Mulher vira a única moradora de uma cidade abandonada e tenta transformar as ruínas no começo de uma nova comunidade
Ela trocou Chicago por um povoado vazio no deserto e começou a recuperar casas antigas para receber artistas de diferentes lugares
Em uma área árida do estado de Utah, nos Estados Unidos, casas quebradas, veículos enferrujados e antigas estruturas ferroviárias permaneciam espalhados pelo deserto. Foi nesse cenário praticamente esquecido que uma mulher decidiu enxergar possibilidades onde quase todos viam apenas ruínas, iniciando uma experiência de isolamento, reconstrução e criação artística.
Por que alguém escolheria morar sozinha entre prédios abandonados?
A ideia de viver em uma cidade fantasma pode parecer atraente durante uma visita rápida, mas a realidade envolve silêncio constante, falta de serviços básicos e construções em condições perigosas. O local não possuía uma comunidade organizada, comércio funcionando ou vizinhos próximos para ajudar em emergências e tarefas diárias.
Ainda assim, a paisagem oferecia algo difícil de encontrar em grandes cidades: espaço, liberdade e materiais abandonados que poderiam ser reaproveitados. Para uma pessoa interessada em arte e construção, os restos de casas, máquinas e objetos descartados não representavam apenas lixo, mas partes de uma história que ainda poderiam receber novas funções.
Quem transformou a cidade fantasma de Cisco em seu novo lar?
A mulher era Eileen Muza, artista visual que deixou Chicago e comprou uma propriedade em Cisco, no estado de Utah, em 2015. Na época retratada pelo vídeo, ela era considerada a única moradora permanente do antigo povoado e trabalhava para recuperar estruturas deterioradas usando ferramentas, materiais encontrados no próprio terreno e soluções aprendidas durante o processo.
Entre os principais desafios enfrentados estavam:
- Reformar uma cabana para torná-la habitável
- Retirar grandes quantidades de lixo acumulado
- Reaproveitar madeira, metal e objetos antigos
- Conviver com temperaturas extremas do deserto
- Manter água, energia e comunicação disponíveis
- Proteger as construções contra novos danos
- Criar espaços capazes de receber outros artistas
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Para complementar o tema, o canal VICE apresenta o vídeo “Population of One: Living Alone in an Abandoned Ghost Town”. O material acompanha Eileen Muza em Cisco, mostra sua rotina entre as ruínas e explica o plano de transformar parte da propriedade em uma residência artística:
A mudança não aconteceu porque a cidade oferecia conforto ou segurança imediata. Eileen precisou aprender a realizar reparos, selecionar o que ainda poderia ser aproveitado e conviver com a ausência de infraestrutura comum. O projeto cresceu gradualmente, conforme uma construção era recuperada e novos espaços começavam a ganhar utilidade.
Como Cisco passou de parada movimentada a cidade abandonada?
Cisco surgiu na década de 1880 como ponto de apoio da ferrovia Denver and Rio Grande Western. As locomotivas a vapor precisavam parar para receber água, enquanto trabalhadores, viajantes, criadores de gado e pastores de ovelhas utilizavam o povoado como centro de abastecimento e transporte de mercadorias.
Com o tempo, hotéis, lojas, restaurantes e postos de combustível apareceram ao redor da ferrovia e das estradas. O declínio começou quando as locomotivas a vapor foram substituídas e Cisco perdeu sua função estratégica. A construção da rodovia Interestadual 70, desviando grande parte do movimento, acelerou o abandono e deixou os negócios sem clientes suficientes.
O que ainda existia na cidade fantasma de Cisco?
Quando Eileen chegou, o lugar preservava diferentes camadas de seu passado. Havia cabanas parcialmente destruídas, um antigo correio, carros abandonados, equipamentos ligados à exploração de petróleo e estruturas deterioradas pela exposição ao vento, ao sol e às mudanças de temperatura do deserto.
| Elemento encontrado | Condição observada | Possível novo uso |
|---|---|---|
| Cabana de madeira | Estrutura antiga que exigia reparos | Moradia permanente |
| Veículos e máquinas | Enferrujados e sem funcionamento | Instalações e materiais artísticos |
| Casas abandonadas | Algumas instáveis ou parcialmente destruídas | Ateliês após recuperação segura |
| Madeira descartada | Espalhada pelo terreno | Móveis, paredes e acabamentos |
| Ônibus e trailers | Antigos e necessitando manutenção | Hospedagem e espaços criativos |
O projeto foi chamado de Home of the Brave, uma residência artística criada para reaproveitar o antigo povoado e oferecer liberdade criativa a visitantes. A proposta não era reconstruir Cisco como uma réplica turística do Velho Oeste, mas preservar sua aparência, utilizar o que já existia e permitir que diferentes pessoas acrescentassem novas histórias ao local.
Como é viver sem uma comunidade ao redor?
O isolamento oferece tranquilidade, mas também aumenta a responsabilidade sobre cada problema. Um reparo simples pode se tornar complicado quando a loja mais próxima está distante. Falhas em equipamentos, mudanças no clima e situações de emergência precisam ser consideradas com antecedência, porque não existe uma rede de vizinhos disponível a poucos metros.
Ao mesmo tempo, Eileen não permanecia completamente desconectada do mundo. A propriedade recebia viajantes, amigos e artistas interessados em conhecer Cisco. A chegada dessas pessoas fazia parte do objetivo maior de criar uma comunidade temporária, formada não por moradores tradicionais, mas por participantes que colaboravam com obras e experiências.

A cidade fantasma de Cisco conseguiu iniciar uma nova comunidade?
O projeto de Eileen começou como uma tentativa individual, mas evoluiu para um programa de residência artística. Pessoas passaram a visitar o local para produzir trabalhos, contribuir com reformas e experimentar uma rotina distante dos centros urbanos. Dessa maneira, Cisco deixou de ser apenas um conjunto de estruturas abandonadas e voltou a receber atividade humana.
A cidade fantasma de Cisco não recuperou a população e os serviços de seu período ferroviário, mas ganhou outro significado. Uma única moradora mostrou que ruínas podem servir como ponto de partida para encontros, arte e reaproveitamento, transformando o abandono não em fim definitivo, mas em espaço para uma comunidade construída de maneira completamente diferente.
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