O albatroz que foi introduzido em 1956 e ainda cria filhotes aos 75 anos desafia tudo o que se sabe sobre a longevidade das aves
O albatroz que foi introduzido em 1956 e ainda cria filhotes aos 75 anos desafia tudo o que se sabe sobre a longevidade das aves
Em 1956, um biólogo identificou um albatroz-de-laysan em uma ilha do Pacífico sem imaginar que aquela marcação ajudaria a acompanhar uma das trajetórias mais extraordinárias já registradas entre as aves selvagens.
Conhecida como Wisdom, a fêmea tinha cerca de 75 anos em 2025 e continuava retornando ao atol de Midway para se reproduzir, surpreendendo pesquisadores e oferecendo pistas importantes sobre o envelhecimento desses animais.
Como o albatroz identificado em 1956 se tornou um recordista?
Em 10 de dezembro de 1956, o biólogo Chandler Robbins colocou uma anilha na pata da ave, permitindo que ela fosse reconhecida em observações futuras. Na época, Wisdom já tinha pelo menos cinco anos, idade em que a espécie pode começar a se reproduzir.
O reencontro com a ave décadas depois revelou uma longevidade excepcional. Enquanto muitos albatrozes vivem cerca de 40 anos ou menos, Wisdom ultrapassou essa marca com ampla vantagem e continuou frequentando a colônia reprodutiva.
Quantos filhotes Wisdom criou ao longo de sua vida?
A trajetória da fêmea impressiona não apenas pela idade, mas também pelo sucesso reprodutivo acumulado durante décadas. Segundo os registros divulgados sobre o animal, seus números incluem:
- Entre 50 e 60 ovos: estimativa da quantidade que ela colocou ao longo da vida.
- Até 30 filhotes criados: aves que chegaram à fase de deixar o ninho.
- Mais de sete décadas de acompanhamento: período que transformou Wisdom em um caso excepcional para a observação científica.
Esses números ajudam a dimensionar a importância da ave para os pesquisadores que estudam a reprodução e a sobrevivência dos albatrozes.
Chamada de “Wisdom”, albatroz-de-laysan fêmea que habita ilha no Oceano Pacífico é monitorada por biólogos desde 1956. Confira: https://t.co/Fvyyikh6KJ #terradagente #aves #birds #animais #fauna #albatroz https://t.co/5tcHD5dSwb
— Terra da Gente (@terradagente) December 6, 2024
Por que essa espécie consegue percorrer distâncias tão grandes?
Os albatrozes passam grande parte da vida em mar aberto, aproveitando correntes de ar para planar por longos períodos e economizar energia. Com envergadura próxima de dois metros, conseguem percorrer grandes distâncias em busca de alimento.
Entre as características que favorecem esse estilo de vida estão:
- Asas longas: permitem aproveitar o vento para planar com eficiência.
- Vida predominantemente oceânica: possibilita buscar alimento longe das áreas de reprodução.
- Retorno à colônia: os adultos voltam periodicamente para formar casais, incubar ovos e alimentar os filhotes.
Apesar da habilidade no ar, essas aves apresentam movimentos desajeitados em terra e precisam de condições favoráveis para decolar.

Como Wisdom ainda consegue se reproduzir na velhice?
Os albatrozes formam vínculos duradouros e costumam reencontrar seus parceiros nas colônias a cada temporada. O ritual de aproximação envolve vocalizações, movimentos da cabeça e estalos de bico, comportamentos que ajudam na manutenção dos vínculos entre os indivíduos.
Em janeiro de 2025, quando tinha aproximadamente 74 anos, Wisdom já havia conseguido fazer um filhote nascer. Na reprodução da espécie, os pais se alternam na incubação do único ovo, que pode durar mais de dois meses, e depois alimentam o filhote com alimento regurgitado.
O que a história de Wisdom revela sobre as ameaças aos albatrozes?
O atol de Midway abriga uma das maiores concentrações de albatrozes do planeta. A presença de uma fêmea acompanhada durante tantas décadas permite investigar como a idade afeta a reprodução e a sobrevivência, além de mostrar os desafios ambientais enfrentados pela espécie.
Entre as principais ameaças estão:
O que ameaça a sobrevivência dos albatrozes?
A história de Wisdom chama atenção para os riscos ambientais que podem comprometer o futuro dessas aves oceânicas.
Três fatores ajudam a explicar por que a conservação dos albatrozes depende também da proteção dos oceanos e das áreas onde essas aves se reproduzem.
Poluição por plástico
Filhotes podem ingerir fragmentos de plástico confundidos com alimento, o que pode prejudicar sua saúde e seu desenvolvimento.
Elevação do nível do mar
O avanço das águas pode reduzir ou alterar áreas costeiras baixas usadas pelas aves para construir ninhos e criar seus filhotes.
Desequilíbrio marinho
Mudanças nos ecossistemas oceânicos podem afetar a disponibilidade de presas e dificultar a alimentação dos adultos e de seus filhotes.
A longevidade de Wisdom é extraordinária, mas sua história também evidencia a importância de proteger os habitats oceânicos. Cada novo retorno da ave oferece aos cientistas outra oportunidade de acompanhar um animal que atravessou gerações e continua contribuindo para o conhecimento sobre a vida selvagem.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)