O navio com a frente partida ao meio que consegue abraçar e levantar uma plataforma de petróleo inteira
A abertura entre os dois cascos permite envolver estruturas offshore e retirar até dezenas de milhares de toneladas em uma única operação
Vista de cima, a embarcação parece ter sido cortada antes de ficar pronta. A abertura entre seus dois cascos, entretanto, não é um defeito: ela permite que o Pioneering Spirit envolva uma plataforma de petróleo e retire milhares de toneladas do mar em uma única operação.
Por que o Pioneering Spirit tem a proa aberta ao meio?
O Pioneering Spirit foi projetado pela empresa suíça Allseas para resolver um problema que consumia meses de trabalho no mar. Plataformas antigas normalmente precisavam ser desmontadas em várias partes, com guindastes retirando módulos separadamente enquanto equipes permaneciam expostas ao vento, às ondas e às mudanças repentinas do tempo.
Em vez de carregar um guindaste convencional gigantesco na proa, o navio utiliza dois cascos paralelos separados por uma abertura central. Essa fenda permite que ele avance lentamente ao redor da parte superior da plataforma, posicionando a estrutura entre suas duas metades como se estivesse preparando um enorme abraço mecânico.
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Como o navio consegue abraçar uma plataforma de petróleo?
Quando chega ao local, o Pioneering Spirit utiliza propulsores controlados por posicionamento dinâmico para permanecer alinhado sem depender apenas de âncoras. O navio avança até que a plataforma fique encaixada no espaço entre os cascos, enquanto sensores acompanham continuamente os movimentos provocados pelo mar.
- O navio se aproxima mantendo a abertura voltada para a plataforma
- A estrutura superior entra no espaço existente entre os dois cascos
- Braços retráteis são estendidos sob pontos reforçados do convés
- Sistemas de compensação reduzem o efeito das ondas durante o contato
- A carga é separada das pernas e transferida para a embarcação
- O conjunto inteiro pode ser levado até um estaleiro em terra
O vídeo “Pioneering Spirit removes the Brent Bravo topsides”, publicado pelo canal Allseas, mostra a embarcação envolvendo a plataforma e retirando sua estrutura superior de aproximadamente 25 mil toneladas.
O processo exige preparação muito antes da chegada do navio. Engenheiros analisam a resistência da instalação, reforçam pontos específicos e cortam parcialmente as conexões com as pernas de sustentação. O objetivo é permitir que a separação final aconteça rapidamente, sem submeter a plataforma ou o sistema de levantamento a esforços imprevisíveis.
O que realmente levanta milhares de toneladas para fora do mar?
Dentro da abertura frontal existem grandes vigas horizontais retráteis. Elas avançam sob a estrutura superior da plataforma e se conectam a pontos preparados para receber a carga. Cada braço possui sistemas hidráulicos e mecanismos de compensação capazes de acompanhar pequenos movimentos entre o navio e o objeto que será levantado.
O Pioneering Spirit também altera a própria flutuação durante a operação. Primeiro, tanques recebem água para baixar ligeiramente a embarcação. Depois que as vigas estão posicionadas e a plataforma foi liberada de suas pernas, a água de lastro é expulsa. O casco sobe e transfere gradualmente o peso para o sistema de levantamento.
Quais números revelam o tamanho do Pioneering Spirit?
A embarcação possui aproximadamente 382 metros de comprimento e quase 124 metros de largura. Sua escala permite combinar funções que normalmente exigiriam diferentes navios: levantamento de plataformas, transporte de estruturas, instalação de tubulações submarinas e operações de construção offshore.
| Pioneering Spirit em escala | O que isso representa | |
|---|---|---|
| Comprimento | 382 m | Espaço para envolver grandes instalações e transportar a carga retirada |
| Largura | 123,75 m | Resultado dos dois cascos paralelos e da grande abertura frontal |
| Potência instalada | 95.000 kW | Energia para propulsão, posicionamento e sistemas operacionais |
| Capacidade superior | 60.000 t | Limite anunciado para levantar a parte superior completa de uma plataforma |
A capacidade atual divulgada pela Allseas chega a 60 mil toneladas para estruturas superiores, conhecidas como topsides, e a 20 mil toneladas para as armações inferiores de aço, chamadas de jackets. Esse desempenho depende de sistemas diferentes instalados nas extremidades do navio.
Por que retirar uma plataforma inteira é mais eficiente?
O método tradicional pode exigir que trabalhadores desmontem módulos, tubulações, equipamentos e partes do convés ainda em alto-mar. Além de prolongar a operação, isso multiplica içamentos e aumenta o tempo durante o qual pessoas e máquinas permanecem sujeitas às condições offshore.
Com o levantamento único, grande parte da desmontagem é transferida para terra. Depois de receber a estrutura, o Pioneering Spirit navega até uma área protegida e passa a carga para uma barcaça. Ela segue até um estaleiro, onde materiais podem ser separados, reciclados e processados com acesso mais fácil a ferramentas e equipamentos pesados.

Qual operação provou que o conceito realmente funcionava?
Em abril de 2017, o navio removeu a estrutura superior da plataforma Brent Delta, no Mar do Norte. O conjunto pesava aproximadamente 24 mil toneladas e foi retirado de uma só vez, sem precisar ser cortado em dezenas de módulos no local. Depois, a carga foi transportada até a costa britânica para desmontagem.
A operação mostrou por que a abertura na proa é o elemento mais importante de todo o projeto. Segundo a Allseas, o sistema foi desenvolvido para instalar ou remover estruturas completas, reduzindo operações offshore complexas. O Pioneering Spirit não levanta uma plataforma como um guindaste comum: ele entra ao redor dela, assume seu peso e parte levando uma construção que durante décadas pareceu inseparável do mar.
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