Nas águas geladas do Ártico, este predador consegue localizar focas escondidas sob a neve e o gelo usando principalmente o olfato antes de quebrar a superfície para alcançar a presa
Olfato, emboscadas e buracos de respiração mostram como a caça às focas depende das condições do gelo marinho no Ártico
Sobre o gelo marinho do Ártico, o urso-polar (Ursus maritimus) depende principalmente de focas para obter a grande quantidade de gordura necessária ao seu metabolismo. Em vez de simplesmente perseguir esses animais pela superfície, ele combina olfato apurado, paciência e ataques de emboscada em buracos de respiração, fendas no gelo e abrigos cobertos por neve. O sucesso, porém, varia drasticamente conforme a estação e as condições do gelo marinho.
Como o urso-polar encontra focas escondidas sob a neve?
Focas-aneladas constroem e mantêm aberturas no gelo para respirar e, durante a primavera, podem utilizar cavidades protegidas pela neve para dar à luz e cuidar dos filhotes. Ursos-polares procuram esses locais enquanto caminham pelo gelo, utilizando principalmente pistas olfativas e, possivelmente, informações auditivas para determinar se existe uma presa escondida.
Quando identifica uma toca de foca sob a neve, o urso pode atacar diretamente a cobertura com as patas dianteiras e o peso do corpo. Isso não significa que consiga encontrar toda foca enterrada nem que o olfato determine perfeitamente sua posição: a eficiência depende de vento, neve, distribuição das presas e características locais do gelo.
O que acontece quando uma foca precisa subir para respirar?
Durante o inverno, focas-aneladas mantêm vários buracos de respiração abertos no gelo. O urso pode localizar uma dessas aberturas e permanecer imóvel durante bastante tempo, esperando que a foca retorne à superfície. Quando ela aparece para respirar, o predador tenta agarrá-la rapidamente antes que desapareça novamente sob o gelo.
Essa técnica é conhecida como caça de espera e reduz a necessidade de correr longas distâncias atrás da presa. Entre as principais estratégias documentadas estão:
- Esperar junto a buracos de respiração;
- Aproximar-se de focas descansando sobre o gelo;
- Procurar filhotes em abrigos cobertos por neve;
- Caçar próximo a fendas e áreas de água aberta;
- Aproveitar oportunidades envolvendo outras presas marinhas.
Este vídeo da BBC Studios mostra um urso-polar esperando focas que utilizam buracos de respiração no gelo.
Por que o urso-polar não depende apenas da visão para caçar?
No Ártico, períodos de pouca luminosidade, neve, vento e obstáculos podem tornar a visão insuficiente. O olfato oferece informações que continuam úteis mesmo quando a presa está fora do campo visual ou sob uma camada de neve. Especialistas também apontam que a audição pode auxiliar na avaliação de abrigos ocupados por focas.
Apesar da fama do olfato extraordinário, números populares sobre focas detectadas a quilômetros de distância devem ser tratados com cautela quando não estão associados a experimentos específicos. Há registros oficiais de detecção de carcaças a grandes distâncias, mas isso não equivale necessariamente à localização de uma pequena foca sob neve espessa.
Por que a primavera costuma oferecer melhores oportunidades de caça?
A disponibilidade de presas não permanece constante durante o ano. No fim da primavera e início do verão, focas passam mais tempo associadas à superfície para reprodução, cuidado dos filhotes e muda, criando oportunidades adicionais para os ursos. Estudos indicam que o sucesso alimentar pode atingir seu pico nesse período.
Essa fase é especialmente importante porque a gordura acumulada pode sustentar o animal durante períodos posteriores em que as focas ficam menos acessíveis. Como são predadores de emboscada, os ursos dependem de encontros favoráveis e podem realizar numerosas tentativas sem conseguir capturar uma presa.

Como o gelo marinho controla a caça do urso-polar?
O gelo funciona como uma plataforma que coloca o predador ao alcance das focas, especialmente sobre águas relativamente rasas e produtivas da plataforma continental. O U.S. Geological Survey destaca que a alimentação é uma das funções vitais mais diretamente ligadas ao gelo marinho, porque é dessa superfície que os ursos conseguem acessar suas principais presas.
Quando o gelo recua, fragmenta-se ou permanece distante das regiões produtivas, as oportunidades de caça podem diminuir e os períodos de jejum aumentar. O efeito não é idêntico em todas as populações, pois as condições de gelo variam bastante entre diferentes regiões do Ártico.
| Condição | Efeito sobre a caça |
|---|---|
| Buracos de respiração | Criam pontos previsíveis para emboscadas |
| Fendas no gelo | Facilitam o acesso das focas à superfície |
| Primavera | Aumenta a disponibilidade de filhotes e focas na superfície |
| Menor acesso ao gelo | Pode reduzir oportunidades de capturar focas |
O urso-polar consegue substituir as focas por alimentos encontrados em terra?
Ursos-polares podem consumir aves, ovos, pequenos mamíferos, vegetação e carcaças quando estão disponíveis. Entretanto, a maior parte desses alimentos terrestres é menos energética e previsível do que a gordura de mamíferos marinhos, tornando difícil substituir integralmente a alimentação obtida por meio da caça de focas.
Por isso, a relação entre predador e gelo marinho é tão estreita. O olfato ajuda a encontrar a oportunidade, e a força permite romper neve ou atacar rapidamente, mas é a presença de um ambiente congelado adequado que aproxima o urso de suas presas e torna possível grande parte de sua estratégia de caça.
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