Mundo gelado mudou sistema solar inteiro e tirou Plutão da lista de planetas
Superfície refletiva sugere ciclo de congelamento que recicla atmosfera ao longo dos séculos
Durante décadas, o sistema solar parecia um lugar bem organizado: oito planetas principais, Plutão como o “diferentão” na borda, e nada mais muito chamativo. Mas a descoberta de Eris, um mundo gelado e distante, virou esse mapa de cabeça para baixo e obrigou os astrônomos a rever o que realmente significa a palavra planeta.
Como um ponto de luz invisível mudou o sistema solar?
A história de Eris começa no Observatório Palomar, na Califórnia, quando Mike Brown e sua equipe resolveram fazer um “censo” dos objetos além de Netuno. Eles vasculhavam imagens digitais em busca de qualquer coisinha que se movesse devagar no céu, sinal de algo muito distante do Sol.
Em dados antigos de 2003, reaproveitados em 2005, surgiu um ponto de luz quase parado em meio às estrelas fixas, discreto, mas brilhante o suficiente para indicar algo grande e muito longe. Esse objeto recebeu o nome provisório 2003 UB313 e, inicialmente, parecia maior e mais massivo que Plutão.

Eris é planeta, planeta anão ou algo no meio do caminho?
A grande polêmica começou porque as primeiras estimativas mostravam que Eris era mais massiva que Plutão. Se Plutão era planeta, Eris também teria que ser. A União Astronômica Internacional precisou votar, em 2006, uma definição oficial de planeta para acabar com o impasse.
- Venceu a ideia de que um planeta, além de orbitar o Sol e ser quase esférico, precisa “limpar a vizinhança”, dominando gravitacionalmente sua órbita.
- Plutão e Eris não cumprem esse terceiro requisito, por compartilharem sua região com muitos outros objetos.
- Foram colocados em uma categoria separada: os planetas anões.
O que torna Eris tão diferente lá nos confins do sistema solar?
Enquanto Plutão vive no cinturão de Kuiper, Eris mora ainda mais longe, no chamado disco disperso, uma região caótica cheia de órbitas excêntricas. A órbita de Eris é uma elipse extrema, levando cerca de 557 anos terrestres para dar uma volta completa em torno do Sol.
Medidas feitas em 2010, durante uma ocultação estelar, mostraram que Eris tem um diâmetro muito próximo ao de Plutão, mas com 27% mais massa e densidade maior. Sua superfície é incrivelmente refletiva, com albedo em torno de 0,99, o que sugere um “ciclo” de atmosfera que congela e descongela ao longo de sua órbita.
Quer ver como Eris mudou a astronomia? Assista ao vídeo abaixo:
Que outras curiosidades cercam Eris, sua lua e o futuro das explorações?
Uma das reviravoltas mais marcantes na história de Eris foi a descoberta de sua lua, chamada Dysnomia, em 2005. O satélite, bem menor e muito mais escuro que Eris, ajudou os astrônomos a medir a massa do planeta anão com precisão, usando as leis de Kepler aplicadas à sua órbita de cerca de 16 dias.
A descoberta de Eris não “acabou” com Plutão, mas revelou uma nova família de mundos gelados além dos gigantes gasosos, criando um “terceiro reino” no sistema solar, dominado por planetas anões. Como as viagens até lá levariam décadas, muitos mistérios seguem em aberto.
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