Milhões de estrelas estão sendo vasculhadas por voluntários numa caça a buracos negros que podem estar escondidos na Via Láctea
Projeto internacional reúne milhares de voluntários para analisar o brilho das estrelas e encontrar possíveis sinais de buracos negros invisíveis
Uma investigação internacional está mobilizando milhares de pessoas para localizar buracos negros na Via Láctea que permanecem invisíveis aos telescópios convencionais. O projeto Black Hole Hunters reúne mais de 23 mil voluntários e utiliza observações da NASA e do SuperWASP. A proposta é identificar pequenas alterações no brilho das estrelas que possam revelar objetos compactos escondidos pela escuridão.
Por que tantos buracos negros na Via Láctea continuam desconhecidos?
Astrônomos estimam que milhões de buracos negros de massa estelar tenham se formado durante a história da nossa galáxia. Entretanto, apenas algumas dezenas foram identificadas individualmente com segurança. A diferença ocorre porque muitos desses objetos não estão consumindo matéria suficiente para produzir radiação facilmente detectável.
Buracos negros podem surgir após o colapso de estrelas massivas. Quando permanecem próximos de outras estrelas, sua gravidade influencia movimentos e trajetórias da luz. Essas alterações oferecem pistas sobre objetos invisíveis e motivaram a criação de um projeto capaz de examinar milhões de observações astronômicas.
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Como voluntários conseguem procurar buracos negros na Via Láctea sem telescópios?
O Black Hole Hunters utiliza a plataforma Zooniverse, especializada em pesquisas colaborativas. Os participantes recebem gráficos que mostram como o brilho de determinadas estrelas varia ao longo do tempo. Depois de uma orientação inicial, precisam identificar padrões que mereçam investigação adicional.
A atividade combina diferentes etapas de análise:
- Algoritmos examinam milhões de registros astronômicos;
- Sistemas automatizados selecionam sinais potencialmente interessantes;
- Voluntários procuram aumentos incomuns de luminosidade;
- Diferentes participantes classificam os mesmos gráficos;
- Astrônomos selecionam candidatos para observações posteriores.
Uma apresentação audiovisual da própria equipe Black Hole Hunters, divulgada pela Universidade de Southampton em novembro de 2025, explica a participação pública na busca. O material é anterior à nova convocação de outubro de 2026.
Como a gravidade de um buraco negro pode aumentar o brilho de uma estrela?
O fenômeno investigado é conhecido como lente gravitacional. A gravidade de um objeto massivo modifica a trajetória da luz proveniente de uma fonte mais distante. Dependendo do alinhamento, a estrela observada pode parecer temporariamente mais brilhante, mesmo sem apresentar uma mudança real em sua emissão.
O projeto procura especialmente um efeito chamado autolente gravitacional, que pode ocorrer quando um buraco negro passa diante de sua estrela companheira. Entretanto, erupções estelares e pulsações também produzem alterações luminosas. Por isso, um aumento de brilho não comprova isoladamente a presença de um buraco negro.
Quem coordena a pesquisa internacional sobre buracos negros invisíveis?
A investigação envolve pesquisadores da Universidade de Southampton e da Open University, no Reino Unido. Entre os responsáveis estão Adam McMaster, Matthew Middleton e Hugh Dickinson. O comunicado oficial da Universidade de Southampton, publicado em 1º de outubro de 2026, apresenta a nova fase da busca.
O projeto começou em 2021, utilizando registros do SuperWASP, levantamento terrestre que monitorou estrelas entre 2004 e 2016. Em janeiro de 2024, passou a analisar também observações do satélite TESS, lançado pela NASA em 2018 para identificar planetas fora do Sistema Solar.

Quantas observações já foram analisadas pelos voluntários do Black Hole Hunters?
Em outubro de 2026, o projeto acumulava aproximadamente 23 mil participantes e mais de 12 milhões de classificações, segundo os dados divulgados sobre a iniciativa. Cada classificação corresponde à avaliação de um registro, não à descoberta de um objeto astronômico.
A escala alcançada demonstra como a participação pública complementa a inteligência artificial. Em novembro de 2025, a Universidade de Southampton já registrava 18.300 voluntários e aproximadamente 7,2 milhões de classificações, evidenciando o crescimento da iniciativa.
| Indicador da pesquisa | Informação registrada |
|---|---|
| Início do projeto | 2021 |
| Nova fase com dados do TESS | Janeiro de 2024 |
| Voluntários em outubro de 2026 | Cerca de 23 mil |
| Classificações acumuladas | Mais de 12 milhões |
| Fontes dos registros | SuperWASP e TESS, da NASA |
O que acontecerá quando os voluntários identificarem possíveis buracos negros?
Os sinais mais promissores serão encaminhados para análises especializadas. Astrônomos poderão utilizar novos espectros, medições de velocidade estelar e observações prolongadas para investigar se existe um companheiro invisível responsável pelas alterações registradas.
A equipe também pretende ampliar a pesquisa utilizando informações de outras missões, incluindo o telescópio Euclid, da Agência Espacial Europeia. O projeto ainda não confirmou novos buracos negros por meio dessas classificações, mas já demonstrou como a colaboração entre pessoas e sistemas computacionais pode reduzir o trabalho necessário para investigar populações astronômicas desconhecidas.
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