O mistério do navio encontrado à deriva no Atlântico com toda a carga intacta e dez pessoas desaparecidas
O bote havia sumido, os pertences continuavam a bordo e nenhuma das pessoas daquela viagem foi vista novamente
Em dezembro de 1872, marinheiros avistaram uma embarcação navegando de maneira errática perto dos Açores, em pleno Oceano Atlântico. Quando subiram a bordo, encontraram comida, carga e objetos pessoais, mas nenhuma das dez pessoas que deveriam estar no navio, criando um enigma que atravessaria mais de 150 anos.
O que havia de tão estranho na embarcação encontrada à deriva?
O bergantim britânico Dei Gratia encontrou o Mary Celeste em 4 de dezembro de 1872. A embarcação seguia parcialmente à vela, sem responder aos sinais enviados pelos marinheiros. Ao se aproximarem, eles perceberam que ninguém aparecia no convés e decidiram enviar um pequeno grupo para investigar.
O interior estava desorganizado em alguns pontos e havia água no porão, mas o navio continuava em condições de navegar. Não existiam sinais claros de luta, incêndio ou ataque violento. Os pertences pessoais permaneciam a bordo, assim como alimentos suficientes para uma longa viagem, tornando o desaparecimento ainda mais difícil de compreender.
O que pode ter acontecido no navio Mary Celeste?
A hipótese considerada mais plausível é que o capitão Benjamin Briggs tenha ordenado uma evacuação temporária por acreditar que o navio corria risco de explodir ou afundar. Parte da carga era formada por 1.701 barris de álcool industrial, e nove deles foram encontrados vazios, possivelmente por vazamentos causados pela madeira mais porosa.
Vapores acumulados no porão, ruídos produzidos pelos barris ou uma pequena liberação de pressão poderiam ter assustado a tripulação. As dez pessoas teriam entrado no bote salva-vidas e permanecido ligadas ao navio por uma corda, esperando o perigo passar. Se essa ligação se rompeu durante o mar agitado, o bote pode ter sido levado para longe e nunca mais encontrado.
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Quais pistas foram deixadas no convés vazio?
A última anotação no diário de bordo havia sido feita em 25 de novembro, nove dias antes do encontro com o Dei Gratia. Naquele momento, o navio estava perto da ilha de Santa Maria, no arquipélago dos Açores. Quando foi localizado, já havia percorrido centenas de quilômetros sem ninguém no comando.
As principais pistas encontradas foram:
- O único bote salva-vidas havia desaparecido
- Os instrumentos de navegação do capitão não estavam a bordo
- Parte dos documentos importantes também havia sumido
- A carga principal permanecia praticamente intacta
- Não existiam sinais conclusivos de violência ou pirataria
- Havia água no porão, mas não em quantidade suficiente para afundar o navio
Para complementar o tema, o canal Part-Time Explorer apresenta o vídeo “Ghost Ship Mary Celeste: The 150 Year Mystery”. O material reconstrói a viagem, analisa as pistas encontradas a bordo e apresenta as principais teorias sobre o desaparecimento:
O desaparecimento do bote e dos instrumentos indica que a saída provavelmente foi intencional. Isso enfraquece teorias segundo as quais todos teriam sido surpreendidos por um ataque repentino, embora não explique por que um capitão experiente abandonaria uma embarcação que ainda conseguia permanecer flutuando.
Quais eram os dados da viagem do navio Mary Celeste?
O Mary Celeste havia deixado Nova York em novembro de 1872 com destino a Gênova, na Itália. A bordo estavam o capitão Benjamin Briggs, sua esposa Sarah, a filha pequena do casal e sete tripulantes. Todos eram considerados experientes, e nenhum comportamento incomum havia sido registrado antes da partida.
| Dado do caso | Informação registrada |
|---|---|
| Partida | Nova York, em novembro de 1872 |
| Destino | Gênova, Itália |
| Pessoas a bordo | Dez |
| Carga principal | 1.701 barris de álcool industrial |
| Último registro no diário | 25 de novembro de 1872 |
| Data em que foi encontrado | 4 de dezembro de 1872 |
| Local aproximado | Atlântico, próximo aos Açores |
O navio não estava tão perfeito quanto algumas versões populares afirmam. Algumas velas estavam danificadas, partes do equipamento haviam se soltado e cerca de um metro de água se acumulava no porão. Ainda assim, esses problemas não pareciam graves o suficiente para justificar uma fuga definitiva em um bote pequeno.
Por que as teorias de pirataria e motim perderam força?
Piratas dificilmente abandonariam uma carga valiosa, alimentos, objetos pessoais e a própria embarcação sem levar praticamente nada. Também não foram encontradas evidências convincentes de sangue, confronto ou uso de armas. As marcas apontadas inicialmente como possíveis sinais de violência receberam explicações menos dramáticas durante a investigação.
A hipótese de motim também apresentou problemas. Os tripulantes tinham boa reputação, e não havia indícios de que quisessem tomar o controle da embarcação. Segundo o Royal Museums Greenwich, nunca foi possível determinar com precisão o motivo que levou Briggs a trocar a segurança do navio por um pequeno bote no Atlântico.

Por que o navio Mary Celeste continua sendo um mistério?
Nenhum corpo, destroço confirmado do bote ou relato dos desaparecidos foi encontrado. Sem sobreviventes, qualquer explicação depende da combinação entre as condições do navio, o estado do tempo, a carga transportada e as decisões que um capitão poderia tomar diante de um perigo aparentemente imediato.
A teoria dos vapores de álcool oferece uma sequência possível, mas não resolve todos os detalhes. A escotilha principal estava fechada quando o navio foi encontrado, e os marinheiros que entraram nele não relataram cheiro intenso. O que permanece é a imagem de uma embarcação capaz de navegar, carregada de provisões, atravessando o oceano completamente vazia.
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