Javaporco: o pesadelo que o próprio brasileiro criou e agora não consegue parar
Espécie híbrida se espalha e ameaça a agricultura nacional
Ele não nasceu na natureza. O javaporco é um híbrido criado pelo cruzamento entre o javali europeu e o porco doméstico, dois animais que nunca teriam se encontrado sem a ajuda humana. O resultado é um animal forte, resistente, extremamente fértil e sem predadores naturais no Brasil. Hoje, segundo o IBAMA, ele está presente em todos os biomas do país e é considerado uma das piores espécies exóticas invasoras do mundo pela IUCN.
Como o javaporco surgiu no Brasil?
O javali europeu (Sus scrofa) chegou ao Brasil para ser criado comercialmente. A atividade não decolou e muitos animais foram soltos ou fugiram das fazendas. Livres, eles se cruzaram com porcos domésticos que viviam nas propriedades rurais, gerando o javaporco.
O problema foi crescendo porque ninguém controlou. Segundo a Embrapa, os animais asselvajados formaram grandes populações na natureza. Sem inimigos naturais e com muita comida disponível nas lavouras, a reprodução foi descontrolada.

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O que torna esse animal tão difícil de controlar?
O javaporco combina o que há de mais adaptável nos dois lados da sua origem. Do javali, herdou força, agressividade e a capacidade de sobreviver em ambientes adversos. Do porco doméstico, herdou resistência e facilidade de reprodução em qualquer clima. Veja as características que tornam o controle tão complicado:
Quais são os danos causados pelo javaporco?
O animal destrói o que encontra pela frente. Nas lavouras, revira o solo em busca de raízes e come milho, soja, trigo e outros grãos. Em áreas de mata, pisa e destrói nascentes d’água, enterrando-as com o hábito de chafurdar no barro. Segundo o Plano Javali do IBAMA, os riscos transmitidos por esses animais podem afetar a produção de proteína animal brasileira em até R$ 42 bilhões por ano. Veja o comparativo dos principais impactos:
| Tipo de dano | O que acontece | Gravidade |
|---|---|---|
| LavourasMilho, soja, trigo, pomares e plantações diversas | Destroem e comem as culturas, causando prejuízo total em alguns casos | Alto |
| Nascentes e soloÁreas de preservação e matas nativas | Pisoteiam nascentes, causam erosão e destroem a vegetação nativa ao fuçar o solo | Alto |
| PecuáriaSuínos, bovinos e ovinos | Atacam filhotes e transmitem doenças ao rebanho doméstico | Alto |
| Saúde humanaZoonoses transmissíveis ao ser humano | Carregam brucelose, leptospirose, tuberculose, toxoplasmose e salmonelose | Médio a alto |
Que doenças o javaporco pode transmitir para humanos?
O javaporco é reservatório de várias doenças que passam para o ser humano. Segundo o CRMV-SP, entre as principais estão a leptospirose, a brucelose, a tuberculose, a toxoplasmose e a salmonelose. Para a pecuária, o risco inclui ainda a febre aftosa e a peste suína clássica, doenças que podem gerar embargos às exportações brasileiras de carne.
O canal Kairus aborda exatamente esses riscos no vídeo abaixo, explicando como o javaporco se tornou uma ameaça real tanto para o ambiente quanto para a saúde pública:
O que o governo faz para controlar o javaporco?
O IBAMA classifica o javali e o javaporco como espécies exóticas invasoras nocivas desde a Instrução Normativa 03 de 2013. A norma permite o abate controlado por produtores rurais cadastrados, com regras específicas para não causar sofrimento desnecessário e sem o uso de armadilhas letais indiscriminadas.
Em 2017, o governo federal lançou o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali, coordenado pelo IBAMA e pelo Ministério da Agricultura. O plano criou o SIMAF, sistema eletrônico para registrar e acompanhar as ações de manejo em todo o país. Mesmo assim, o animal continua se espalhando, e especialistas alertam que o controle atual ainda é insuficiente para conter o crescimento da população.
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É possível resolver o problema do javaporco no Brasil?
A resposta curta é: não de forma rápida. O animal já está presente em todos os biomas brasileiros e a população cresce mais rápido do que as ações de controle conseguem reduzir. A IUCN lista o Sus scrofa entre as cem piores espécies invasoras do mundo, e o Brasil é um dos países com maior dificuldade de controle por causa da extensão territorial e da presença constante de porcos domésticos nas zonas rurais, que continuam gerando novos cruzamentos.
O caminho mais eficaz, segundo o Plano Javali da Embrapa, passa por três frentes juntas: manejo contínuo nas áreas já infestadas, prevenção do cruzamento com porcos domésticos nas fazendas e monitoramento constante para identificar novas áreas de expansão antes que a situação fuja do controle.
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