O jovem com uma prótese rígida que correu 42 km por dia e atravessou 5.373 km do Canadá contra o câncer
Durante 143 dias, Terry Fox enfrentou estradas, mudanças de clima e uma passada desgastante para arrecadar fundos para pesquisas
Em 1980, um jovem canadense começou a avançar por rodovias quase vazias com um movimento que exigia impulso, salto e equilíbrio a cada passada. O plano parecia maior que sua resistência física, mas a estrada transformaria aquela tentativa em um dos maiores símbolos de esperança do Canadá.
Como Terry Fox transformou o diagnóstico em uma missão?
Terry tinha 18 anos quando recebeu o diagnóstico de osteossarcoma, um câncer ósseo localizado na perna direita, pouco acima do joelho. O tratamento exigiu a amputação do membro cerca de 15 centímetros acima da articulação. Durante os 16 meses seguintes, o contato com outros pacientes, muitos ainda mais jovens, mudou sua maneira de enxergar a doença.
Em vez de concentrar o esforço apenas na própria recuperação, ele decidiu arrecadar dinheiro para pesquisas contra o câncer. Terry passou aproximadamente 18 meses treinando e organizando uma travessia do Canadá, com a meta ambiciosa de conseguir um dólar de cada habitante do país, o equivalente a cerca de 24 milhões de dólares canadenses na época.
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Como Terry Fox conseguiu correr quase uma maratona por dia?
A Maratona da Esperança começou em 12 de abril de 1980, em St. John’s, na província de Terra Nova e Labrador. Terry mergulhou a prótese no Oceano Atlântico e iniciou a jornada em direção à costa do Pacífico. Nos 143 dias seguintes, percorreu uma média próxima de 42 quilômetros diários, mesmo enfrentando chuva, vento, calor, frio e longos trechos sem público.
- Começava a correr por volta das 4h30
- Dividia a distância diária em diferentes etapas
- Passou por seis províncias canadenses
- Visitou mais de 400 cidades, escolas e comunidades
- Às vezes dormia na van da pequena equipe de apoio
- Continuava mesmo nos dias com poucas doações
O filme disponibilizado pela Fundação Terry Fox reúne imagens originais da Maratona da Esperança e mostra o ritmo incomum da corrida, a simplicidade da equipe e o crescimento do apoio popular ao longo das estradas. O registro também permite perceber que a jornada não era uma prova esportiva organizada, mas uma rotina diária de deslocamento, entrevistas e arrecadação.
Por que a prótese tornava cada passada mais difícil?
A tecnologia utilizada em 1980 era muito diferente das lâminas de fibra de carbono desenvolvidas posteriormente para corredores. A prótese de Terry havia sido adaptada a partir de modelos convencionais e não devolvia energia como uma perna biológica. Grande parte do movimento precisava ser gerada pelo quadril, enquanto um sistema na parte dianteira ajudava a puxar o membro artificial para a próxima passada.
Para dar tempo de a prótese avançar e se alinhar, ele desenvolveu uma sequência característica: apoiava a perna esquerda, impulsionava o corpo para cima e esperava o membro artificial completar o movimento. O resultado era uma corrida assimétrica e desgastante, descrita pelo Parks Canada como um gesto que exigia enorme energia porque o corpo precisava vencer a gravidade repetidamente.
Quais números mostram a dimensão da Maratona da Esperança?
A travessia não chegou à costa oeste, mas ultrapassou a distância de muitas competições de resistência realizadas ao longo de vários anos. Em menos de cinco meses, Terry completou 5.373 quilômetros, avançando desde o litoral atlântico até a região de Thunder Bay, em Ontário.
| 12 de abril | Início no Oceano Atlântico |
| 143 dias | Duração da jornada pelas estradas |
| 5.373 km | Distância total percorrida |
| 42 km | Média aproximada por dia |
| 6 províncias | Regiões alcançadas durante a corrida |
A arrecadação começou lentamente, sobretudo nas áreas onde poucas pessoas conheciam o projeto. A situação mudou quando a cobertura da imprensa aumentou e multidões passaram a esperá-lo nas cidades. Antes de sua morte, a campanha alcançou o objetivo de levantar aproximadamente um dólar para cada canadense, superando 24 milhões de dólares canadenses para pesquisas.
Por que Terry Fox precisou parar perto de Thunder Bay?
No dia 1º de setembro de 1980, após semanas sentindo cansaço e enfrentando dificuldades respiratórias, ele interrompeu a corrida na região de Thunder Bay. Exames revelaram que o câncer havia retornado e alcançado seus pulmões. A Maratona da Esperança terminava fisicamente depois de 143 dias, quando ele já havia percorrido mais da metade do trajeto planejado.
Terry declarou que pretendia continuar a jornada assim que pudesse, mas seu estado de saúde impediu o retorno às rodovias. Mesmo durante o tratamento, pediu que o público mantivesse as doações e transformasse a corrida interrompida em uma mobilização permanente contra o câncer.

Como a corrida continuou depois que ele já não podia correr?
Terry morreu em 28 de junho de 1981, aos 22 anos, dez meses depois de interromper a travessia. Ele não alcançou fisicamente a costa do Pacífico, mas soube que sua meta financeira havia sido atingida e que uma corrida anual seria criada para manter o projeto ativo. A primeira edição oficial ocorreu em setembro daquele mesmo ano.
Desde então, a iniciativa passou a ser realizada em comunidades, escolas e cidades de diferentes países. Segundo a Fundação Terry Fox, as campanhas inspiradas por sua história já arrecadaram mais de 1 bilhão de dólares canadenses para pesquisas. A tentativa de atravessar o Canadá não terminou no ponto em que ele precisou parar: transformou-se em uma corrida repetida por milhões de pessoas.
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