John Cryan, renomado neurobiólogo e professor acadêmico: “Temos evidências de que o café, seja cafeinado ou descafeinado, transforma a microbiota e melhora a saúde mental e cognitiva”
A descoberta chama a atenção porque sugere que compostos diferentes da cafeína também participam dos efeitos da bebida sobre o organismo.
O café pode fazer muito mais do que ajudar a despertar pela manhã. Pesquisas conduzidas pelo neurocientista John Cryan, da University College Cork, na Irlanda, indicam que tanto a versão tradicional quanto a descafeinada podem influenciar a comunicação entre o intestino e o cérebro.
A descoberta chama a atenção porque sugere que compostos diferentes da cafeína também participam dos efeitos da bebida sobre o organismo.
Como o café pode influenciar o cérebro e o intestino?
A investigação publicada na revista científica Nature Communications em 2026 analisou a relação entre o consumo habitual de café, a microbiota intestinal e aspectos do funcionamento psicológico.
Os resultados apontam que a bebida está associada a alterações na composição dos microrganismos intestinais e em substâncias produzidas pelo organismo.
Essa conexão é conhecida como eixo intestino-cérebro, uma via de comunicação bidirecional que envolve o sistema digestivo e o sistema nervoso. As mudanças observadas ajudam a compreender por que os efeitos do café podem ir além da disposição provocada pela cafeína.

Por que o café descafeinado também chama a atenção dos cientistas?
Um dos pontos mais interessantes da pesquisa é que os efeitos relacionados ao consumo de café não dependem exclusivamente da cafeína.
A versão descafeinada também foi capaz de provocar alterações na microbiota intestinal, indicando que outros componentes da bebida podem ter participação nesse processo.
Entre os elementos investigados estão os compostos fenólicos, presentes naturalmente no café. Para entender a importância dessa descoberta, vale observar três aspectos da relação entre a bebida e o organismo:
Por que o café descafeinado chama a atenção dos cientistas?
Os efeitos do café podem ir além da cafeína. Pesquisadores investigam como outros componentes da bebida se relacionam com a microbiota intestinal.
Três aspectos ajudam a entender por que a versão descafeinada também é relevante para as pesquisas sobre a conexão entre intestino e cérebro.
Microbiota intestinal
O consumo de café foi associado a mudanças na composição dos microrganismos que vivem no intestino, um ecossistema importante para o funcionamento do organismo.
Compostos bioativos
Substâncias presentes no café, como os compostos fenólicos, podem contribuir para os efeitos observados, além da ação estimulante da cafeína.
O papel do descafeinado
A versão descafeinada também foi associada a alterações na microbiota, indicando que outros componentes da bebida merecem investigação.
Quais efeitos foram observados no humor e no comportamento?
A pesquisa também encontrou associações entre o consumo habitual de café e diferenças em indicadores psicológicos, incluindo reatividade emocional e impulsividade. Os cientistas investigaram ainda metabólitos relacionados à atividade dos microrganismos intestinais e à comunicação entre o intestino e o cérebro.
Esses resultados não significam que beber café necessariamente melhora o humor ou reduz o estresse em todas as pessoas. As associações identificadas precisam ser interpretadas com cautela, e os mecanismos envolvidos ainda exigem investigação.
John Cryan, neurobiólogo: “Tenemos evidencias de que el café, con cafeína o descafeinado, transforma la microbiota y mejora la salud mental y cognitiva” https://t.co/YlCmX8M5pT
— Vitónica (@vitonica) October 21, 2026
O que acontece quando uma pessoa para de beber café?
Outro aspecto analisado foi a retirada temporária da bebida e sua posterior reintrodução. Os resultados indicaram que algumas alterações na microbiota e no conjunto de metabólitos intestinais podiam mudar novamente após a interrupção ou a retomada do consumo.
Esse comportamento sugere que a relação entre café e microbiota é dinâmica. Entretanto, a resposta individual pode variar, e os resultados não permitem concluir que todos terão os mesmos efeitos sobre o funcionamento intestinal ou psicológico.
Vale a pena trocar o café comum pelo descafeinado?
A principal conclusão é que o café contém componentes capazes de influenciar o organismo para além dos efeitos estimulantes da cafeína. A versão descafeinada merece atenção porque também pode interferir na microbiota intestinal, embora isso não signifique que as duas bebidas produzam resultados idênticos.
Para quem deseja reduzir a cafeína, o descafeinado pode ser uma alternativa a considerar, especialmente quando a substância prejudica o sono ou provoca desconforto.
Ainda assim, a escolha deve levar em conta a tolerância individual e os hábitos alimentares. A
pesquisa amplia o conhecimento sobre o eixo intestino-cérebro, mas não transforma o café em tratamento para problemas intestinais, emocionais ou neurológicos.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)