O imigrante ucraniano que dependia de cupons de comida e anos depois vendeu o WhatsApp em um acordo de US$ 19 bilhões
Ele chegou aos Estados Unidos aos 16 anos, viveu com assistência pública e ajudou a criar um aplicativo que se tornou alvo de uma negociação histórica
Quando chegou aos Estados Unidos aos 16 anos, Jan Koum morava com a mãe e a avó em uma residência subsidiada pelo governo e sua família dependia de assistência pública para conseguir alimentos. Duas décadas depois, o mesmo imigrante estaria no centro de uma das maiores aquisições da história da tecnologia, depois de transformar uma ideia simples em um aplicativo usado por centenas de milhões de pessoas.
Como Jan Koum saiu da Ucrânia e passou a depender de assistência nos Estados Unidos?
Koum nasceu em 1976 e cresceu nos arredores de Kyiv, quando a Ucrânia ainda fazia parte da União Soviética. Em 1992, aos 16 anos, mudou-se para Mountain View, na Califórnia, com a mãe e a avó. Seu pai permaneceu na Ucrânia. Nos Estados Unidos, a família viveu em moradia subsidiada e enfrentou uma situação financeira bastante limitada durante os primeiros anos no novo país.
A família recorria aos chamados food stamps, benefício público destinado à compra de alimentos. Koum chegou a trabalhar empacotando compras em um supermercado, enquanto sua mãe trabalhava como babá. Anos mais tarde, aquele período ganharia um significado simbólico: o empresário escolheu justamente o antigo prédio onde retirava os benefícios alimentares para assinar documentos relacionados ao acordo bilionário do WhatsApp.
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Quais acontecimentos levaram um adolescente sem computador ao mundo da programação?
A versão popular de que Koum chegou aos Estados Unidos já estudando programação precisa de correção. Ele contou que não teve computador até os 19 anos. Seu interesse cresceu posteriormente, principalmente por redes de computadores, segurança e pelo funcionamento da internet. Antes de criar o WhatsApp, ele passou por empresas de tecnologia e chegou a trabalhar com auditoria de segurança na Ernst & Young.
Algumas das etapas decisivas de sua trajetória foram:
- Mudança da Ucrânia para os Estados Unidos aos 16 anos
- Trabalho em empregos de entrada durante a juventude
- Interesse crescente por redes e segurança de computadores
- Trabalho no Yahoo
- Criação do WhatsApp em 2009
Em uma aula publicada pelo Stanford Online, Jan Koum relata sua experiência como fundador e explica decisões tomadas na construção do WhatsApp. O vídeo é especialmente relevante porque traz o próprio empreendedor falando sobre desenvolvimento de produto e sobre a trajetória do serviço que acabaria alcançando centenas de milhões de usuários.
Como Jan Koum teve a ideia que acabaria se transformando no WhatsApp?
Depois de trabalhar durante anos no Yahoo, Koum deixou a empresa em 2007. Em fevereiro de 2009, registrou uma companhia para desenvolver um aplicativo inicialmente pensado para mostrar o status dos contatos, indicando, por exemplo, se alguém estava disponível para receber uma ligação. O nome escolhido aproveitava o som da expressão inglesa “What’s up?” e nasceu daí o WhatsApp.
A primeira versão não foi um sucesso imediato. Entretanto, quando a Apple ampliou o uso das notificações no iPhone em 2009, Koum percebeu que o aplicativo poderia permitir que mudanças de status fossem enviadas automaticamente aos contatos. A função começou a ser utilizada como uma espécie de troca de mensagens e mudou o rumo do produto. Brian Acton, antigo colega de Koum no Yahoo, juntou-se ao projeto e se tornou cofundador do WhatsApp.
Por que o WhatsApp cresceu tanto sem seguir o modelo tradicional do Vale do Silício?
Koum e Acton apostaram em um produto simples, associado diretamente ao número de telefone e à agenda de contatos. Assim, o usuário não precisava criar mais um nome de usuário para conversar com alguém que já conhecia. Além disso, os fundadores buscaram fazer o aplicativo funcionar em diferentes plataformas móveis, algo particularmente importante em países onde iPhones não dominavam o mercado.
O crescimento acabou chamando a atenção do Facebook. Quando a aquisição foi anunciada em fevereiro de 2014, o WhatsApp já tinha mais de 450 milhões de usuários ativos por mês e adicionava aproximadamente 1 milhão de novos usuários diariamente. O comunicado oficial do Facebook anunciou uma operação inicial de aproximadamente US$ 16 bilhões, formada por US$ 4 bilhões em dinheiro e cerca de US$ 12 bilhões em ações, além de outros US$ 3 bilhões em ações restritas destinadas aos fundadores e funcionários e vinculadas à permanência após o fechamento.
| Etapa | O que aconteceu | Impacto |
|---|---|---|
| 1992 | Mudança para os Estados Unidos aos 16 anos | Família passa a viver na Califórnia com assistência pública |
| 1997 | Entrada no Yahoo | Acumula anos de experiência em infraestrutura tecnológica |
| 2009 | Nascimento do WhatsApp | O projeto evolui de aplicativo de status para mensageiro |
| 2014 | Acordo de aquisição pelo Facebook | Negociação anunciada na faixa de US$ 19 bilhões |
Como Jan Koum saiu dos cupons de comida para uma negociação de US$ 19 bilhões?
O contraste entre os dois momentos tornou-se uma das partes mais conhecidas de sua história. Quando adolescente, Koum frequentava um escritório de assistência social para receber benefícios alimentares. Em 2014, depois de negociar a venda do WhatsApp, ele voltou ao local e assinou documentos relacionados ao acordo na porta daquele mesmo prédio, que àquela altura estava abandonado.
No entanto, dizer que Koum simplesmente “vendeu seu aplicativo por R$ 80 bilhões” esconde detalhes importantes. Ele não era o único proprietário do WhatsApp, já que Brian Acton era cofundador e havia investidores e funcionários com participação no negócio. Além disso, R$ 80 bilhões não corresponde a um valor oficial da transação: o acordo foi anunciado em dólares, com aproximadamente US$ 16 bilhões em dinheiro e ações mais US$ 3 bilhões em ações restritas, totalizando os US$ 19 bilhões que ficaram associados à negociação.

Por que a história de Jan Koum se tornou uma das trajetórias mais marcantes do Vale do Silício?
A dimensão do negócio fica ainda mais evidente quando se observa o tamanho do WhatsApp naquele momento. Em fevereiro de 2014, o serviço possuía mais de 450 milhões de usuários mensais, cerca de 70% deles ativos diariamente, enquanto sua base crescia em aproximadamente 1 milhão de pessoas por dia. O Facebook argumentou que aquele crescimento excepcional justificava uma das maiores apostas já feitas pela companhia em outro aplicativo.
A trajetória chama atenção não porque exista uma fórmula simples de “pobre a bilionário”, mas pela distância entre os dois extremos documentados. Koum chegou aos Estados Unidos adolescente, viveu em moradia subsidiada, dependeu com a família de assistência alimentar, entrou no setor de tecnologia, acumulou experiência no Yahoo e depois criou com Brian Acton um aplicativo que se espalhou pelo planeta. Em 2014, apenas 22 anos depois de sua chegada à Califórnia, o WhatsApp estava no centro de uma operação anunciada em aproximadamente US$ 19 bilhões.
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