Mais de 83 km de duplicações, 132 acessos e 34 passarelas estão previstos para modernizar a rota que termina em um dos maiores portos do Sul
A modernização deve melhorar o acesso a um dos principais pontos de saída de cargas da região
Caminhões carregados de produtos agrícolas e industriais utilizam rodovias do Rio Grande do Sul para chegar ao Porto de Rio Grande, no litoral sul do estado. A Rota Portuária do Sul foi planejada para modernizar esse corredor, com mais de 83 km de duplicações, 132 acessos e 34 passarelas no estudo técnico divulgado pela ANTT. Em setembro de 2026, a proposta avançou na estruturação de uma concessão que passou a reunir aproximadamente 465 km de estradas.
Quais estradas fazem parte da Rota Portuária do Sul?
A Rota Portuária do Sul reúne trechos das rodovias federais BR-116 e BR-392, formando ligações entre o interior gaúcho, o Porto de Rio Grande e a fronteira com o Uruguai.
Na BR-116, o projeto abrange o trecho entre Camaquã e a região da ponte sobre o Rio Jaguarão. Na BR-392, inclui a ligação do Porto Novo, em Rio Grande, ao acesso a Santana da Boa Vista.
Segundo a página técnica da Agência Nacional de Transportes Terrestres, o projeto pretende ampliar a capacidade e melhorar as condições de circulação dessas estradas.
As rodovias fazem parte de um sistema de transporte que atende viagens regionais e deslocamentos de longa distância, incluindo cargas destinadas à atividade portuária.

Por que estão previstos mais de 83 km de duplicações?
Os mais de 83 km de duplicações foram incluídos no estudo inicial para ampliar a circulação nos trechos selecionados. A duplicação cria pistas separadas para sentidos opostos, permitindo organizar melhor o trânsito.
Em segmentos com pista simples, caminhões lentos podem dificultar as ultrapassagens. A construção de uma segunda pista reduz a necessidade de entrar na faixa contrária para passar por esses veículos.
O estudo também apresenta outras intervenções:
- 38,58 km de vias marginais: caminhos paralelos para separar parte do trânsito local.
- Seis correções de traçado: mudanças previstas para adequar trechos da rodovia.
- 132 acessos: ligações entre as pistas principais e outras vias ou propriedades.
- 34 passarelas: estruturas destinadas à travessia de pedestres.
As quantidades pertencem à versão técnica disponibilizada durante a estruturação. A execução efetiva dependerá dos documentos finais da concessão e das etapas aprovadas para cada intervenção.
Como a modernização ajudará o acesso ao Porto de Rio Grande?
O projeto busca melhorar o transporte rodoviário utilizado por cargas que chegam ao Porto de Rio Grande ou seguem dele para outras regiões. A BR-392 é uma das ligações importantes desse percurso.
Uma rodovia com maior capacidade pode facilitar a circulação de caminhões, principalmente nos trechos onde o tráfego de longa distância encontra deslocamentos urbanos e regionais.
A proposta também inclui 188 pontos de ônibus e 16 passagens de fauna no estudo inicial. Esses equipamentos procuram atender necessidades diferentes da simples ampliação de pistas.
A ligação entre diferentes tipos de transporte é importante para movimentar grandes volumes de produtos. Outra intervenção voltada à logística de cargas é a megaobra no Rio Tocantins que prevê remover rochas para facilitar a navegação, uma solução hidroviária para o transporte de mercadorias.
O que mudou no projeto depois da audiência pública de 2026?
A ANTT atualizou a proposta após analisar as contribuições recebidas na audiência pública. O processo resultou em ajustes no alcance da concessão, na modelagem financeira e na organização dos serviços.
O relatório final divulgado pela ANTT em setembro de 2026 apresenta um corredor de 465,032 km, incluindo o acesso aos Molhes da Barra, em Rio Grande.
O mesmo documento passou a prever R$ 7,5 bilhões em investimentos e R$ 5,4 bilhões em custos operacionais durante o contrato de 30 anos.
Esses valores substituem, na modelagem atualizada, as estimativas anteriores de 459,63 km e R$ 6 bilhões em investimentos. A atualização não significa que as obras tenham começado.
Como funcionará a cobrança de pedágio no novo corredor?
A concessão atualizada prevê 12 pórticos de pedágio eletrônico, que identificam os veículos durante a passagem sem exigir paradas em cabines tradicionais.
O modelo é conhecido como free flow. A cobrança prevista considera a distância percorrida nos trechos tarifados, substituindo o funcionamento de praças físicas com preço fixo por passagem.
A proposta também considera investimentos em atendimento e fiscalização. Durante a revisão da audiência, a ANTT incorporou a previsão de uma terceira base da Polícia Rodoviária Federal na região e de mais equipamentos de comunicação.
As tarifas e as condições definitivas de operação dependerão dos documentos aprovados e da contratação da futura concessionária.
Quando as obras da Rota Portuária do Sul vão começar?
Até outubro de 2026, a Rota Portuária do Sul continua em fase de estruturação da concessão. A ANTT aprovou o relatório final da audiência pública e encaminhou o Plano de Outorga ao Ministério dos Transportes.
As próximas etapas incluem os procedimentos necessários para a licitação, a seleção da empresa responsável e a formalização do contrato. Não existe confirmação de que as duplicações previstas tenham sido iniciadas como parte da nova concessão.
O projeto reúne melhorias que deverão ser distribuídas por diferentes pontos das BR-116 e BR-392. Portanto, os 83 km de duplicações não representam uma única estrada nova construída de ponta a ponta.
A transformação esperada depende da execução futura dessas intervenções e da conservação das vias já existentes. Para a logística portuária gaúcha, o resultado pretendido é manter caminhos rodoviários mais adequados ao movimento de caminhões entre o interior, o porto e a fronteira.
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