Nasce um dos marsupiais mais raros do mundo
O nascimento de um filhote de canguru-arborícola-de-goodfellow em um zoológico do Reino Unido chamou a atenção da comunidade científica
O nascimento de um filhote de canguru-arborícola-de-goodfellow em um zoológico do Reino Unido chamou a atenção da comunidade científica, graças ao uso inovador de uma “câmera de bolsa” que registrou, em detalhes raramente vistos, o desenvolvimento do joey dentro da bolsa da mãe, apoiando programas de conservação dessa espécie ameaçada.
O que é o canguru-arborícola-de-goodfellow
O canguru-arborícola-de-goodfellow (Dendrolagus goodfellowi) é um marsupial nativo das florestas úmidas de Papua-Nova Guiné, adaptado à vida nas copas das árvores.
Possui membros posteriores fortes, cauda longa e musculosa e garras adequadas para subir e se equilibrar entre os galhos.
É um animal de hábitos solitários, que pode descansar nas árvores por até 16 horas por dia, muitas vezes com a cabeça voltada para baixo para escoar a água da chuva.
Esses comportamentos, aliados ao ambiente florestal denso, tornam a espécie discreta e pouco observada na natureza.

Como funciona a câmera de bolsa na reprodução da espécie
No zoológico do Reino Unido, pequenas câmeras endoscópicas foram posicionadas para registrar o interior da bolsa da fêmea, permitindo acompanhar o desenvolvimento do filhote entre outubro e dezembro.
Assim, foi possível verificar saúde, crescimento e até o sexo do animal sem interferir diretamente na mãe.
Além das imagens, o zoológico utilizou monitoramento hormonal para definir o melhor momento de emparelhar macho e fêmea, otimizando as chances de fecundação.
Esses dados visuais e laboratoriais oferecem base concreta para manejo reprodutivo mais preciso em outros centros de conservação.
- Acompanhamento em tempo real do desenvolvimento do filhote;
- Identificação precoce de possíveis problemas de saúde;
- Ajuste de protocolos de manejo com base em dados objetivos;
- Compartilhamento de conhecimento com instituições parceiras.
Por que o canguru-arborícola-de-goodfellow está ameaçado
O canguru-arborícola-de-goodfellow sofre com a perda e a degradação das florestas tropicais, que reduzem áreas de alimentação, reprodução e abrigo.
Sua taxa de reprodução é relativamente baixa, o que dificulta a recuperação populacional após declínios.
Como possui distribuição limitada em regiões específicas de Papua-Nova Guiné, a espécie é especialmente sensível a mudanças ambientais regionais.
Por isso, organizações de conservação atuam com comunidades locais para preservar florestas e valorizar o canguru-arborícola como parte do patrimônio natural.
Quais são as principais ações de conservação em andamento
As ações de conservação combinam proteção de habitat, trabalho comunitário e ciência aplicada.
Em campo, o monitoramento populacional busca identificar tendências de declínio e orientar medidas de proteção imediatas.
- Proteção de florestas nativas e corredores ecológicos;
- Programas de educação ambiental com comunidades locais;
- Monitoramento populacional sistemático em áreas de ocorrência;
- Reprodução em cativeiro para manter diversidade genética.
Como a reprodução em cativeiro ajuda no futuro da espécie
Entre 20 e 25 zoológicos no mundo participam de programas de cuidado ou reprodução do canguru-arborícola-de-goodfellow, geralmente com apenas um casal por instituição.
Essa distribuição controlada ajuda a evitar cruzamentos entre indivíduos aparentados e a manter diversidade genética.
Equipes multidisciplinares definem dietas, ambientes enriquecidos e protocolos de saúde específicos, apoiados por ferramentas como “pouch cam” e análises hormonais.
O conhecimento gerado sobre fases iniciais da vida pode sustentar, no futuro, projetos de reintrodução em florestas seguras, fortalecendo as populações selvagens da espécie.
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