O Mar Morto está deixando para trás partes que já foram água: imagens de satélite mostram como o estreito entre seus dois grandes setores secou
Imagens Landsat de cinco décadas revelam o desaparecimento do estreito entre as bacias do Mar Morto e a expansão de áreas secas e piscinas industriais
O Mar Morto está encolhendo há décadas, transformando antigas áreas submersas em extensões de terra exposta. Imagens dos satélites Landsat, analisadas pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), mostram que o estreito que conectava suas duas grandes bacias desapareceu. A mudança está associada à redução da água recebida dos rios e à exploração industrial de minerais.
Por que o Mar Morto está perdendo tanta água?
Localizado entre Israel, Jordânia e Cisjordânia, o Mar Morto ocupa uma depressão profunda do Oriente Médio. Apesar do nome, trata-se de um lago hipersalino sem saída natural para o oceano. Sua manutenção depende do equilíbrio entre a água recebida dos tributários e aquela perdida por evaporação.
O principal fornecedor de água é o rio Jordão, cujo fluxo foi intensamente reduzido por projetos de irrigação e abastecimento. Segundo dados históricos do USGS, o volume que chegava ao lago caiu de aproximadamente 1,3 bilhão para 100 milhões de metros cúbicos anuais. Essa redução, combinada à evaporação intensa e ao uso industrial, provoca a queda contínua do nível da água.
Como os satélites registraram o desaparecimento do estreito do Mar Morto?
O programa Landsat acompanha a superfície terrestre desde 1972. Suas imagens permitem comparar o formato do Mar Morto em diferentes décadas, identificando áreas anteriormente cobertas por água que passaram a apresentar solo exposto, depósitos de sal e instalações industriais.
Uma imagem de janeiro de 1973 mostra as bacias norte e sul ainda conectadas por um estreito. Nas observações posteriores, essa ligação desaparece. Os registros mais recentes da série histórica apresentada pelo USGS incluem imagens de junho de 2024, nas quais a separação está claramente estabelecida.
Entre os principais fatos documentados estão:
- Imagens históricas obtidas desde 1973;
- Antiga conexão natural entre as bacias norte e sul;
- Desaparecimento do estreito que unia os dois setores;
- Queda acumulada de aproximadamente 45 metros em cinco décadas, segundo dados históricos;
- Formação de extensas áreas de solo exposto;
- Expansão de piscinas industriais de evaporação na bacia sul.
O vídeo Image of the Week – Landsat’s 10 Millionth Scene, produzido pelo USGS, apresenta uma sequência de imagens de satélite que mostra o encolhimento do Mar Morto durante quase cinco décadas.
Por que a evaporação faz o Mar Morto encolher tão rapidamente?
A região apresenta clima árido, temperaturas elevadas e baixos índices de precipitação. Como o lago não possui saída fluvial, a água deixa a bacia principalmente pela evaporação. Os sais dissolvidos permanecem, contribuindo para sua elevada salinidade.
A evaporação sempre fez parte do funcionamento natural do Mar Morto. O problema atual é que a reposição de água diminuiu intensamente devido às atividades humanas. Dados históricos do USGS apontam uma redução de aproximadamente 1,2 metro por ano no nível do lago em 2018, embora a velocidade de queda varie entre os períodos observados.
O que as imagens oficiais do USGS revelam sobre a transformação do Mar Morto?
O projeto Earthshots, mantido pelo Centro de Observação e Ciência dos Recursos da Terra (EROS), reúne imagens obtidas pelos satélites Landsat 1, 4, 7 e 8. Na série histórica oficial do USGS sobre o Mar Morto, é possível comparar registros de 1973, 1990, 2000, 2013, 2017, 2020, 2022 e 2024.
As imagens mostram que a bacia norte continua concentrando a principal massa natural de água. Já a região sul foi amplamente transformada em piscinas industriais utilizadas para extração de minerais. As áreas azuladas que aparecem no sul das imagens recentes não representam necessariamente a recuperação do lago, mas estruturas artificiais abastecidas por bombeamento.

Quais diferenças existem entre as bacias norte e sul do Mar Morto?
Historicamente, o Mar Morto possuía duas grandes bacias separadas parcialmente pela península de Lisan. A bacia norte era mais profunda, enquanto a sul apresentava águas rasas. Conforme o nível diminuiu, o estreito desapareceu e a bacia meridional perdeu sua configuração natural.
Atualmente, empresas de Israel e Jordânia utilizam grandes piscinas de evaporação no sul para produzir potássio e outros minerais. Essas instalações recebem água bombeada da bacia norte. O processo contribui para a exploração econômica da região, mas também participa do desequilíbrio hídrico.
| Característica | Situação observada |
|---|---|
| Bacia norte | Principal corpo natural de água |
| Bacia sul | Predomínio de piscinas industriais |
| Estreito original | Secou após a retração |
| Rio Jordão | Fluxo intensamente reduzido |
| Imagens Landsat | Registros de 1973 a 2024 na série USGS |
O que pode acontecer se o Mar Morto continuar encolhendo?
A retração da água já produz consequências importantes ao redor do lago. Uma delas é o surgimento de dolinas, depressões que aparecem quando depósitos subterrâneos de sal se dissolvem e o terreno perde sustentação. Essas formações podem comprometer estradas, instalações turísticas e outras estruturas próximas às margens.
A redução também ameaça atividades econômicas que dependem do próprio lago, incluindo turismo e extração mineral. Projetos de gestão hídrica e reposição de água são discutidos há décadas, mas envolvem desafios ambientais, técnicos e políticos. As imagens Landsat demonstram que a transformação não é apenas uma previsão futura: grandes áreas do Mar Morto já desapareceram, e sua evolução continuará dependendo do equilíbrio entre consumo, reposição e evaporação.
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