O asteroide acabou com os dinossauros, mas crocodilos encontraram refúgios onde o calor ainda permitia sobreviver
Pesquisa com mais de 7 mil registros fósseis indica que regiões tropicais podem ter protegido linhagens de crocodilos durante a extinção do Cretáceo.
O impacto de um asteroide há 66 milhões de anos extinguiu os dinossauros não avianos, mas algumas linhagens próximas dos crocodilos resistiram. Um estudo liderado pela University College London sugere que regiões tropicais e subtropicais permaneceram climaticamente habitáveis durante a crise. A conclusão vem da combinação de fósseis e simulações, não da identificação direta de todos os sobreviventes.
Como os cientistas reconstruíram os antigos refúgios dos crocodilos?
A equipe reuniu mais de 7 mil ocorrências fósseis e dados de mais de 400 espécies atuais e extintas da linhagem dos crocodilos. Cruzou esses registros com árvores evolutivas, distribuição das espécies vivas e 52 reconstruções do clima de 245 milhões de anos.
Publicado na revista Science Advances, o trabalho identificou uma tendência duradoura: em vez de desenvolver tolerância a climas muito diferentes, muitos desses animais acompanharam a mudança geográfica das faixas quentes. Houve exceções: uma linhagem tolerou calor extremo há cerca de 94 milhões de anos, e outra se adaptou à aridez australiana há aproximadamente 34 milhões de anos.

Onde o calor teria permitido a sobrevivência após o impacto?
As simulações indicaram que faixas próximas ao equador conservaram condições adequadas em boa parte dos cenários. Os mapas sugerem possíveis refúgios, não abrigos individuais comprovados:
- Regiões tropicais próximas à linha do equador.
- Áreas subtropicais com temperaturas ainda favoráveis.
- Partes do norte da América do Sul.
- Regiões do norte da África e do golfo do México.
Como a redução da luz solar mudou as condições de sobrevivência?
Os pesquisadores simularam cenários de escurecimento atmosférico após o impacto. A intensidade da redução da luz mudou a extensão de ambientes considerados adequados para os crocodiliformes.
Por que os dinossauros não avianos sofreram mais com a crise?
Modelagens anteriores da equipe indicavam uma retração muito maior dos habitats climáticos adequados para dinossauros não avianos. Para os parentes dos crocodilos, a preferência antiga por ambientes quentes coincidiu com áreas que teriam resistido melhor ao chamado inverno de impacto.

Isso não significa que todos os crocodiliformes sobreviveram, nem que a temperatura explique sozinha a extinção dos dinossauros. A pesquisa compara a disponibilidade de habitat sob condições climáticas simuladas; sobreviver também dependia dos ecossistemas e do acesso a alimento.
Quais outras características podem ter ajudado esses animais?
Os autores destacam que diferentes adaptações poderiam ter contribuído, além da localização geográfica. Nenhuma delas, isoladamente, garante a sobrevivência de uma espécie durante uma extinção em massa:
- Menor porte corporal em parte das linhagens sobreviventes.
- Hábitos semiaquáticos, com acesso a redes alimentares distintas.
- Dietas flexíveis quando recursos habituais se tornavam escassos.
- Metabolismo ectotérmico, associado a menores necessidades energéticas.
Os refúgios tropicais ajudam a explicar a persistência dos crocodilos
O levantamento divulgado pela UCL também mostra que parentes dos crocodilos chegaram à Antártida em fases muito quentes, mas recuaram em direção aos trópicos quando o planeta esfriou. A conservação dessa preferência climática ocorreu ao longo de uma história evolutiva marcada por exceções.
Esse padrão tem consequências atuais: se as espécies dependem de alcançar habitats favoráveis, estradas, cidades e atividades agrícolas podem dificultar seus deslocamentos. O passado sugere uma vantagem histórica dos refúgios quentes, mas não assegura proteção diante das mudanças ambientais de hoje.
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