O inseto mais pesado da Nova Zelândia quase desapareceu, mas uma estratégia de criação e retorno a ilhas seguras transformou o wētāpunga em caso raro de recuperação
Programa de conservação reproduziu e liberou mais de 11 mil insetos gigantes, estabelecendo novas populações em ilhas e reservas protegidas da Nova Zelândia
Na Nova Zelândia, o wētāpunga passou de uma espécie ameaçada de desaparecer para um exemplo de recuperação populacional de insetos. Conhecido por seu tamanho impressionante, esse gigante sobreviveu naturalmente em apenas uma ilha após décadas de destruição de habitat e introdução de predadores. Um estudo divulgado em 2026 documentou como a criação em cativeiro e a soltura de mais de 11 mil indivíduos permitiram estabelecer novas populações em áreas protegidas.
Por que o wētāpunga quase desapareceu da Nova Zelândia?
O wētāpunga (Deinacrida heteracantha) pertence à ordem Orthoptera, que também inclui grilos e gafanhotos. É o inseto mais pesado da Nova Zelândia, com fêmeas que normalmente ultrapassam 40 gramas quando adultas. Um exemplar criado em cativeiro chegou a pesar 71,3 gramas.
Historicamente, a espécie habitava partes do norte da Ilha Norte e ilhas próximas. Entretanto, o desmatamento e a introdução de mamíferos predadores, especialmente ratos, provocaram seu desaparecimento dessas regiões. Em meados do século XX, sua distribuição natural conhecida estava restrita à ilha Te Hauturu-o-Toi, também chamada Little Barrier.
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Como começou o programa de recuperação do wētāpunga?
O momento mais crítico ocorreu quando levantamentos realizados entre 2005 e 2009 encontraram tão poucos indivíduos que a transferência direta de animais selvagens para outras ilhas foi considerada arriscada. A situação persistiu mesmo após a erradicação do rato-do-Pacífico (Rattus exulans) de Te Hauturu-o-Toi, concluída em 2004.
A estratégia de conservação passou a combinar diferentes ações:
- Remoção de predadores introduzidos;
- Coleta controlada de pequenos grupos reprodutores;
- Criação de filhotes em instalações especializadas;
- Soltura em ilhas protegidas;
- Monitoramento das gerações nascidas na natureza.
O vídeo do Auckland Zoo acompanha a soltura de wētāpunga criados em cativeiro na ilha Motuihe, no golfo de Hauraki.
Como os zoológicos conseguiram criar milhares desses insetos?
O centro Butterfly Creek iniciou os trabalhos de reprodução controlada, desenvolvendo procedimentos de alimentação, abrigo e manejo dos animais. As primeiras solturas ocorreram em Motuora, em 2010, e Tiritiri Matangi, em 2011, ambas no golfo de Hauraki.
Em 2012, o Auckland Zoo estabeleceu uma segunda colônia reprodutiva. A criação de ninfas em grupos, utilizando instalações semelhantes a creches, permitiu aumentar significativamente a produção. Entre 2014 e 2025, somente o zoológico criou e liberou 8.874 indivíduos, contribuindo para a expansão do programa.
O que o novo estudo comprovou sobre a recuperação da espécie?
O estudo publicado no New Zealand Journal of Zoology, liderado por Chris Green, documentou os resultados de aproximadamente 15 anos de conservação. Até 2025, mais de 11 mil wētāpunga haviam sido transferidos em 45 operações para dez novas localidades: oito ilhas livres de predadores introduzidos e duas reservas continentais cercadas.
O resultado mais importante veio do monitoramento em Motuora e Tiritiri Matangi. Nessas ilhas, pesquisadores identificaram pelo menos quatro gerações de indivíduos nascidos na natureza, demonstrando que os animais não apenas sobreviveram às solturas, mas conseguiram reproduzir-se sucessivamente.

Quais resultados mostram que o wētāpunga está se recuperando?
A classificação de conservação da espécie também melhorou. Em 2004, o wētāpunga estava na categoria neozelandesa Threatened – Nationally Endangered. Em 2022, passou para Threatened – Nationally Increasing, indicando uma tendência populacional positiva, embora ainda seja considerado ameaçado.
As novas populações reduzem a dependência de uma única ilha, enquanto a reprodução confirmada demonstra avanços concretos. Entretanto, nem todos os locais de soltura possuem o mesmo nível de comprovação de estabelecimento duradouro.
Por que a recuperação do wētāpunga ainda exige cuidados?
Apesar dos avanços, a espécie continua vulnerável à reintrodução acidental de ratos e outros mamíferos predadores. Sua sobrevivência depende da manutenção das barreiras de proteção, da disponibilidade de vegetação adequada e do acompanhamento das populações estabelecidas.
O programa também oferece conhecimentos aplicáveis à conservação de outros invertebrados ameaçados. As técnicas de criação e transferência já estão contribuindo para iniciativas envolvendo outras espécies de wētā. A experiência demonstra que a recuperação de insetos pode exigir intervenções prolongadas, mas produzir resultados mensuráveis quando a reprodução e a segurança dos habitats são acompanhadas continuamente.
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