Mais de 50 anos depois, refletores deixados na Lua ainda permitem medir a distância entre a Terra e o satélite com precisão milimétrica
A precisão da medição saltou de cerca de 8 metros em 1969 para menos de 2 milímetros hoje

O que você vai ver
- Quais missões deixaram refletores na superfície da Lua e quantos existem hoje.
- Como funciona a medição por tempo de ida e volta de um pulso de laser.
- De que precisão os cientistas partiram em 1969 e onde chegaram hoje.
- Quais observatórios na Terra continuam disparando laser contra a Lua.
- Para que mais serve, além de medir distância, esse arquivo de dados acumulado.
Painéis de espelhos deixados na superfície da Lua por astronautas há mais de meio século continuam devolvendo pulsos de laser disparados da Terra, permitindo medir a distância entre os dois corpos celestes com precisão de poucos milímetros.
Quais missões deixaram refletores na Lua?
Os astronautas da Apollo 11 instalaram o primeiro desses painéis de prismas em 1969, seguidos pelas tripulações da Apollo 14 e da Apollo 15. Um quinto refletor, construído por pesquisadores franceses, viaja a bordo do rover soviético não tripulado Lunokhod 2. Ao todo, cinco desses conjuntos de espelhos, chamados de refletores de canto, foram levados à Lua entre 1969 e o início dos anos 1970.
A apolo 11 fotografada pelos EUA, Índia, Coreia do Sul, Japão e China https://t.co/WvFfgqz8W6
— Ouriço de cartola (@cegadede) July 22, 2024
Como funciona a medição por laser?
O princípio é simples: observatórios na Terra disparam pulsos de laser em direção aos refletores lunares, que devolvem a luz exatamente na direção de onde ela veio, e o tempo que o pulso leva para ir e voltar revela, com grande precisão, a distância exata entre o ponto de disparo na Terra e aquele refletor específico na superfície da Lua naquele instante.
De que precisão os cientistas partiram e onde chegaram?
Nos primeiros meses de operação, em agosto de 1969, a equipe de medição conseguiu estabelecer a distância até a Lua com uma precisão de cerca de 8 metros por disparo. Décadas de refinamento depois, o sistema atual, batizado de APOLLO, registra entre 2006 e 2020 uma precisão mediana noturna de cerca de 1,7 milímetro, resultado considerado significativamente melhor do que qualquer outra estação de medição a laser lunar em operação.
Quais observatórios continuam disparando laser contra a Lua?
Hoje, quatro telescópios localizados em observatórios no Novo México, na França, na Itália e na Alemanha disparam lasers regularmente contra os refletores deixados na Lua, permitindo medir a distância entre os dois corpos com margem de apenas alguns milímetros de diferença, décadas depois de os próprios equipamentos terem sido instalados na superfície lunar.

Para que mais serve esse arquivo de dados?
Além de revelar o afastamento gradual da Lua em relação à Terra, da ordem de poucos centímetros por ano, o acervo de medições acumulado ao longo de mais de cinco décadas permite testar teorias fundamentais da física, como a gravidade e a simetria de Lorentz, além de ajudar a entender melhor propriedades internas do próprio satélite natural da Terra.
Equipamentos antigos que continuam gerando dados científicos relevantes décadas depois também aparecem no relato sobre o catalisador de prata que manteve desempenho estável por 100 horas seguidas na conversão de CO2.
Mais detalhes sobre o experimento estão disponíveis na reportagem original da NASA.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)