O cometa Halley deixa dois rastros de meteoros na Terra todos os anos mesmo estando agora a bilhões de quilômetros do Sol
É o material deixado em passagens anteriores, não o cometa em si, que produz o espetáculo visto da Terra

O que você vai ver
- De quanto em quanto tempo o cometa Halley retorna ao Sistema Solar interno.
- O que o cometa deixa atrás de si a cada passagem.
- Quais duas chuvas de meteoros são causadas por esses detritos.
- Por que o cometa continua visível mesmo estando tão distante do Sol.
- Como é o próprio núcleo do cometa Halley.
O cometa Halley está hoje a bilhões de quilômetros do Sol, longe demais para ser visto a olho nu, mas continua deixando dois rastros de meteoros visíveis na Terra todos os anos, graças a detritos liberados em passagens muito anteriores à atual.
De quanto em quanto tempo o Halley retorna?
O cometa Halley completa uma órbita em torno do Sol, em média, a cada 76 anos, embora esse período varie entre 74,42 e 79,25 anos dependendo da influência gravitacional dos planetas em cada passagem específica, com seu próximo retorno ao Sistema Solar interno previsto para o ano de 2061, data que já desperta expectativa entre astrônomos e entusiastas da observação do céu.
☄️Fragments of Comet Halley falling like a “meteor shower.” ✨The Orionids at the ALMA observatory. October 20–23, 2026. 📹: Asashi Shimbun. ALMA Team. @ALMA_Japan https://t.co/MQBCXXvFYy
— ALMA Observatory📡 (@almaobs) October 23, 2026
O que o cometa deixa a cada passagem?
A cada vez que se aproxima do Sistema Solar interno, o núcleo do cometa Halley libera gelo e rocha de sua própria superfície, perdendo entre 1 e 3 metros de material a cada órbita completa, processo que forma, ao longo de milênios de passagens sucessivas, uma extensa corrente de detritos espalhada por toda a trajetória orbital do cometa pelo espaço.
Quais chuvas de meteoros ele causa?
A corrente de detritos deixada pelo cometa Halley ao longo de inúmeras passagens produz duas chuvas de meteoros anuais relativamente discretas: as Eta Aquáridas, visíveis em maio, e as Orionídeas, visíveis em outubro, fenômenos que ocorrem porque a Terra, em sua própria órbita, cruza duas vezes por ano essa faixa de detritos espalhada pelo espaço, não porque o cometa esteja de fato próximo nesses períodos.
Por que ele continua visível mesmo tão distante?
Mesmo a Terra estando atualmente a uma distância do cometa Halley medida em bilhões de quilômetros, com o núcleo já além da órbita de Netuno em seu ponto mais afastado do Sol, é justamente o material deixado nas passagens anteriores, não o próprio corpo do cometa, que continua produzindo o espetáculo anual de meteoros visível da Terra, mecanismo que desacopla a visibilidade do fenômeno da posição atual do cometa no espaço.
Halley’s Comet “lights up” the Orionid meteor shower ✨ The Orionids are meteors originating from the dust of comet 1P/Halley. On October 21, astrophotographer Tim McCollum captured three bright trails over Toccoa, Georgia, radiating from a point near the star Betelgeuse in the constellation Orion. The image is a composite of multiple 30-second exposures, taken using a Canon EOS Ra camera with an RF 28–70mm f/2.0 lens, mounted on a tracking mount; it was processed in PixInsight. Visible in the frame are Orion’s Belt, the Orion Nebula, and the Rosette Nebula, set against the backdrop of the Milky Way. The meteor shower remains active until November 7, so there is still a chance to catch a glimpse of the Orionids.
— Black Hole (@konstructivizm) October 24, 2026
Como é o núcleo do cometa?
O núcleo do Halley mede aproximadamente 15 por 8 quilômetros e reflete apenas 3% da luz solar que recebe, o que o torna um dos objetos mais escuros já estudados dentro do Sistema Solar, característica que, somada à enorme distância que o cometa percorre durante sua órbita alongada, explica por que ele só se torna claramente visível da Terra durante os períodos relativamente curtos em que se aproxima do Sol.
Fenômenos astronômicos que continuam visíveis mesmo com sua origem distante no espaço também aparecem no relato sobre o primeiro visitante confirmado de outra estrela que atravessou o Sistema Solar numa trajetória sem volta.
Mais detalhes sobre o cometa estão disponíveis na página oficial da NASA.
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