O jovem de 17 anos que transformou lixo eletrônico em um purificador de água para enfrentar a contaminação em áreas de enchente
O estudante de Bangladesh reaproveitou componentes descartados para desenvolver um sistema de tratamento por plasma reconhecido internacionalmente
Aos 17 anos, o estudante Zabeer Zarif Akhter desenvolveu em Bangladesh um purificador com lixo eletrônico capaz de tratar água usando plasma de alta tensão. Em vez de canos de PVC e um salvamento milagroso de uma vila, como sugere a versão viral, a história real envolve peças retiradas de televisores antigos, laptops, baterias e circuitos descartados, reunidas em um protótipo pensado especialmente para regiões atingidas por enchentes.
Quem é o jovem que criou o purificador com lixo eletrônico?
Zabeer estudava no 11º ano do St. Joseph Higher Secondary School, em Daca, quando apresentou o projeto “High Voltage Plasma Water Purifier from E-Waste”. Em 2024, a invenção venceu a etapa nacional de Bangladesh do Stockholm Junior Water Prize, levando o estudante à competição internacional realizada na Suécia.
A ideia nasceu diante de dois problemas comuns no país: contaminação da água e acúmulo de resíduos eletrônicos. Bangladesh também enfrenta inundações sazonais que podem comprometer fontes de água. Em vez de simplesmente construir um filtro mecânico, Zabeer decidiu experimentar uma tecnologia de tratamento baseada em plasma.
Quais peças descartadas foram usadas para construir o aparelho?
Um dos aspectos mais curiosos está na origem dos componentes. Zabeer afirmou que aproveitou peças eletrônicas disponíveis em equipamentos descartados, reduzindo a necessidade de componentes novos e tentando diminuir o custo do protótipo.
Entre os materiais citados estão:
- Peças de circuitos de veículos de três rodas.
- Componentes de televisores CRT antigos.
- Partes de laptops abandonados.
- Baterias de lítio retiradas de celulares.
- Componentes eletrônicos reaproveitados.

Como funciona o purificador com lixo eletrônico criado por Zabeer?
O sistema usa uma fonte de baixa tensão e um circuito capaz de gerar alta tensão para produzir plasma em pressão atmosférica. A proposta utiliza eletrodos de carbono e combina efeitos do plasma com radiação ultravioleta produzida durante o processo para atuar sobre microrganismos presentes na água.
Segundo a documentação do projeto no Stockholm Junior Water Prize, a versão individual foi concebida como uma solução simples para água microbiologicamente contaminada. O projeto também prevê alimentação por bateria recarregável com energia solar, característica importante para locais onde a eletricidade pode ficar indisponível após enchentes.
O aparelho realmente salvou uma vila inteira da contaminação?
Não há evidência confiável de que Zabeer tenha instalado o equipamento em uma vila e salvado seus moradores, nem de que tenha construído o aparelho com antigos canos de PVC. Esses elementos parecem ter sido acrescentados ao relato ou misturados com outras histórias famosas de jovens inventores.
O que está documentado é um protótipo premiado, desenvolvido com a intenção de reduzir microrganismos na água e futuramente ajudar populações atingidas por enchentes. Em 2024, um integrante do júri em Bangladesh afirmou que resultados iniciais eram positivos e que o projeto estava sendo acompanhado em laboratório da Bangladesh University of Engineering and Technology para aperfeiçoamento.
| Elemento | Caso real |
|---|---|
| Inventor | Zabeer Zarif Akhter |
| Idade em 2024 | 17 anos |
| Tecnologia | Plasma de alta tensão |
| Matéria-prima | Resíduos eletrônicos |
Por que o purificador com lixo eletrônico chamou atenção internacional?
O projeto tenta atacar dois problemas simultaneamente. Equipamentos eletrônicos descartados tornam-se matéria-prima para o circuito, enquanto o dispositivo busca oferecer tratamento de água a baixo custo. Zabeer também desenvolveu uma proposta de maior escala destinada ao tratamento de águas residuais industriais.
A invenção conquistou o prêmio nacional de Bangladesh em 2024 e levou o jovem à final internacional do Stockholm Junior Water Prize. A organização registra atualmente Zabeer entre seus participantes e destaca sua atuação em pesquisas ligadas à sustentabilidade da água.
Por que essa história foi confundida com a de William Kamkwamba?
William Kamkwamba também ficou mundialmente conhecido por transformar sucata em tecnologia, mas sua invenção mais famosa foi um moinho de vento, construído aos 14 anos no Malawi com peças de bicicleta e materiais reaproveitados. O equipamento inicialmente produziu eletricidade e sua trajetória posteriormente também envolveu sistemas de bombeamento de água.
Zabeer protagoniza uma história diferente e mais próxima da pauta original: um adolescente que reaproveitou resíduos eletrônicos para desenvolver tecnologia de tratamento de água. Ele não precisou “salvar uma vila inteira” para tornar a experiência impressionante. Aos 17 anos, já havia transformado lixo eletrônico em um protótipo reconhecido por uma das principais competições juvenis internacionais dedicadas à água.
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