O navio mais longo que o Empire State Building que precisava de quase 9 quilômetros para conseguir parar
Com 458 metros e deslocamento carregado de aproximadamente 657 mil toneladas, o petroleiro não conseguia atravessar alguns dos canais mais famosos do mundo
Quando surgia no horizonte, o petroleiro parecia uma faixa de aço incapaz de terminar. A distância entre a proa e a popa ultrapassava quatro campos de futebol, enquanto o casco carregado afundava quase 25 metros na água. Com centenas de milhares de toneladas em movimento, mudar de direção ou interromper a viagem exigia espaço, planejamento e uma lentidão incompatível com qualquer decisão repentina.
Como o Seawise Giant se tornou o navio mais longo da história?
O petroleiro foi construído no Japão pela Sumitomo Heavy Industries e concluído originalmente em 1979. O primeiro proprietário recusou a embarcação depois que problemas de vibração apareceram nos testes marítimos. Posteriormente, o empresário de navegação C. Y. Tung adquiriu o casco e ordenou uma grande ampliação, acrescentando uma seção central e aumentando significativamente sua capacidade.
Depois da transformação, o Seawise Giant alcançou 458,45 metros de comprimento e 68,6 metros de largura. A ampliação criou um navio classificado como ULCC, sigla usada para os maiores transportadores de petróleo bruto. Nenhuma embarcação autopropulsada construída anteriormente havia reunido comprimento, capacidade de carga e deslocamento em uma escala comparável.
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Quanto petróleo o Seawise Giant conseguia transportar?
A capacidade máxima chegava a aproximadamente 4,1 milhões de barris de petróleo bruto, distribuídos por dezenas de tanques internos. Esse volume correspondia a cerca de 650 milhões de litros. Quando completamente carregado, o casco descia profundamente na água e atingia um calado de aproximadamente 24,6 metros.
- Comprimento total: 458,45 metros
- Largura máxima: 68,6 metros
- Capacidade: Cerca de 4,1 milhões de barris
- Porte bruto: 564.763 toneladas
- Deslocamento carregado: Aproximadamente 657 mil toneladas
- Velocidade máxima: Cerca de 16,5 nós
- Potência do motor: Aproximadamente 50 mil cavalos
- Número de tanques: 46 compartimentos de carga
O vídeo “Biggest Ship Ever – Jahre Viking”, publicado pelo canal Marine Insight, apresenta as dimensões do petroleiro, seus diferentes nomes e a história da embarcação que permaneceu por décadas como referência máxima entre os navios gigantes.
Por que esse petroleiro não conseguia atravessar canais famosos?
O tamanho não criava problemas apenas para encontrar portos suficientemente profundos. Totalmente carregado, o navio não podia atravessar o Canal de Suez nem o Canal do Panamá. As limitações envolviam largura, comprimento e, principalmente, calado, pois o fundo do casco ficava muito abaixo da superfície.
O petroleiro também era grande demais para operar com segurança em algumas passagens e canais de navegação movimentados. Por isso, suas rotas precisavam permanecer em mares abertos e terminais petrolíferos preparados para receber embarcações de enorme porte. O navio não podia simplesmente entrar em qualquer porto para carregar combustível, fazer manutenção ou descarregar o petróleo.
Como 657 mil toneladas alteravam cada movimento do navio?
A força necessária para colocar o petroleiro em movimento produzia um problema equivalente no momento de pará-lo. Mesmo com o motor reduzido ou funcionando em marcha reversa, a água continuava recebendo o impulso de um casco carregado com centenas de milhares de toneladas. Relatos técnicos e descrições da embarcação associam sua parada completa a uma distância próxima de nove quilômetros em determinadas condições de velocidade e carga.
Maior que a altura arquitetônica do Empire State Building, de aproximadamente 381 metros
Carga distribuída em dezenas de compartimentos para controlar peso e estabilidade
Profundidade que limitava a entrada em canais, estreitos e terminais convencionais
Estimativa dependente da velocidade, da carga, do mar e do uso do motor em reversão
O leme também precisava vencer a resistência criada por toda a extensão do casco. Uma ordem dada na ponte de comando não produzia uma mudança imediata de trajetória. As manobras eram iniciadas com antecedência, e rebocadores auxiliavam o navio nas aproximações a terminais, onde não havia espaço suficiente para correções amplas.
Por que o Seawise Giant foi atingido durante uma guerra?
Em maio de 1988, durante a Guerra Irã-Iraque, o petroleiro estava ancorado perto da ilha de Larak, no Golfo Pérsico, quando foi atingido em um ataque aéreo iraquiano. O impacto iniciou um grande incêndio e danificou severamente a embarcação, que transportava petróleo iraniano. O casco permaneceu queimado e foi considerado economicamente perdido.
Após o fim do conflito, investidores adquiriram o navio danificado e decidiram recuperá-lo. Ele foi levado para Singapura, passou por extensos reparos e retornou ao serviço com o nome Happy Giant. Pouco depois, tornou-se Jahre Viking, nome pelo qual também ficou amplamente conhecido durante sua longa carreira como petroleiro.

Como terminou a história do maior petroleiro já construído?
Em 2004, a embarcação foi convertida em uma unidade flutuante de armazenamento e passou a operar permanentemente ancorada no campo petrolífero de Al Shaheen, no Catar. Nessa fase, recebeu o nome Knock Nevis. Sem precisar navegar continuamente entre portos, seu tamanho extremo deixou de representar a mesma limitação operacional.
No fim de sua vida, foi renomeada Mont e enviada para desmontagem na Índia, onde chegou em dezembro de 2009. O casco foi desmanchado durante 2010, mas seu recorde permaneceu. O Guinness World Records registra seus 458,45 metros como o maior comprimento já alcançado por um navio. Uma das âncoras, pesando dezenas de toneladas, foi preservada como lembrança da embarcação que precisava de quilômetros de oceano para interromper completamente seu avanço.
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