O complexo bilionário com três torres ligadas por um parque suspenso de 340 metros no topo dos edifícios
Juntas estruturais permitem que as três torres tenham pequenos movimentos enquanto sustentam jardins, piscina e uma plataforma gigantesca a cerca de 200 metros do solo
Em Singapura, o Marina Bay Sands desafia a aparência de um arranha-céu convencional: três torres gigantes sustentam uma estrutura de 340 metros que parece um enorme navio colocado a cerca de 200 metros do solo. O que impressiona ainda mais está escondido sob jardins, restaurantes e a famosa piscina infinita, porque os engenheiros precisaram permitir que cada torre se movesse sem destruir aquilo que conecta todas elas.
Como o Marina Bay Sands sustenta um parque de 340 metros sobre três torres?
O Sands SkyPark possui aproximadamente 340 metros de comprimento e 38 metros de largura. A estrutura se estende sobre as três torres do hotel e ocupa mais de um hectare, reunindo jardins, restaurantes, áreas de observação e a piscina elevada. Apenas em sua construção foram empregadas mais de 7 mil toneladas de aço.
Embora pareça uma única plataforma rígida apoiada sobre os edifícios, a realidade estrutural é bem mais sofisticada. As torres têm mais de 50 pavimentos e sofrem pequenos deslocamentos naturais provocados por peso, vento, temperatura e outras cargas. Por isso, transformar todo o topo em uma peça totalmente rígida poderia gerar esforços enormes conforme os edifícios se movessem de maneiras diferentes.
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Quais números revelam a verdadeira escala do parque construído no céu?
O tamanho do SkyPark fica mais claro quando seus números são separados. Além dos 340 metros de comprimento, algumas seções atravessam vãos superiores a 50 metros entre as torres. No extremo norte, a estrutura continua além da última torre e forma um balanço de 66,5 metros, projetado a aproximadamente 200 metros acima do solo.
Entre os números mais impressionantes do projeto estão:
- 340 metros de comprimento
- 38 metros de largura
- Mais de 1 hectare de área
- Mais de 7 mil toneladas de aço
- 66,5 metros de balanço além da terceira torre
- Cerca de 200 metros de altura no ponto de observação
O vídeo de Safdie Architects apresenta o Marina Bay Sands e permite visualizar a relação entre as três torres e a enorme estrutura instalada sobre elas. O material complementa este trecho porque mostra a escala arquitetônica do conjunto idealizado por Moshe Safdie e ajuda a perceber como o SkyPark funciona visualmente como uma quarta peça que une os edifícios.
Por que o Marina Bay Sands precisou de juntas que deixam as torres se moverem?
Esse é um dos segredos mais interessantes do projeto. Os engenheiros da Arup precisavam lidar com os movimentos naturais das três torres sem permitir que essas diferenças sobrecarregassem o SkyPark. A solução foi dividir estruturalmente a plataforma em zonas correspondentes aos edifícios e utilizar juntas de movimento e apoios capazes de acomodar deslocamentos relativos.
Segundo o relatório técnico da Arup, os elementos foram articulados justamente para permitir movimentos diferenciais causados por gravidade, vento e ações sísmicas. Portanto, não é correto imaginar três torres imóveis segurando uma placa rígida: pequenas movimentações fazem parte do funcionamento previsto pela engenharia.
Como a piscina infinita consegue permanecer intacta sobre edifícios que se movimentam?
A famosa piscina está integrada ao SkyPark e se estende por aproximadamente 150 metros, dependendo do critério utilizado para medir seu conjunto. O projeto original descrito pela Arup registrava uma área próxima de 1.400 metros quadrados e cerca de 1,4 milhão de litros de água, acrescentando uma carga considerável justamente no alto das torres.
| Elemento | Dimensão aproximada | Desafio de engenharia |
|---|---|---|
| SkyPark | 340 m de comprimento | Acomodar movimentos diferentes das três torres |
| Balanço extremo | 66,5 m | Resistir ao vento e à movimentação de pessoas |
| Piscina | Cerca de 150 m | Controlar grande volume de água sobre a estrutura |
| Torres | Cerca de 191 m | Suportar cargas elevadas com geometria inclinada |
As juntas não existem especificamente apenas para impedir que a piscina “rache”, como algumas versões populares sugerem. Elas fazem parte de uma estratégia estrutural muito mais ampla que permite ao conjunto acomodar os movimentos relativos das torres. A piscina, seus suportes e a plataforma precisam funcionar dentro desse sistema, enquanto a água também exige controle cuidadoso por causa de seu peso e de seu movimento.
Como o Marina Bay Sands conseguiu deixar 66,5 metros do SkyPark praticamente no ar?
Na extremidade da Torre 3, o SkyPark continua avançando sem outra torre diretamente sob ele. Esse balanço de 66,5 metros foi uma das partes mais difíceis do projeto. Especialistas em estruturas e dinâmica estudaram seu comportamento diante do vento e até das vibrações provocadas por pessoas caminhando, correndo ou dançando no alto da plataforma.
A solução final empregou grandes vigas-caixão de aço pós-tensionadas, com profundidade variável. Próximo ao apoio sobre a terceira torre, algumas dessas estruturas chegam a aproximadamente 10 metros de profundidade. Assim, a extremidade que parece simplesmente “flutuar” é, na verdade, sustentada por uma enorme estrutura semelhante às soluções encontradas em grandes pontes.

Por que essa obra bilionária se tornou um dos símbolos mais reconhecidos de Singapura?
O Marina Bay Sands foi concebido como um resort integrado, não apenas como um hotel. O conjunto reúne as três torres, centro de convenções, espaços comerciais, restaurantes, teatros, o ArtScience Museum e outras instalações. Seu investimento ficou na casa de vários bilhões de dólares de Singapura, o que torna correta a descrição de complexo bilionário, embora valores diferentes apareçam conforme se considera terreno, desenvolvimento e etapas do projeto.
O elemento que acabou definindo sua silhueta foi justamente o SkyPark. De longe, ele parece uma plataforma única e imóvel colocada sobre três edifícios; por dentro, porém, funciona quase como uma grande ponte dividida em segmentos, equipada com juntas e apoios para conviver com movimentos que o visitante sequer percebe. É essa combinação entre arquitetura espetacular e engenharia invisível que tornou uma plataforma de 340 metros instalada a cerca de 200 metros do solo um dos marcos mais reconhecíveis do horizonte de Singapura.
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