Mais de 107 mil espécies entram no comércio mundial e a contagem anterior não chegava nem à metade
O comércio legal de vida selvagem vale cerca de dez vezes mais do que o comércio ilegal, segundo a pesquisadora

O que você vai ver
- Quantas espécies entram hoje no comércio mundial.
- Como esse número se compara às estimativas anteriores.
- Por que a maior parte desse comércio é legal, não ilegal.
- Que lacuna grave de dados os pesquisadores encontraram.
- Que solução os pesquisadores propõem para fechar essa lacuna.
Um levantamento da Universidade de Melbourne encontrou pelo menos 107.356 espécies de plantas, animais e fungos usadas ou comercializadas no mundo, mais do que o dobro do que as estimativas anteriores indicavam.
Quantas espécies entram no comércio mundial?
A pesquisadora Alice Hughes, da Universidade de Melbourne, cruzou bases de dados de comércio de diferentes setores e chegou a um piso de 107.356 espécies em uso e comercializadas globalmente, no que a equipe descreve como a primeira estimativa abrangente já feita desse tipo.

Como esse número se compara a estimativas anteriores?
Antes desse levantamento, as estimativas apontavam cerca de 50 mil espécies em comércio no mundo; o novo número é mais do que o dobro, e Hughes afirma que, para a maioria dessas espécies, praticamente não existem dados sobre quantidade comercializada ou origem.
Por que a maior parte do comércio é legal?
Hughes explica que, ao pensar em comércio de vida selvagem, a maioria das pessoas imagina o tráfico ilegal de elefantes, tigres e pangolins, mas a categoria inclui também madeira, frutos do mar, plantas medicinais, animais de estimação, flores de corte, peixes ornamentais e fungos, a maior parte dela totalmente legal; segundo a pesquisadora, o comércio legal vale aproximadamente dez vezes mais do que o ilegal.
Que lacuna de dados foi encontrada?
Os Estados Unidos são, segundo Hughes, o único país que registra sistematicamente e compartilha publicamente dados de comércio para uma ampla variedade de grupos taxonômicos; a meta de comércio prevista no marco global de biodiversidade cobre apenas cerca de 2% a 3% das espécies comercializadas, deixando de fora os outros 97%.

Que solução os pesquisadores propõem?
A equipe defende a padronização da coleta de dados de comércio entre países, sugerindo que processos aduaneiros e zoossanitários já existentes poderiam ser reaproveitados para criar um sistema de monitoramento mais robusto, desde que haja maior engajamento político para colocá-lo em prática em escala global.
Outro estudo que também revelou uma lacuna de proteção maior do que se imaginava é o da conchas trituradas que ajudaram amêijoas jovens a crescer mesmo em água mais ácida, mostrando como pequenas intervenções locais podem ter efeito prático.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na publicação original no Phys.org.
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