Mais de 200 mil barris radioativos foram abandonados no Atlântico e cientistas encontraram recipientes corroídos no fundo do mar
Uma missão científica encontrou barris deteriorados e investiga se a contaminação já alcançou os organismos marinhos.
Durante décadas, países despejaram resíduos e barris radioativos no oceano, apostando que o isolamento e a diluição natural reduziriam os riscos ambientais.
Agora, uma missão científica liderada por pesquisadores franceses investiga as consequências dessa prática no Atlântico Nordeste. Mais de 200 mil barris estão espalhados no fundo do mar, e inspeções recentes encontraram recipientes severamente corroídos, alguns com sinais de vazamento.
O impacto sobre a vida marinha ainda precisa ser esclarecido.
Como mais de 200 mil barris radioativos foram parar no Atlântico?
Entre 1949 e 1990, diversos países utilizaram o fundo do oceano como destino para resíduos radioativos. Reino Unido, Bélgica e França estiveram entre os participantes, em um conjunto de operações que envolveu 14 países e diferentes regiões oceânicas.
No Atlântico Nordeste, a área de despejo abrange aproximadamente 14.500 km², em profundidades de 3.000 a 5.000 metros. Os resíduos eram acondicionados em estruturas de concreto ou betume, dentro de recipientes metálicos que deveriam oferecer proteção temporária.
Por que os barris radioativos abandonados preocupam os cientistas?
A estratégia original considerava que os recipientes conteriam os materiais por cerca de 20 anos, enquanto a radioatividade de determinados isótopos diminuiria naturalmente. A retirada dos barris não estava prevista, e os locais permaneceram sem monitoramento sistemático por décadas.
A prática foi gradualmente restringida pela Convenção de Londres, adotada em 1972, e terminou em 1993. Entretanto, o envelhecimento das estruturas trouxe uma nova preocupação, já que a corrosão pode permitir que substâncias contaminadas se espalhem pelos sedimentos marinhos.
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O que as expedições científicas encontraram no fundo do oceano?
A missão NODSSUM realizou duas etapas de investigação para localizar os recipientes e avaliar suas condições. Os resultados iniciais revelaram sinais de deterioração que exigem análises mais detalhadas.
Entre as principais descobertas e atividades estão:
O que as expedições encontraram no fundo do oceano?
Robôs e submersíveis identificaram milhares de recipientes, sinais de corrosão e níveis de radioatividade acima do previsto.
3.355 recipientes localizados
Em 2025, o robô autônomo UlyX mapeou barris distribuídos por uma área de 163 km².
Inspeção de perto em 2026
Entre maio e junho, o submersível Nautile realizou 20 mergulhos para documentar cerca de 50 barris.
Corrosão e possíveis vazamentos
Os pesquisadores observaram recipientes bastante deteriorados e material contaminado espalhado nos sedimentos marinhos.
Radioatividade acima das previsões
As medições registraram níveis superiores aos esperados, mas não indicaram uma emergência radiológica de grandes proporções.
O que os resultados indicam?
O estado dos recipientes e a presença de material contaminado reforçam a importância de avaliar os impactos ambientais. Os dados apresentados não permitem, por si só, determinar a extensão da contaminação ou seus efeitos sobre todo o ecossistema marinho.
Os resultados mostram a importância de investigar locais que permaneceram praticamente sem acompanhamento durante décadas.
Como a contaminação pode afetar os animais marinhos?
Os cientistas encontraram anêmonas, esponjas e caranguejos vivendo sobre os barris corroídos. A presença desses organismos levanta dúvidas sobre a exposição à radiação e a possível entrada de radionuclídeos na cadeia alimentar das profundezas.
Para esclarecer o problema, as equipes coletaram amostras de água, sedimentos e organismos vivos. A investigação procura determinar se substâncias radioativas foram absorvidas pelos animais e se ocorreu bioacumulação, processo no qual determinados contaminantes se acumulam nos tecidos dos seres vivos.
Quando os cientistas saberão a dimensão do problema?
As amostras estão sendo analisadas em laboratório, e os resultados completos são esperados para o início de 2027. Os pesquisadores pretendem identificar a distribuição dos radionuclídeos nos organismos coletados perto dos recipientes e avaliar a extensão da contaminação.
Os dados também podem contribuir para ampliar o monitoramento ambiental do Atlântico Nordeste. Por enquanto, a deterioração dos barris está documentada, mas ainda não é possível afirmar que todo o ecossistema tenha sido afetado. A principal questão é descobrir até que ponto os resíduos abandonados alteraram a vida marinha ao longo de décadas.
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