O ex-lavador de carros que estudava no ônibus com apostilas velhas e hoje ocupa uma cadeira de juiz federal
Rolando Valcir Spanholo trabalhou desde criança, percorreu centenas de quilômetros para estudar Direito e enfrentou anos de reprovações antes de chegar à magistratura
Ainda criança, ele lavava carros e consertava pneus na oficina do pai para ajudar a família. Anos depois, passaria horas dentro de ônibus estudando materiais emprestados e xerocados enquanto percorria centenas de quilômetros para cursar Direito. A história real de Rolando Valcir Spanholo tem quase todos os elementos dessa trajetória impressionante, com uma correção importante: ele não se tornou juiz internacional, mas juiz federal brasileiro, depois de enfrentar uma longa sequência de dificuldades e reprovações.
Como Rolando Spanholo começou a trabalhar lavando carros quando ainda era criança?
Rolando nasceu em Sananduva, no interior do Rio Grande do Sul, em uma família com cinco filhos. O pai trabalhava como borracheiro e a mãe como costureira. Entre os 9 e os 15 anos, Rolando e os irmãos ajudavam na oficina da família, onde consertavam pneus, limpavam cabines de caminhões e lavavam automóveis. O trabalho não fazia parte de uma história construída depois da fama: fotografias de seu arquivo pessoal registram aquela fase da infância.
A situação financeira também obrigava os irmãos a aproveitar praticamente tudo. Durante a faculdade, chegaram a trocar roupas e sapatos entre si para evitar aparecer sempre vestidos da mesma maneira. A formação universitária parecia uma conquista enorme para uma família sem tradição no mundo jurídico, e o próprio Rolando contou posteriormente que sua primeira meta não era ocupar um tribunal, mas simplesmente conseguir melhorar de vida.
Por que o ônibus acabou virando a principal sala de estudos de Rolando Spanholo?
Quando chegou a hora da graduação, surgiu outro obstáculo: a faculdade de Direito ficava a aproximadamente 250 quilômetros de casa. Durante o dia, Rolando trabalhava vendendo cortinas, edredons e outros produtos confeccionados pela família. Ao final da tarde, entrava no ônibus para seguir até a universidade e muitas vezes só retornava depois da meia-noite.
A rotina incluía:
- Trabalho desde cedo durante o dia.
- Viagens de aproximadamente 250 quilômetros para estudar.
- Materiais emprestados por colegas e cópias xerocadas.
- Estudos realizados durante o trajeto de ônibus.
- Trabalho com vendas aos sábados.
- Estudos adicionais aos domingos.
O canal Ângelo de Souza, apresentou Rolando Valcir Spanholo e sua transformação de ex-borracheiro e lavador de carros em juiz federal. O vídeo mostra sua trajetória, as dificuldades enfrentadas pela família e a rotina de disciplina que o levou à magistratura. O conteúdo está disponível diretamente no Globoplay.
Como Rolando Spanholo conseguiu estudar Direito praticamente sem comprar livros caros?
O próprio magistrado contou que durante a graduação estudou pouco por grandes livros de doutrina jurídica porque não tinha condições para isso. Colegas conheciam sua situação e emprestavam cadernos, permitindo que ele copiasse ou tirasse xerox do conteúdo. O ônibus acabou se tornando um dos poucos períodos regulares disponíveis para leitura.
A história das “apostilas velhas” precisa apenas de um pequeno ajuste. As fontes não mostram que ele dependia literalmente apenas de apostilas antigas encontradas ao acaso. O que está documentado é uma combinação de cadernos emprestados, xerox, leis grifadas, provas anteriores, informativos dos tribunais e resumos produzidos pelo próprio Rolando. Esse material se tornaria fundamental quando ele decidiu enfrentar concursos públicos.
Por que Rolando Spanholo acumulou impressionantes 200 quilos de material de estudo?
Depois de se formar, Rolando tentou diferentes concursos jurídicos. Entre 1999 e 2003, chegou perto da aprovação para cargos como promotor, procurador e juiz, mas interrompeu temporariamente o projeto quando nasceu seu filho. Somente em 2010 decidiu retomar seriamente o objetivo de entrar na magistratura federal. O intervalo significava reconstruir uma grande quantidade de conhecimento jurídico antes de competir novamente.
Foi então que ele desenvolveu um método adaptado à própria realidade. Em vez de depender exclusivamente de cursos caros e enormes tratados jurídicos, produzia resumos, estudava provas anteriores, acompanhava decisões dos tribunais superiores e organizava o conteúdo de maneira que pudesse revisá-lo constantemente. No final da preparação, calculou ter acumulado aproximadamente 200 quilos de material distribuídos em 34 caixas.
| Etapa | Realidade enfrentada | O que aconteceu |
|---|---|---|
| Infância | Trabalho na oficina do pai | Lavava carros e ajudava na borracharia |
| Faculdade | Pouco dinheiro e longas viagens | Estudava principalmente no ônibus |
| Concursos | Diversas reprovações | Criou método próprio de preparação |
| Resultado | Concurso extremamente competitivo | Aprovação como juiz federal |
Quando Rolando Spanholo finalmente conseguiu ocupar uma cadeira de juiz federal?
O resultado que mudou sua trajetória chegou no concurso do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Rolando ficou entre os aprovados e, aos 38 anos, ingressou na magistratura federal. Fontes profissionais atuais continuam identificando-o como juiz federal vinculado ao TRF1, e registros da Seção Judiciária do Distrito Federal mostram sua atuação no Judiciário federal anos depois da posse.
A reportagem do Diário de Pernambuco sobre Rolando Spanholo registrou em 2015 vários detalhes dessa mudança de vida: o trabalho iniciado aos nove anos, os estudos, os 200 quilos de material e a aprovação como juiz federal. O contraste entre a oficina do pai e a toga chamou tanta atenção que sua história rapidamente ganhou repercussão nacional.

Rolando Spanholo realmente chegou ao topo da carreira jurídica internacional?
Não há evidência de que ele tenha se tornado juiz de uma corte internacional, como a Corte Internacional de Justiça em Haia. Essa parte da pauta mistura trajetórias diferentes. O brasileiro que atualmente ocupa uma cadeira na Corte Internacional de Justiça é Leonardo Nemer Caldeira Brant, integrante do tribunal desde novembro de 2022, mas sua biografia não corresponde à história do menino que lavava carros e estudava no ônibus.
A história verdadeira de Rolando Spanholo não precisa dessa mistura para ser impressionante. O menino que começou a trabalhar aos nove anos, ajudou o pai na borracharia, vendeu produtos de porta em porta, enfrentou uma faculdade distante, estudou dentro do ônibus, acumulou cerca de 200 quilos de resumos e passou por inúmeras reprovações conseguiu chegar à magistratura federal. É uma trajetória suficientemente extraordinária sem transformar um juiz federal brasileiro em personagem de uma carreira internacional que ele não exerceu.
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