O navio de passageiros mais rápido do mundo usa turbinas de avião e chega a incríveis 107 km/h sobre a água
O catamarã de 99 metros transporta cerca de mil pessoas e 150 carros entre Argentina e Uruguai com uma propulsão fora do comum
No Rio da Prata, entre Buenos Aires e Montevidéu, uma embarcação de quase 100 metros consegue avançar em uma velocidade normalmente associada a carros em rodovias. Mesmo carregando passageiros, automóveis, lojas e áreas de alimentação, ela cruza a água com uma rapidez difícil de imaginar para um navio desse porte.
Como uma embarcação tão grande consegue alcançar a velocidade de um carro?
Navios tradicionais empurram grandes volumes de água com cascos profundos e pesados. Quanto maior a velocidade, mais resistência precisam vencer. Nesse caso, a solução começou pelo formato de catamarã: dois cascos estreitos, separados por uma ampla estrutura de alumínio, sustentam o convés e reduzem a área que permanece em contato direto com a água.
O peso também foi controlado desde a construção. Em vez de utilizar uma estrutura convencional de aço, o estaleiro australiano Incat produziu grande parte da embarcação em alumínio naval. O material diminui a massa total e facilita a aceleração, mas exige um projeto cuidadoso para resistir às vibrações, às ondas e aos esforços provocados por viagens frequentes.
Por que o navio Francisco chega aos impressionantes 107 km por hora?
O protagonista dessa história é o HSC Francisco, um ferry de alta velocidade operado pela Buquebus. Durante testes, ele atingiu 58,1 nós, equivalentes a aproximadamente 107 km/h. A marca rendeu à embarcação o reconhecimento como o ferry mais rápido do mundo, embora a velocidade utilizada nas viagens regulares possa ser menor devido ao clima, à carga e às regras de navegação.
- Possui 99 metros de comprimento
- Transporta cerca de mil passageiros
- Tem espaço para até 150 automóveis
- Usa duas turbinas a gás de alta potência
- Avança com jatos de água em vez de hélices comuns
- Opera na ligação entre Argentina e Uruguai
Para complementar o tema, o vídeo abaixo apresenta imagens oficiais do catamarã Francisco durante sua construção e navegação, ajudando a visualizar o formato dos cascos, a escala da embarcação e sua movimentação em alta velocidade:
O Francisco não “voa” literalmente nem sai completamente da água. Conforme acelera, seus cascos geram sustentação hidrodinâmica e reduzem parte da resistência, dando a impressão de que a embarcação desliza sobre a superfície. Ainda existe contato com a água, e o comportamento depende diretamente da altura das ondas, do vento e da distribuição da carga.
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O que motores de avião fazem dentro de um ferry de passageiros?
No centro do sistema de propulsão estão duas turbinas General Electric LM2500, pertencentes a uma família de motores desenvolvida a partir de tecnologia aeronáutica. Em vez de movimentar rodas ou uma hélice diretamente, cada turbina gera potência para acionar um enorme sistema de jato d’água instalado na parte traseira da embarcação.
A água entra por aberturas sob os cascos, passa pelo equipamento e é expelida pela popa em alta velocidade. A reação empurra o ferry para a frente, seguindo o mesmo princípio físico que movimenta outros veículos por jato. Os bocais também podem mudar de direção, permitindo controlar curvas, frenagem e manobras sem depender de lemes convencionais de grandes dimensões.
Quais números explicam a força do navio Francisco?
Cada uma das turbinas pode entregar dezenas de milhares de cavalos de potência. Trabalhando em conjunto, elas alimentam dois waterjets Wärtsilä de grande porte. Essa combinação foi escolhida para mover uma embarcação larga e carregada sem as limitações que hélices tradicionais poderiam apresentar em velocidades tão elevadas.
| Característica | Valor aproximado | O que representa |
|---|---|---|
| Velocidade máxima registrada | 58,1 nós ou 107 km/h | Marca obtida em condições de teste |
| Comprimento | 99 metros | Dimensão total entre proa e popa |
| Largura | 26,48 metros | Espaço ocupado pelos dois cascos |
| Capacidade | 1.024 passageiros e 150 carros | Carga máxima divulgada para o serviço |
| Propulsão | Duas turbinas e dois waterjets | Sistema que acelera e direciona a água |
O recorde é reconhecido pelo Guinness World Records, que registra os 58,1 nós alcançados pela embarcação. A marca não significa que nenhum barco menor seja capaz de correr mais. Ela se aplica à categoria de ferry, formada por navios comerciais preparados para transportar regularmente pessoas e veículos entre portos.
O gás natural realmente torna essa embarcação menos poluente?
O Francisco foi projetado para operar com gás natural liquefeito, conhecido pela sigla GNL, além de possuir capacidade para utilizar combustível marítimo destilado. O gás é armazenado em temperatura extremamente baixa, ocupando menos espaço no estado líquido. Antes de chegar às turbinas, ele passa por equipamentos que controlam sua pressão e vaporização.
Em comparação com combustíveis marítimos mais pesados, o GNL pode reduzir emissões de enxofre, partículas e parte dos óxidos de nitrogênio. Isso não transforma o ferry em uma embarcação sem impacto ambiental. A queima ainda libera dióxido de carbono, e possíveis vazamentos de metano ao longo da cadeia de produção e abastecimento também precisam ser considerados na avaliação completa.

Como o navio Francisco atravessa o Rio da Prata com segurança?
Velocidade máxima não é a prioridade em todas as etapas da viagem. Perto dos portos, em áreas movimentadas ou sob condições desfavoráveis, a embarcação reduz o ritmo. Radares, sistemas de navegação, previsões meteorológicas e profissionais na ponte de comando acompanham tráfego, profundidade, ventos e ondas antes de qualquer decisão sobre aceleração.
O desenho de dois cascos oferece estabilidade, mas não elimina o movimento provocado pelo mar. Passageiros podem sentir impactos e oscilações quando a água está agitada, razão pela qual a operação precisa respeitar limites. O navio Francisco impressiona não apenas por alcançar 107 km/h, mas por combinar essa capacidade com salões, garagem e infraestrutura para realizar uma travessia internacional regular.
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