando a geometria do fundo, reparos ou outras condições tornam a operação convencional menos adequada. Esses veículos são controlados a partir do navio e podem localizar uma linha, acompanhar sua posição e ajudar no enterramento. Portanto, a imagem de um único “robô arando o oceano” não vale para toda a rota: técnica, profundidade e equipamento mudam conforme cada trecho.

O Leonardo da Vinci realmente está colocando a internet no fundo do oceano?
Aqui existe uma mistura de duas tecnologias que visualmente parecem quase iguais. O Leonardo da Vinci é realmente um dos navios lançadores mais impressionantes do mundo, mas a Prysmian o destaca principalmente como embarcação para cabos submarinos de potência, inclusive interligações elétricas e projetos offshore. Sua primeira grande missão foi relacionada ao Viking Link, conexão elétrica submarina entre Reino Unido e Dinamarca.
Já a internet intercontinental viaja por cabos submarinos de fibra óptica instalados por embarcações especializadas que utilizam muitos dos mesmos princípios: armazenamento circular, rotas previamente mapeadas, controle de tensão, posicionamento preciso, arados e veículos submarinos. Assim, a imagem central da pauta é verdadeira, mas reúne dois mundos diferentes. O enorme carrossel de 10.000 toneladas mostra até onde chegou a engenharia dos navios de cabos; e os navios de telecomunicações aplicam uma lógica semelhante para instalar a infraestrutura invisível que mantém continentes conectados.
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