Marcas de corte em ossos de animais gigantes mostram pessoas abatendo presas no Chile há até 13 mil anos
Escavações no Chile revelam ferramentas e ossos de gonfotérios manipulados por antigos grupos humanos às margens de um lago desaparecido
Ossos de animais gigantes encontrados no Chile revelaram marcas de corte feitas por ferramentas de pedra há aproximadamente 13 mil anos. As descobertas na antiga bacia do lago Tagua Tagua mostram que grupos humanos processavam carcaças de gonfotérios, parentes extintos dos elefantes, e aproveitavam diferentes recursos naturais no final da última glaciação.
O que os ossos encontrados em Tagua Tagua revelam sobre os primeiros habitantes?
Na região de O’Higgins, no Chile central, existia um grande lago cercado por vegetação e habitado por animais de diferentes tamanhos. Suas margens ofereciam água, alimentos e oportunidades de caça para comunidades humanas que percorriam o território durante o Pleistoceno tardio.
As escavações recentes revelaram concentrações de ossos de gonfotérios associados a instrumentos de pedra. Algumas peças apresentam incisões produzidas durante o processamento das carcaças, demonstrando que pessoas trabalharam diretamente nesses restos. Entretanto, as marcas não comprovam, isoladamente, que todos os animais tenham sido caçados.
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Como os antigos habitantes de Tagua Tagua aproveitavam animais gigantes?
Entre agosto e setembro de 2026, arqueólogos recuperaram uma quantidade expressiva de restos de gonfotérios, incluindo partes de um indivíduo adulto. O esqueleto apresentava evidências de manipulação humana, enquanto ferramentas e resíduos de fabricação estavam espalhados pela área escavada.
Uma descoberta especialmente interessante envolveu um crânio fraturado. Os pesquisadores consideram possível que tenha sido aberto para retirar o cérebro, mas essa interpretação ainda necessita de análises complementares. O conjunto indica aproveitamento das carcaças, sem esclarecer completamente os métodos utilizados para obter os animais.
Os vestígios encontrados ajudam a reconstruir diferentes atividades:
- Ossos de gonfotérios apresentavam marcas de instrumentos cortantes;
- Lascas de pedra indicavam fabricação ou manutenção de ferramentas;
- Fragmentos ósseos estavam concentrados em áreas específicas;
- Restos queimados sugeriam utilização de recursos animais;
- Sedimentos preservavam informações sobre antigas ocupações humanas.

Como os arqueólogos diferenciam marcas humanas de danos naturais?
Uma incisão produzida por ferramenta de pedra pode apresentar características microscópicas diferentes de arranhões provocados por sedimentos, raízes ou dentes de animais. Os pesquisadores analisam profundidade, orientação e formato das marcas para identificar possíveis atividades humanas.
A interpretação fica mais consistente quando existem ferramentas próximas aos ossos e uma distribuição espacial compatível com o processamento de carcaças. Mesmo assim, distinguir caça de aproveitamento de animais encontrados mortos exige outras evidências, como ferimentos associados a armas ou padrões específicos de desmontagem.
Quem coordenou as pesquisas arqueológicas em Tagua Tagua?
O comunicado científico do IPHES-CERCA, publicado em 24 de setembro de 2026, apresentou os resultados preliminares da campanha realizada entre 31 de agosto e 13 de setembro. A investigação foi coordenada por Carlos Tornero, Rafael Labarca e Erwin González-Guarda, com participação de instituições chilenas e espanholas.
Os trabalhos envolveram escavação horizontal, registro tridimensional dos vestígios e peneiramento dos sedimentos. A metodologia permite reconstruir a posição original de ossos e instrumentos, identificando possíveis áreas de atividade. Novas análises deverão esclarecer a cronologia e os processos responsáveis pela formação do depósito.
Quais outros animais dividiam a paisagem com os gonfotérios?
Os grandes proboscídeos não eram os únicos animais disponíveis. Pesquisas na antiga bacia também identificaram cavalos americanos extintos, cervídeos, aves aquáticas, peixes, roedores e anfíbios, mostrando que o ambiente lacustre oferecia recursos variados.
Um estudo publicado em 2024 sobre Taguatagua 3 situou uma ocupação humana entre aproximadamente 12.550 e 12.440 anos atrás. A campanha de 2026 ampliou o conhecimento sobre essa região, mas seus depósitos ainda precisam de datações específicas consolidadas.
| Vestígio arqueológico | Informação obtida |
|---|---|
| Ossos com cortes | Processamento de carcaças |
| Instrumentos de pedra | Atividades tecnológicas humanas |
| Restos queimados | Possível preparo de alimentos |
| Sedimentos antigos | Reconstrução ambiental e cronológica |
O que falta descobrir sobre a exploração da megafauna no Chile?
A área investigada integra uma antiga margem lacustre de aproximadamente 160 metros identificada em levantamentos anteriores. Sua extensão sugere visitas recorrentes de grupos humanos, mas ainda não permite determinar quantas ocupações ocorreram ou quanto tempo separou os diferentes episódios.
As próximas etapas incluem estudos tafonômicos, análises dos materiais recuperados e datações adicionais. Esses resultados poderão esclarecer se os gonfotérios foram caçados ou aproveitados após a morte, além de revelar como comunidades humanas se adaptaram às transformações ambientais que acompanharam o desaparecimento da megafauna sul-americana.
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