O fundo do Atlântico libera colunas de bolhas que podem subir mais de 900 metros pela água, mas elas não vêm de nenhum equipamento humano
Vazamentos naturais liberam metano do fundo marinho e criam enormes plumas de bolhas detectáveis por sonar
Em partes do fundo do Atlântico, o sonar consegue registrar estruturas que parecem colunas verticais subindo pela água. Elas não são produzidas por tubulações ou máquinas instaladas no oceano. Em locais como Norfolk Seeps, na margem atlântica dos Estados Unidos, plumas de metano já foram detectadas subindo mais de 900 metros acima do fundo, formadas por vazamentos naturais que liberam gás diretamente dos sedimentos.
Como as plumas de metano conseguem nascer no fundo do Atlântico?
O metano pode se formar e ficar armazenado abaixo do leito marinho por processos biológicos ou geológicos. Em determinadas regiões, fraturas, falhas e caminhos permeáveis permitem que parte desse gás escape lentamente dos sedimentos e alcance a água na forma de pequenas bolhas.
Esses locais são chamados de cold seeps, ou exsudações frias, porque não dependem necessariamente de fluidos extremamente quentes como as fontes hidrotermais. Na margem atlântica dos Estados Unidos, milhares de sinais de escape gasoso já foram mapeados, concentrados principalmente ao longo do talude continental.
O que os cientistas enxergam quando o sonar encontra essas bolhas?
As bolhas refletem fortemente os pulsos acústicos enviados pelos equipamentos de sonar. Isso permite que navios de pesquisa detectem colunas aparentemente suspensas dentro da água mesmo quando o ponto de vazamento está a mais de um quilômetro de profundidade.
Essas observações podem revelar:
- Bolhas surgindo diretamente do leito marinho.
- Plumas que se estendem por centenas de metros.
- Vários pontos de vazamento próximos uns dos outros.
- Mudanças na intensidade da emissão ao longo do tempo.
- Áreas do fundo associadas à presença de metano.
Este vídeo do Schmidt Ocean Institute acompanha pesquisadores procurando vazamentos naturais de metano no fundo do mar e mostra como veículos submarinos e instrumentos científicos são usados para localizar bolhas e estudar esses ambientes.
Até onde as plumas de metano conseguem subir pela água?
Em Norfolk Seeps, na margem atlântica norte-americana, a NOAA registrou plumas detectáveis por sonar subindo mais de 900 metros acima do leito marinho. Em outros pontos da margem sudeste dos Estados Unidos, trabalhos científicos também identificaram anomalias na coluna d’água com mais de 1.000 metros de altura.
Isso não significa necessariamente que todo o metano original das bolhas alcance a superfície. Durante a subida, parte significativa do gás pode dissolver na água. Além disso, a composição das próprias bolhas pode mudar conforme diferentes gases entram e saem durante o percurso pela coluna d’água.
Por que algumas bolhas desaparecem antes de alcançar a superfície?
Quanto maior a profundidade, maior costuma ser o caminho até a atmosfera. Durante essa viagem, o metano presente dentro da bolha tende a se dissolver na água ao redor. Por isso, uma bolha detectável centenas de metros acima do fundo não deve ser interpretada automaticamente como uma quantidade equivalente de metano chegando ao ar.
| Etapa | O que acontece |
|---|---|
| Fundo marinho | Gás escapa dos sedimentos |
| Coluna d’água | Bolhas sobem e refletem sinais acústicos |
| Durante a subida | Parte do metano dissolve na água |
| Próximo da superfície | A composição das bolhas pode estar alterada |
O comportamento depende do tamanho das bolhas, da profundidade, da temperatura, da pressão e das correntes locais. Vazamentos mais rasos possuem maior possibilidade de transferir parte do metano diretamente para a atmosfera, enquanto emissões profundas tendem a sofrer maior dissolução.
Como o sonar transforma bolhas invisíveis em grandes colunas no mapa?
O sonar envia ondas sonoras e mede os ecos produzidos pelos objetos e interfaces encontrados no caminho. Como a diferença de propriedades acústicas entre uma bolha de gás e a água ao redor é grande, até concentrações relativamente pequenas podem produzir respostas detectáveis.
A NOAA Ocean Exploration mostra que sonares multifeixe usados pelo navio Okeanos Explorer conseguiram mapear as plumas de Norfolk Seeps em três dimensões. O mesmo equipamento utilizado para estudar o relevo do fundo pode, portanto, revelar também estruturas temporárias existentes na água acima dele.

Por que as plumas de metano são importantes para estudar o fundo do oceano?
Esses vazamentos ajudam os pesquisadores a entender como carbono e outros compostos circulam entre os sedimentos e a água do mar. Eles também podem sustentar comunidades de organismos que dependem de quimiossíntese, utilizando energia química em ambientes onde a luz solar não alcança.
As plumas de metano mostram ainda que o fundo oceânico não é uma superfície completamente isolada. Em alguns trechos do Atlântico, gases produzidos ou armazenados abaixo dos sedimentos encontram caminhos naturais até a água e formam colunas tão altas que o sonar consegue acompanhá-las por quase um quilômetro.
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