Navio de guerra sueco afundou apenas 20 minutos depois de sair do porto em 1628 porque era alto demais para a própria largura, e o Vasa só voltou à superfície 333 anos depois
Erros de projeto e a força do vento derrubaram a imponência naval sueca em sua viagem inaugural na Estocolmo do século XVII.
Em 1628, a construção do navio de guerra Vasa representava o ápice do poderio militar da Suécia nos mares do norte. No entanto, erros de cálculo na estrutura provocaram o naufrágio precoce da embarcação em sua viagem inaugural diante do porto de Estocolmo.
Por que o navio de guerra Vasa afundou tão rápido?
O rei Gustavo II Adolfo ordenou a alteração do projeto original para incluir uma segunda coberta cheia de canhões pesados. Essa modificação improvisada, realizada sem ampliar a largura do casco, elevou perigosamente o centro de gravidade e tornou a embarcação extremamente instável na água.
Apenas 20 minutos após a partida, uma rajada de vento moderada inclinou a nau para o lado de bombordo. A água do mar entrou rapidamente pelas aberturas abertas das baterias inferiores de canhões, acelerando a submersão e provocando o naufrágio completo a 1.200 metros do porto.

Quais falhas técnicas comprometeram a estabilidade do navio?
Os construtores navais da época não dispunham de cálculos matemáticos para avaliar o centro de massa de navios gigantescos. A estrutura ostentava 69 metros de comprimento total, mas sua boca era estreita demais para equilibrar o peso das 64 peças de canhões de bronze montadas.
Além disso, o espaço reduzido no porão impediu o assentamento da quantidade necessária de pedras de lastro. Sem peso suficiente na parte inferior para balançar as altas superestruturas decoradas com esculturas, o equilíbrio dinâmico da nau ficou irremediavelmente comprometido durante qualquer manobra no mar.
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Na tabela abaixo, veja um resumo comparativo das especificações da embarcação:
Como o Vasa permaneceu preservado por 333 anos?
As águas geladas e de reduzida salinidade do Mar Báltico impediram a proliferação do molusco Teredo navalis. Esse organismo perfurador costuma devorar rapidamente cascos de madeira em oceanos mais quentes, garantindo a perfeita integridade biológica da estrutura do navio ao longo dos séculos.
Ao mesmo tempo, uma espessa camada de lama anóxica no leito marinho envolveu o casco, bloqueando o contato com o oxigênio e a degradação por bactérias. Essa combinação de fatores ambientais raros preservou milhares de esculturas entalhadas e tábuas de carvalho em estado impecável.
A seguir, os principais fatores que garantiram a conservação da madeira:
- Ausência de moluscos xilófagos: a salinidade impediu a infestação destruidora.
- Sedimentação anóxica: a lama do fundo bloqueou a ação do oxigênio.
- Baixa temperatura marinha: o frio desacelerou a decomposição biológica natural.
Como ocorreu o resgate e conservação dessa embarcação?
Em 1956, o pesquisador Anders Franzén localizou a posição exata da embarcação a 32 metros de profundidade. Uma complexa operação de engenharia subaquática utilizou cabos de aço e túneis escavados sob a estrutura para erguer o navio com segurança até a superfície em 1961.
Estudos publicados pela UNESCO detalham o longo processo de conservação que aplicou polietilenoglicol para substituir o excesso de água nas fibras da madeira. Atualmente, a relíquia histórica permanece em exibição contínua em Estocolmo, atraindo visitantes de todo o planeta.
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