O inferno cósmico onde chove vidro derretido de lado a uma velocidade assustadora de 8.700 quilômetros por hora e a atmosfera é mortal
O gigante azul esconde nuvens de silicato, temperaturas acima de 1.000 graus e ventos supersônicos capazes de arrastar a chuva horizontalmente
O HD 189733 b parece um planeta azul e sereno quando observado a dezenas de anos-luz da Terra, mas sua aparência esconde uma atmosfera escaldante, ventos supersônicos e nuvens carregadas de partículas de silicato. Nesse mundo gigantesco, a chuva não cairia verticalmente e qualquer objeto lançado em sua atmosfera enfrentaria condições capazes de destruí-lo rapidamente.
Por que o HD 189733 b parece tanto com a Terra?
Astrônomos determinaram que o planeta apresenta uma tonalidade azul-cobalto, semelhante à cor que a Terra exibe quando observada do espaço. Essa aparência, no entanto, não indica a presença de oceanos, vegetação ou condições adequadas à vida. O astro é um gigante gasoso ligeiramente maior que Júpiter e não possui uma superfície sólida onde alguém poderia caminhar.
A coloração provavelmente surge da forma como pequenas partículas de silicato espalham a luz na atmosfera. Elas refletem com mais eficiência os comprimentos de onda azulados, enquanto outras cores são absorvidas ou desviadas. Portanto, a semelhança visual com a Terra funciona como uma armadilha: os dois mundos apresentam condições completamente diferentes.
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Quais são os 4 números que revelam a violência desse planeta?
O exoplaneta orbita sua estrela a uma distância extremamente pequena, muito menor que a separação entre Mercúrio e o Sol. Por isso, recebe uma quantidade intensa de radiação e completa uma volta ao redor da estrela em apenas 2,2 dias terrestres.
- 8.690 quilômetros por hora nos ventos medidos.
- Mais de 1.000 graus Celsius em partes da atmosfera.
- Apenas 2,2 dias para completar uma órbita.
- Aproximadamente 63 anos-luz de distância da Terra.
O vídeo “Rains of Terror on Exoplanet HD 189733b” apresenta uma representação do planeta azul e explica por que sua atmosfera se tornou conhecida pelas possíveis tempestades de vidro. O conteúdo mostra a aparência enganosa do gigante gasoso, sua proximidade com a estrela e a violência dos ventos, ajudando a visualizar condições que os telescópios detectam apenas por meio da luz e dos espectros.
Como a atmosfera do HD 189733 b produz uma chuva de vidro?
As altas temperaturas mantêm diferentes compostos circulando pela atmosfera. Entre eles aparecem silicatos, materiais que também fazem parte de rochas e vidros encontrados na Terra. Quando essas partículas alcançam regiões mais frias, podem se condensar e formar pequenas gotas ou fragmentos vítreos transportados pelas correntes atmosféricas.
Por isso, a expressão “chuva de vidro derretido” simplifica um processo que os cientistas não observaram diretamente. Os dados indicam nuvens com partículas de silicato e condições compatíveis com uma precipitação vítrea. Assim, o cenário representa uma interpretação científica plausível da atmosfera, e não uma filmagem real de pedaços de vidro caindo sobre o planeta.
Por que a chuva atravessaria o céu praticamente de lado?
Pesquisadores mediram diferenças na velocidade da atmosfera durante a passagem do planeta diante de sua estrela. Os resultados indicaram ventos superiores a 5.400 milhas por hora, equivalentes a aproximadamente 8.690 quilômetros por hora, deslocando-se do lado iluminado para o lado noturno.
| Condição | O que acontece | Consequência provável |
|---|---|---|
| Calor extremo | A atmosfera supera 1.000 graus | Silicatos permanecem entre nuvens escaldantes |
| Condensação | Partículas formam gotas ou grãos vítreos | Surgem nuvens carregadas de material semelhante ao vidro |
| Ventos supersônicos | Correntes atravessam milhares de quilômetros por hora | A precipitação se desloca quase horizontalmente |
| Ausência de solo | O planeta permanece gasoso em profundidade | O material continua circulando pela atmosfera |
Essas correntes seriam fortes o bastante para impedir uma queda vertical semelhante à chuva terrestre. Em vez disso, gotas e partículas seguiriam quase horizontalmente, acompanhando a circulação atmosférica. O material não precisaria atingir um chão, pois o gigante gasoso se torna progressivamente mais denso conforme a profundidade aumenta.
Por que o HD 189733 b possui ventos de 8.700 quilômetros por hora?
O planeta mantém um lado permanentemente voltado para sua estrela e outro mergulhado em uma noite contínua. Essa condição, conhecida como rotação sincronizada, cria uma diferença intensa de temperatura entre as duas regiões. A atmosfera tenta redistribuir o calor e, nesse processo, desenvolve correntes extremamente rápidas.
Além disso, o astro recebe radiação constante por orbitar muito perto da estrela. O gás aquecido se expande, desloca-se para regiões mais frias e alimenta uma circulação global violenta. Os ventos medidos alcançam aproximadamente sete vezes a velocidade do som nas condições terrestres, embora o comportamento exato dependa da composição e da temperatura da atmosfera.

Como os cientistas descobriram tudo isso sem visitar o planeta?
Os astrônomos observam o momento em que o planeta passa diante da estrela e bloqueia uma pequena parcela de sua luz. Parte dessa radiação atravessa a atmosfera antes de chegar aos telescópios. Cada elemento químico absorve determinadas faixas de luz, permitindo que os pesquisadores identifiquem gases, partículas e movimentos atmosféricos.
Ao comparar as extremidades do planeta durante o trânsito, os cientistas detectaram mudanças no sinal produzido pelo sódio e calcularam a velocidade dos ventos. Já a cor azul apareceu quando o telescópio Hubble mediu a redução de luz enquanto o planeta desaparecia atrás de sua estrela. A NASA descreve o HD 189733 b como um gigante gasoso cuja atmosfera azul contém nuvens associadas a partículas de vidro.
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