O megatelescópio de 39 metros com 798 espelhos que está sendo erguido no topo de uma montanha isolada no Atacama
Observatório terá espelho segmentado de 39 metros, óptica adaptativa e uma das maiores estruturas já construídas para estudar o Universo
No alto do deserto chileno, o ELT está ganhando forma como uma das máquinas científicas mais ambiciosas já construídas. Seu espelho principal terá 39 metros de diâmetro e será composto por 798 segmentos que precisarão funcionar como uma única superfície óptica, alinhada com precisão de dezenas de nanômetros.
Como o ELT conseguirá transformar 798 espelhos em uma única superfície?
Construir um espelho convencional de 39 metros seria impraticável. Por isso, o Extremely Large Telescope usará 798 segmentos hexagonais de vitrocerâmica, cada um com aproximadamente 1,45 metro de largura. Juntos, eles formarão uma área coletora de luz de 978 metros quadrados.
O desafio está em fazer centenas de peças independentes se comportarem opticamente como um único espelho. Sensores monitorarão constantemente suas posições e atuadores realizarão correções minúsculas. Segundo o ESO, o alinhamento entre os segmentos deverá alcançar precisão de dezenas de nanômetros ao longo de toda a superfície.
Leia também: O planeta gigante ainda invisível que astrônomos calculam estar escondido nos confins do Sistema Solar
O que torna a montagem desse megatelescópio tão complicada?
O observatório está sendo construído no Cerro Armazones, uma montanha de aproximadamente 3.060 metros no deserto do Atacama. O topo precisou ser preparado para receber uma estrutura gigantesca, ao mesmo tempo em que máquinas, espelhos e instrumentos precisam operar num ambiente exposto a vento, poeira e grandes variações ambientais.
Algumas dimensões mostram a dificuldade do projeto:
- Espelho principal com 39 metros de diâmetro.
- 798 segmentos formando a superfície refletora.
- 4.608 sensores de borda para acompanhar os segmentos.
- Área coletora de luz de 978 metros quadrados.
- Cúpula considerada pelo ESO a maior construída para um telescópio.
O vídeo oficial do Observatório Europeu do Sul entra na construção do Extremely Large Telescope e mostra a estrutura do telescópio, a enorme cúpula e as instalações destinadas aos espelhos. É um registro diretamente ligado ao estágio de construção da máquina.
Por que o ELT precisa de uma cúpula gigantesca que também se movimenta?
A cúpula não funciona apenas como cobertura. Ela protege os componentes ópticos e mecânicos durante períodos de condições inadequadas e precisa abrir grandes portas para permitir as observações. Em 2025, sua construção alcançou o ponto mais alto, enquanto a conclusão completa da cúpula está prevista para 2027.
Dentro dela ficará uma estrutura capaz de movimentar o telescópio mantendo centenas de toneladas de componentes ópticos alinhadas. O conjunto utilizará cinco espelhos, incluindo elementos capazes de realizar correções rápidas para compensar distorções introduzidas pela atmosfera terrestre.
Como o telescópio corrigirá a turbulência da atmosfera?
Observar do solo cria um problema que o James Webb não enfrenta: a luz das estrelas atravessa a atmosfera antes de alcançar o telescópio. Turbulências fazem essa luz sofrer pequenas deformações, produzindo o efeito de cintilação observado a olho nu e reduzindo a nitidez das imagens astronômicas.
O ELT usará óptica adaptativa e seis lasers capazes de criar estrelas artificiais na alta atmosfera. Sensores medirão as deformações e espelhos adaptativos realizarão correções continuamente, permitindo recuperar grande parte da resolução que seria perdida.
| Componente | Dimensão ou função |
|---|---|
| Espelho principal | 39 metros |
| Segmentos | 798 unidades hexagonais |
| Espelhos do sistema | Cinco superfícies ópticas |
| Primeira luz técnica | Prevista para março de 2029 |
O ELT realmente produzirá imagens mais nítidas que as do James Webb?
Em determinadas observações, sim, mas a comparação precisa de contexto. O ESO afirma que, graças ao espelho de 39 metros e à óptica adaptativa, determinados instrumentos poderão alcançar resolução angular cerca de seis vezes superior à do James Webb. Isso não significa que o ELT seja simplesmente “seis vezes melhor” em tudo.
Os dois observatórios são complementares. O Webb trabalha no espaço, sem interferência atmosférica, e possui extraordinária sensibilidade no infravermelho. Já o ELT terá uma abertura muito maior e poderá explorar resolução extremamente alta em faixas específicas do visível e infravermelho. A ficha técnica oficial do ESO reúne as principais dimensões e capacidades previstas para o observatório.

Quando esse gigantesco observatório começará a enxergar o Universo?
O cronograma mudou ao longo da construção. Atualmente, o ESO prevê a primeira luz técnica para março de 2029. Depois disso, instrumentos científicos ainda precisarão ser instalados, testados e calibrados, com a primeira luz científica planejada para dezembro de 2030.
Quando estiver operacional, o observatório deverá investigar desde exoplanetas e formação de estrelas até buracos negros, galáxias distantes e a evolução do Universo. Porém, antes de qualquer descoberta, existe um desafio terrestre monumental: fazer 798 peças separadas acompanharem o céu como se fossem um único espelho perfeito de 39 metros.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)