O inseto que consegue carregar muitas vezes o próprio peso e inspirou estudos sobre robôs extremamente fortes
A força proporcional desses besouros ajuda cientistas a entender a biomecânica dos insetos e desenvolver pequenos robôs capazes de transportar grandes cargas
Entre os insetos conhecidos pela força proporcional ao tamanho, poucos chamam tanta atenção quanto o besouro-rinoceronte. Experimentos mostram que algumas espécies conseguem transportar cargas dezenas de vezes superiores à própria massa. A força do besouro-rinoceronte também interessa à engenharia, que já desenvolveu robôs inspirados em sua anatomia, locomoção e capacidade de movimentar cargas muito maiores que seu próprio peso.
Quanta força realmente possui um besouro-rinoceronte?
Um dos experimentos mais sólidos foi realizado com Xyloryctes thestalus. O estudo colocou oito indivíduos em uma pequena esteira e adicionou cargas enquanto eles caminhavam a aproximadamente um centímetro por segundo. Os besouros conseguiram manter essa velocidade carregando mais de 30 vezes a própria massa corporal.
Esse resultado é mais confiável do que a famosa afirmação de que besouros-rinoceronte conseguem erguer 850 vezes o próprio peso, número frequentemente repetido em materiais populares. A capacidade real depende da espécie, do tipo de movimento, da superfície e de como a carga é aplicada, portanto não existe um único valor válido para todos os integrantes do grupo.
Por que o besouro-rinoceronte consegue carregar tanto peso?
Animais pequenos apresentam uma relação favorável entre massa corporal e capacidade estrutural. À medida que as dimensões diminuem, o peso cai mais rapidamente do que determinadas características relacionadas à área transversal dos músculos e das estruturas de sustentação, ajudando pequenos animais a suportar cargas proporcionalmente impressionantes.
No experimento com Xyloryctes thestalus, carregar peso adicional também apresentou um custo energético surpreendentemente baixo. Transportar cada grama acrescentado custava metabolicamente mais de cinco vezes menos do que movimentar uma grama da própria massa corporal do inseto, revelando uma locomoção extremamente econômica.
Consegue caminhar sob cargas muito superiores à própria massa.
Possui seis pernas que distribuem forças durante a locomoção.
O exoesqueleto oferece sustentação estrutural ao corpo.
Algumas espécies apresentam grandes chifres utilizados em disputas.
Sua biomecânica interessa a pesquisadores de robótica em pequena escala.
Este vídeo da BBC Earth mostra besouros-rinoceronte e o uso de seus grandes chifres durante disputas entre machos.
Para que servem os grandes chifres desses besouros?
Os chifres encontrados principalmente nos machos não foram desenvolvidos para transportar objetos. Eles funcionam como armas durante disputas por acesso às fêmeas, permitindo levantar, empurrar, girar ou derrubar rivais que ocupam troncos e outros locais disputados.
A forma dessas estruturas varia entre espécies e está relacionada ao modo de combate. Estudos biomecânicos mostram que os chifres apresentam formas capazes de resistir melhor justamente às cargas normalmente produzidas durante as lutas, indicando uma estreita relação entre anatomia e comportamento.
Todos os besouros fortes suportam centenas de vezes o próprio peso?
Não. Comparações populares costumam misturar espécies, métodos experimentais e conceitos diferentes, como levantar, puxar e transportar uma carga. Um besouro pode apresentar enorme força de tração em determinada posição e não conseguir carregar a mesma massa enquanto caminha normalmente.
Um estudo moderno com o besouro Odontotaenius disjunctus, que não é um besouro-rinoceronte, também demonstrou como o ambiente interfere no resultado. O animal conseguiu desenvolver forças muito maiores quando puxava dentro de um túnel semelhante ao seu habitat natural do que quando estava completamente exposto.
Microrrobô biomimético inspirado na locomoção e resistência dos besouros-rinoceronte
Como a força desses insetos chegou aos laboratórios de robótica?
Em 2024, pesquisadores apresentaram um microrrobô inspirado na constituição corporal de um besouro-rinoceronte. O equipamento media cerca de oito centímetros, pesava 74 gramas e tinha capacidade indicada para cargas de até dois quilogramas, além de executar movimentos extremamente precisos.
Outro trabalho publicado em 2025 utilizou até o exoesqueleto de um besouro-rinoceronte morto como estrutura mecânica de um pequeno robô. O sistema experimental conseguiu movimentar até 68,47 vezes sua própria massa, mostrando como características naturais dos insetos podem ajudar engenheiros a explorar novas soluções para máquinas leves e resistentes.
Sistema estudado
Relação com a própria massa
*Xyloryctes thestalus*
Mais de 30 vezes
Robô inspirado em besouro de 2024
Cerca de 27 vezes
Robô experimental Poka
68,47 vezes
Valor popular de 850 vezes
Não representa uma medida universal do grupo
Por que o besouro-rinoceronte pode ajudar no desenvolvimento de novos robôs?
A biomimética não procura simplesmente fabricar uma cópia mecânica do animal. Pesquisadores estudam como pernas, exoesqueleto, distribuição de forças, locomoção e estruturas corporais resolvem problemas que também aparecem na engenharia, especialmente quando é necessário construir máquinas pequenas capazes de transportar cargas.
O estudo publicado no Journal of Experimental Biology demonstrou há décadas a eficiência do transporte de carga nesses insetos. Hoje, pesquisas em robótica mostram que observar a natureza pode ajudar a combinar baixo peso, resistência e capacidade de movimentação em máquinas cada vez menores.
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