Mineiros pré-históricos abriram poços de 16 metros na pedra e rede subterrânea da Bélgica cobre mais de 100 hectares
Complexo neolítico próximo a Mons reúne milhares de poços, galerias e oficinas usadas para extrair e trabalhar sílex
Muito antes de ferramentas metálicas ou máquinas de escavação, comunidades neolíticas já removiam grandes quantidades de rocha do subsolo europeu. Perto de Mons, na atual Bélgica, as minas de Spiennes formaram um complexo de extração de sílex com mais de 100 hectares, poços que podiam atingir 16 metros de profundidade e milhares de estruturas subterrâneas. A exploração intensiva ocorreu aproximadamente entre o último terço do quinto milênio e a primeira metade do terceiro milênio a.C.
Por que as minas de Spiennes foram abertas no Neolítico?
O objetivo principal era alcançar camadas de sílex presentes nos depósitos de giz dos planaltos de Spiennes. Esse material podia ser lascado de maneira controlada, permitindo produzir instrumentos resistentes e com bordas cortantes. Entre os objetos fabricados estavam lâminas e machados utilizados em diferentes atividades cotidianas.
À medida que os níveis mais acessíveis eram explorados, grupos neolíticos desenvolveram métodos para alcançar depósitos profundos. Não se tratava de uma única mina contínua, mas de uma extensa concentração de poços, fossas, nichos e galerias. Em Petit-Spiennes, uma área de aproximadamente 14 hectares pode ter reunido cerca de 5 mil poços.
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Como os mineiros conseguiam chegar a 16 metros de profundidade?
Os poços mais impressionantes tinham aproximadamente 0,8 a 1,2 metro de diâmetro e podiam alcançar 16 metros. Depois de descer pelo eixo vertical, os trabalhadores abriam pequenas galerias horizontalmente para acompanhar as camadas de sílex existentes no giz.
Nem todas as estruturas possuíam essa profundidade. A arqueologia identificou soluções variadas, desde fossas rasas e pequenas escavações até sistemas profundos com galerias irradiando da base dos poços. Essa diversidade mostra que as técnicas foram adaptadas às condições geológicas encontradas em diferentes setores.
- Poços verticais estreitos;
- Fossas de exploração superficial;
- Nichos escavados no giz;
- Galerias subterrâneas laterais;
- Oficinas de trabalho do sílex.
Um vídeo da UNESCO apresenta o sítio arqueológico e suas estruturas.
Como as minas de Spiennes permitiam retirar enormes blocos de sílex?
Algumas camadas continham grandes placas de sílex que podiam chegar a aproximadamente dois metros de comprimento. Para extraí-las, os mineiros precisavam remover cuidadosamente o giz ao redor e abaixo da rocha, evitando que o bloco se partisse antes de ser liberado.
Uma técnica documentada pela UNESCO envolvia manter temporariamente uma espécie de parede central de giz sob o bloco, instalar suportes, remover essa sustentação natural e depois retirar os apoios para fazer a placa descer de forma controlada. O método revela conhecimento prático sobre o comportamento da rocha e a estabilidade das escavações.
O que as escavações revelam sobre a organização do trabalho?
Os vestígios indicam que a extração e o processamento inicial estavam diretamente relacionados. Fragmentos produzidos durante o lascamento permanecem espalhados na superfície, especialmente em uma área conhecida como Camp à Cayaux, expressão associada à enorme quantidade de restos de pedra encontrada ali.
Segundo a documentação oficial da UNESCO, a produção incluía principalmente machados e lâminas longas que posteriormente podiam ser transformadas em diferentes instrumentos. A relativa padronização de algumas peças sugere artesãos com habilidade considerável no trabalho do sílex, embora a organização social exata da mineração permaneça objeto de interpretação arqueológica.

Por que as minas de Spiennes ocupam uma área tão extensa?
O sítio está distribuído por dois planaltos calcários ao sudeste de Mons. A área inscrita como Patrimônio Mundial possui 172 hectares, enquanto a concentração de estruturas de mineração pré-histórica se estende por mais de 100 hectares. Sob campos agrícolas aparentemente comuns, permanecem numerosos poços e galerias ainda não escavados.
As minas de Spiennes também preservam uma longa sequência tecnológica. A exploração intensiva continuou durante muitos séculos, permitindo observar diferentes maneiras de acessar os depósitos subterrâneos e extrair o sílex sem equipamentos metálicos.
Por que esse complexo pré-histórico se tornou Patrimônio Mundial?
As minas foram inscritas pela UNESCO na Lista do Patrimônio Mundial em 2000. O reconhecimento considera sua dimensão, antiguidade e variedade de técnicas de mineração, além da associação direta entre as áreas de extração e vestígios de ocupação humana do mesmo período.
O sítio também ajuda a compreender como sociedades neolíticas desenvolveram operações subterrâneas complexas usando ferramentas de pedra, madeira e outros recursos disponíveis. Muitas estruturas permanecem preservadas sob o solo, transformando Spiennes em uma importante reserva arqueológica para futuras pesquisas.
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