O mistério da mancha de Júpiter: maior que a Terra, antiga demais e cada vez menor
O fim da mancha ainda é uma pergunta em aberto
A Grande Mancha Vermelha de Júpiter é uma tempestade maior que a Terra, observada continuamente desde o século XIX e famosa por sua cor intensa. Mas o detalhe mais intrigante não é apenas sua idade: ela vem diminuindo há mais de cem anos. O vórtice, que já foi grande o bastante para engolir várias Terras, hoje tem pouco mais que o diâmetro do nosso planeta, e essa mudança pode ser acompanhada quase década por década.
Por que a Grande Mancha Vermelha de Júpiter é tão importante?
A mancha é um gigantesco anticiclone, uma tempestade de alta pressão que gira na atmosfera turbulenta de Júpiter. Diferente de tempestades terrestres, que duram dias ou semanas, ela atravessou gerações de astrônomos, telescópios e missões espaciais.
Esse tempo de observação torna o fenômeno raro. Em ciência planetária, poucos sistemas climáticos podem ser medidos por quase dois séculos. Por isso, a tempestade em Júpiter não é só uma imagem bonita: ela é um laboratório vivo para entender atmosferas gigantes.
Há quanto tempo essa tempestade existe de verdade?
A observação contínua da mancha de Júpiter começou em 1831, o que já garante uma idade próxima de 190 anos. Existe uma hipótese mais antiga, ligada a uma mancha vista por Giovanni Domenico Cassini em 1665, mas ela hoje é considerada menos segura.
Um estudo de 2024 argumentou que a chamada Mancha Permanente de Cassini provavelmente não era a mesma tempestade atual. Assim, a versão mais prudente é dizer que a Grande Mancha Vermelha dura pelo menos desde o século XIX, e não necessariamente há 350 anos.
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Por que a tempestade está diminuindo?
A resposta ainda não está fechada. A atmosfera de Júpiter é dominada por ventos intensos, faixas de nuvens e correntes em direções opostas, e a mancha fica presa entre jatos que ajudam a manter sua rotação.
Mesmo assim, algo no equilíbrio mudou. A tempestade absorve vórtices menores e troca energia com o ambiente ao redor, mas vem encolhendo no eixo maior. O motivo exato dessa contração continua sendo uma das perguntas mais interessantes sobre Júpiter.
O Hubble mostrou que ela também pulsa?
Além do encolhimento de longo prazo, o Telescópio Hubble revelou variações mais rápidas. Observações feitas entre dezembro de 2023 e março de 2024 mostraram a mancha oscilando em tamanho e brilho ao longo de cerca de 90 dias.
Esse comportamento não contradiz a tendência histórica. Uma coisa é a tempestade “balançar” ou mudar um pouco em poucos meses. Outra é o encolhimento medido ao longo de décadas, que segue sendo o grande sinal de transformação.
Para não confundir os dois fenômenos, vale separar os principais pontos:
- A contração histórica acontece ao longo de mais de um século.
- A oscilação observada pelo Hubble ocorre em escala de meses.
- Uma variação curta não prova que a tendência de encolhimento parou.
- O monitoramento anual ajuda a distinguir mudança real de flutuação temporária.

A Grande Mancha Vermelha pode desaparecer?
Pode, mas ninguém sabe quando nem se esse será o destino final. Uma possibilidade é que o vórtice continue perdendo tamanho até se desfazer, como talvez tenha ocorrido com a mancha observada no século XVII.
Outra possibilidade é que ela sobreviva por muito tempo em uma versão menor e mais arredondada. Por enquanto, o que a ciência tem é uma tempestade colossal em transformação, grande o bastante para engolir a Terra, mas não imune ao tempo.
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