Neurocientista Andrea Bariselli sobre nossos objetivo: “A vida virou uma performance. Ser um ninguém, hoje, é uma forma de liberdade”
Durante anos, a ideia de ser especial foi apresentada como um objetivo de vida
Durante anos, a ideia de ser especial foi apresentada como um objetivo de vida. Hoje, segundo o neurocientista e psicólogo Andrea Bariselli, essa busca pode ter se transformado em uma corrida permanente para provar valor, mostrar resultados e transformar até momentos de descanso em uma espécie de performance.
Por que tanta gente sente que precisa ser especial?
Para Bariselli, trabalho, lazer, viagens, relacionamentos e até os livros que lemos passaram a ser influenciados pela necessidade de demonstrar alguma coisa.
As redes sociais aumentaram essa pressão ao expor modelos de sucesso sem mostrar, na mesma proporção, suas fragilidades.
O resultado pode ser uma rotina acelerada, na qual a pessoa faz cada vez mais coisas, mas nem sempre consegue explicar por que está fazendo aquilo ou qual sentido essas atividades têm em sua vida.
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Il neuroscienziato Andrea Bariselli: «La vita è diventata una performance. Essere nessuno, oggi, è una forma di libertà».
— Piergiulio (@Piergiulio58) September 30, 2026
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Quais sinais mostram que o objetivo de vida virou uma corrida?
O problema não estaria apenas na quantidade de compromissos, mas na dificuldade de estar verdadeiramente presente.
Bariselli descreve uma espécie de corrida contínua, sem tempo suficiente para recuperação, que pode fazer experiências importantes passarem quase despercebidas.
Alguns comportamentos ajudam a entender essa lógica:
O que significa escolher objetivo de vida mais “unspecial”?
O conceito apresentado no livro Unspecial não significa abandonar objetivos ou deixar de buscar realização. A proposta é questionar a obrigação de transformar tudo em algo extraordinário e reconhecer valor também nas experiências comuns.
Para Bariselli, assumir conscientemente as próprias escolhas, inclusive os dias repetitivos e aparentemente banais, pode representar uma forma de liberdade diante das expectativas externas.
Confira um seminário apresentado por Bariselli no vídeo abaixo do canal “TEDx Talks“
Por que aceitar ser esquecido pode ser libertador?
Outro ponto central da reflexão envolve a morte e o desejo humano de deixar uma marca permanente. Bariselli argumenta que ninguém consegue escapar do fim e que a tentativa de garantir uma lembrança eterna pode aumentar uma pressão que não precisa existir.
Aceitar que a própria passagem pelo mundo não será necessariamente lembrada por todos pode, nessa visão, devolver atenção ao presente e às relações que realmente fazem parte da vida.
Como recuperar o controle da própria rotina?
Em vez de oferecer uma fórmula universal, Bariselli defende recuperar hábitos básicos que frequentemente são sacrificados pela aceleração cotidiana. A ideia é reconstruir a rotina a partir das necessidades do próprio corpo e das relações.
Entre os exemplos citados pelo neurocientista estão dormir uma noite inteira, caminhar, encontrar pessoas queridas, tomar um café com um amigo e reservar momentos para simplesmente estar presente.
Para ele, essas ações aparentemente simples podem ajudar a recuperar a noção de equilíbrio que a vida acelerada fez muita gente perder.
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