O maior planeta já registrado tem mais de duas vezes o raio de Júpiter e uma densidade extremamente baixa
Gigante gasoso possui cerca de 2,14 vezes o raio de Júpiter, mas menos da metade de sua massa
Entre os milhares de mundos confirmados fora do Sistema Solar, um gigante se destaca pelo tamanho. HAT-P-67 b é atualmente tratado em estudos recentes como o maior exoplaneta conhecido por raio, com cerca de 2,14 vezes o raio de Júpiter. Apesar das dimensões enormes, sua massa corresponde a apenas cerca de 45% da massa joviana, revelando um planeta gasoso extremamente inflado.
Por que HAT-P-67 b é considerado o maior planeta conhecido?
O raio medido para HAT-P-67 b é de aproximadamente 2,14 raios de Júpiter, com pequena margem de incerteza. Isso significa que seu diâmetro chega a aproximadamente 300 mil quilômetros. O valor coloca o planeta entre os gigantes mais extremos já medidos por trânsito.
Chamar um mundo de “maior”, porém, exige definir o critério. Existem objetos mais massivos que Júpiter, mas muitos têm raios semelhantes ou menores devido à compressão da matéria. HAT-P-67 b se destaca especificamente pelas dimensões físicas, e não pela massa.
Como um planeta tão grande consegue ter tão pouca massa?
HAT-P-67 b pertence à classe dos gigantes gasosos fortemente inflados. Ele tem apenas cerca de 0,45 massa de Júpiter, apesar de seu raio superar o de Júpiter em mais de duas vezes. O resultado é uma densidade estimada em apenas 0,061 grama por centímetro cúbico.
Essa densidade extremamente baixa ocorre porque sua atmosfera ocupa um volume enorme. O planeta orbita muito próximo de uma estrela do tipo F que já começou a evoluir, recebendo intensa radiação. O aquecimento contribui para expandir as camadas atmosféricas externas.
- Raio de aproximadamente 2,14 vezes o de Júpiter;
- Massa de cerca de 0,45 massa de Júpiter;
- Densidade próxima de 0,061 g/cm³;
- Período orbital de aproximadamente 4,81 dias;
- Órbita localizada muito perto de sua estrela.
Este vídeo apresenta HAT-P-67 b e explica por que ele chama tanta atenção.
Por que planetas muito massivos nem sempre são maiores?
Em gigantes gasosos, adicionar massa não aumenta indefinidamente o raio. À medida que a quantidade de matéria cresce, a gravidade comprime cada vez mais o interior. Por isso, alguns objetos com várias massas de Júpiter podem ter dimensões comparáveis às do próprio Júpiter.
Esse comportamento também ajuda a separar os conceitos de tamanho e massa. Anãs marrons, por exemplo, podem possuir dezenas de massas de Júpiter e ainda apresentar raios próximos ao joviano. Assim, procurar o maior planeta exige comparar diretamente medidas de raio.
O que os estudos revelaram sobre HAT-P-67 b?
Medições recentes combinaram observações fotométricas e espectroscópicas para melhorar a estimativa de massa do planeta. Os pesquisadores precisaram descontar a atividade da própria estrela, porque suas variações podem produzir sinais capazes de interferir nas medições de velocidade radial.
O estudo publicado no The Astronomical Journal calculou uma massa de 0,45 ± 0,15 massa de Júpiter e manteve o raio em 2,140 ± 0,025 raios jovianos. Com esses valores, o mundo apresenta uma das menores densidades conhecidas entre gigantes quentes.

Esse planeta gigante está perdendo sua atmosfera?
Sim. Observações indicam que sua atmosfera está escapando devido à intensa radiação recebida da estrela. Como a gravidade superficial é relativamente fraca para um planeta de dimensões tão grandes, gases das camadas superiores conseguem escapar com maior facilidade.
Os pesquisadores identificaram sinais de uma extensa estrutura de hélio associada à perda atmosférica. Modelos também sugerem que a evolução recente da estrela aumentou a quantidade de energia recebida pelo planeta, intensificando um processo que pode alterar profundamente sua estrutura.
O que pode acontecer com HAT-P-67 b no futuro?
Modelos indicam que a estrela continuará evoluindo e aumentando sua influência sobre o planeta. O aquecimento e as forças de maré podem acelerar tanto a perda atmosférica quanto a deterioração orbital, tornando esse sistema uma oportunidade para acompanhar uma fase relativamente curta da evolução planetária.
As estimativas atuais sugerem que HAT-P-67 b poderá ser destruído pelas forças de maré dentro de aproximadamente 100 a 250 milhões de anos. Seu tamanho extraordinário, portanto, não representa uma condição necessariamente estável, mas uma fase extrema de um gigante gasoso submetido à evolução de sua estrela.
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